Honda aposenta Hornet e lança CB 650F e CBR 650F no Brasil

Arthur Caldeira

Da Infomoto

Com projeto mais racional que o da aposentada Hornet, motor com menos potência e mais torque, a nova família CB 650 chega ao Brasil como nova arma da Honda para conquistar os consumidores de motocicletas médias de quatro cilindros.

A linha será produzida em Manaus e terá duas versões: CB 650F (naked), a partir de R$ 28.990 (R$ 31.190 com ABS); e CBR 650F (carenada), por iniciais R$ 30.690 (R$ 32.890 com ABS).

SUBSTITUTAS DA HORNET?
Embora a fabricante insista que a família CB 650 não substitua as recém-aposentadas CB 600F Hornet e CBR 600F, a nova linha de 650 cc é a única opção da montadora neste segmento de cilindrada média. E não se trata de uma estratégia exclusiva ao Brasil -- ambas foram apresentadas no Salão de Milão de 2013 com o mesmo discurso.

A Honda teve de seguir as tendências do mercado e oferecer motos médias mais acessíveis, tanto no preço como na pilotagem. Atitude que a Yamaha tomou há quatro anos, quando aposentou a FZ6, de 600 cc, e "dividiu" o segmento entre a espartana XJ6, sucesso de vendas por aqui, e a esportiva FZ8, de 800 cc, que não chegou ao nosso mercado.

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Carenada, a Honda CBR 650F vai custar a partir de R$ 30.690 no país (standard)
MAIS BARATA
A CB 650F chega custando cerca de R$ 3 mil a menos que a Hornet e aposta em um motor de 87 cv (11.000 rpm) e 6,4 kgfm de torque (a 8.000 rpm) -- a Hornet tinha 102 cv, mas o pico de torque era alcançado mais tarde, algo que comprova a proposta da empresa de criar um modelo mais amigável ao piloto iniciante e mais econômico no dia-a-dia.

Fora isso, a dupla é completamente nova. "Não partilha sequer um parafuso com a Hornet", declara Alfredo Guedes, engenheiro da fábrica japonesa. São duas motocicletas focadas em outro perfil de motociclista, sem esconder sua origem.

NOVO DESENHO
Criada por um grupo de jovens designers da Honda, a naked CB 650F assume uma identidade visual mais moderna. O farol alongado e o tanque (17,3 litros) ladeado por duas grandes aletas dão um porte robusto. A CBR 650F traz o mesmo conjunto óptico e estilo frontal, mas com carenagem integral. Na traseira, ambas têm rabeta com linhas minimalistas e lanterna de LED.

As duas versões, aliás, têm poucas diferenças. A CBR 650F se difere basicamente pela carenagem e pela adoção de uma nova mesa de direção, onde estão fixados os semi-guidões, que garantem posição de pilotagem mais esportiva. As pedaleiras, porém, estão posicionadas no mesmo lugar e até as dimensões são quase as mesmas: 2.110 mm de comprimento, 755 mm de largura, 1.120 mm de altura (a carenada tem a adição de apenas 25 mm na altura). A distância entre-eixos (1.450 mm) e a altura do assento (810 mm) são as mesmas em ambas.



MOTOR E CICLÍSTICA
Tanto a CB 650F quanto a CBR 650F estão equipadas com novo motor de quatro cilindros em linha, de 649 cm³, com refrigeração líquida e comando duplo no cabeçote (DOHC). Nas duas versões, ele é capaz de gerar 87 cv e 6,4 kgfm de torque, como já dito.

Também há novidades na suspensão. Enquanto a Hornet e a CBR 600F tinham garfos invertidos (do tipo upside-down), as novas motocicletas apostam em conjuntos convencionais na dianteira, com curso de 120 mm e sem ajustes, e monoamortecedor na traseira, fixado direto à balança (feita em alumínio). Já o quadro de dupla trave tipo Diamond é feito em aço, material menos nobre e mais pesado que alumínio -- a CB 650F pesa 192 kg, 4 kg a mais que a Hornet.

As soluções são formas de cortar custos, já que a fabricante deixou claro que as novas motos deveriam custar menos que a Hornet. Nos freios, há uma receita já conhecida da marca: dois discos (320 mm de diâmetro) com pistão duplo na roda dianteira e disco único (240 mm) e pinça de pistão simples na traseira. O ABS de dois canais é oferecido como opcional nas duas versões -- na naked CB 650F seu peso (a seco) sobe para 194 kg, enquanto na esportiva CBR 650F o sistema confere à moto 197 kg (a versão standard pesa 195 kg).

Não confunda essas especificações convencionais com uma moto simples no acabamento. A Honda caprichou na saída de escape 4 em 1 com uma bela ponteira curta no centro da moto, o que ajuda a reduzir o centro de gravidade e centralizar a massa. O painel das duas também é completamente digital, de fácil visualização e com todas as informações úteis ao motociclista.
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Modelo sem carenagem, CB 650F tem versão tricolor com freios ABS por R$ 31.690
NA PISTA
Na naked CB 650F, o banco largo e a posição de pilotagem ereta agradam. Ao ligar o motor, surge um ronco mais contido que o da Hornet. É possível perceber rapidamente, porém, que a moto, embora mais pesada que sua antecessora, é mais ágil e mais leve. O novo quadro e a centralização de massas são dois dos maiores responsáveis por tal sensação.

Nas primeiras marchas, sente-se que o motor demonstra ter mais vigor, mesmo em baixos e médios regimes -- segundo a Honda, cerca de 80% do torque  já está disponível a 4.000 rpm. Em arrancadas, portanto, a CB 650F é mais forte que a Hornet. Entretanto, em altos giros, como em subidas, sente-se falta de fôlego acima dos 8.000 giros, algo que não acontecia no modelo antigo. Na reta da pista onde a moto foi apresentada, o velocímetro não ultrapassou 186 km/h.

O conjunto ciclístico, mesmo mais espartano, mostrou-se equilibrado e maneável, ágil nas entradas e firme nas saídas de curvas.

No modelo carenado, a posição é mais adequada para pilotagem esportiva, já que o piloto coloca o peso sobre o trem dianteiro e ganha confiança nas curvas. A conclusão é óbvia: as CB 650F e CBR 650F são menos esportivas que CB 600F Hornet e CBR 600F, respectivamente, pois o novo motor enche mais em baixos e médios regimes, mas a potência acaba antes.

Mas e os fãs da esportividade da Hornet? Para eles a Honda prepara novidades no posicionamento da CB 1000R, que hoje custa a partir de R$ 39.900 e tem motor de 125 cv. "Acreditamos que o antigo fã da Hornet migre para a CB 1000R. Para isso vamos trabalhar para reposicionar o modelo no mercado", declarou Marcos Paulo Monteiro, gerente de planejamento comercial da Honda. Quem sabe ela não fica mais barata?

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Ambas foram criadas para um consumidor jovem, menos abastado e menos experiente

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