Motos, bikes e patinetes elétricos dão "choque verde" em salão alemão

Arthur Caldeira

Da Infomoto, em Colônia (Alemanha)

Motocicletas elétricas não poluem e não emitem ruídos, mas estão fazendo muito barulho no Intermot 2014, em Colônia (Alemanha). Antes limitados ao espaço e-motion, os veículos elétricos de duas rodas já podem ser vistos em outros pavilhões do famoso salão de motos alemão, aberto até o próximo dia 5.

Depois de uma estreia bem sucedida em 2010, o "espaço elétrico" cresceu em 2012, quando cerca de 100 mil visitantes afirmaram estar interessados em "mobilidade sustentável", de acordo com a organização do Intermot. Neste ano, foi mantido, mas o assunto espalhou-se pelos outros pavilhões da feira. Fabricantes de motos tradicionais -- leia-se com motores a combustão -- também estão apostando que o futuro das motos passará certamente pelos motores elétricos.

Divulgação
Gama de motos elétricas da Zero, que é dos EUA mas aposta no mercado europeu
"Stefan Pierer, nosso CEO, está convencido que o futuro das motos será elétrico", disse Hannes Dirmayer, gerente da KTM Áustria para a América Latina. No evento deste ano, um dos principais lançamentos da marca é a E-SM, supermotard urbana que veio completar sua linha E-Freeride (que já conta com uma versão off-road e outra trail, todas elétricas).

Especializada e líder no segmento na Europa, a KTM foi impulsionada para as motos elétricas em função da restrição para a prática do off-road com motos "normais" em muitos países europeus, principalmente em função do ruído dos motores. "Com a E-Freeride não há esse problema: ela não faz barulho, não tem embreagem e é fácil de pilotar", explicou Harald Plöckinger, diretor de operações da KTM. "Criamos uma moto elétrica que tem a potência e a autonomia de uma com motor a gasolina."

Desenvolvida em parceria com a Panasonic e uma universidade, e contando com apoio financeiro do governo austríaco, a E-Freeride tem sido testada desde 2011 e chega agora ao mercado. Seu desempenho equivale a uma moto de 200cc, e sua autonomia em trilhas é de 60 minutos, garante a empresa. "A moto é elétrica, mas a emoção e a diversão ao pilotá-la é a mesma de qualquer outra KTM", garantiu Plöckinger.

Mas a nova família não vai andar apenas na terra. A E-XC, trail, e a nova supermotard E-SM têm espelhos retrovisores, sistema de iluminação e estão homologadas para a rua. E poderão ser pilotadas por jovens habilitados a partir dos 16 anos.

AUTONOMIA DE 300 KM
Longe de ser pioneira, a KTM segue caminho já percorrido pela norte-americana Zero, fundada em 2006, ano em que entrou no mercado com motos elétricas para off-road. Aproveitando a onda da mobilidade sustentável, a Zero exibe suas motos elétricas ao lado de modelos tradicionais, como os da Suzuki e da Aprilia, marcas com que divide um pavilhão.

Para crescer no Velho Continente, a Zero contratou o experiente Umberto Uccelli, ex-MV Agusta, como diretor das operações na Europa. "Vemos um grande potencial aqui. Até julho deste ano, as vendas no continente já superaram os números de 2013", afirmou o CEO da Zero, Richard Walker.

"A linha 2015 traz melhorias em suspensão e freios, e os pneus passaram a ser os mesmos utilizados em motos de rua", contou o diretor técnico da Zero, Abe Askenazi. Segundo ele, o desempenho e a autonomia já não são mais um problema para as motos elétricas da Zero: os modelos topo de linha S e DS, feitos para viajar, podem rodar 298 km sem recarga, com velocidade máxima de 160 km/h.

A recarga, feita por um carregador já instalado na moto, leva nove horas. O preço ainda é salgado: cerca de 17 mil euros, valor de uma BMW K 1600 GT, luxuosa grã-turismo da fábrica alemã. Mas, para Askenazi, o preço elevado acaba sendo compensado pela economia com combustível e manutenção ao longo do tempo: "Você só precisa trocar pneus, pastilha de freios e a corrente; não há troca de óleo, velas etc."

ANDA IGUAL
A fábrica bávara, aliás, também já embarcou com tudo na onda elétrica. O scooter BMW C Evolution, mostrado no Salão de Automóveis de Frankfurt em 2013, já começou a ser produzido e vendido na Europa. Além de ter desenho semelhante ao scooter a gasolina da marca, o C 600 Sport (à venda no Brasil), o C Evolution oferece desempenho equivalente, disse Raul Fernandes Junior, diretor executivo da Power Motorrad, concessionária da BMW Motorrad em São Paulo e Santos (SP).

"Cheguei a atingir 120 km/h na apresentação do produto para os revendedores globais", contou Fernandes à Infomoto, durante sua visita ao evento de Colônia. Nessa tocada, com o acelerador em força total, o C-Evolution tem autonomia para cerca de 100 km. A recarga total da bateria leva quatro horas. O preço do C-Evolution na Europa gira em torno de 15 mil euros (4 mil euros mais que a versão a gasolina).

BIKES E PATINETES
Se as motos elétricas estão começando a ganhar importância neste Intermot, as bicicletas e patinetes elétricos já conquistaram seu espaço há alguns anos nas ruas e salões europeus. A empresa norte-americana Polaris, famosa por seus quadriciclos e snowmobiles, entrou no segmento há três anos. "Nosso grande diferencial é que fabricamos nossos próprios motores elétricos", disse o norte-americano Austin Hogdin, diretor-gerente da divisão e-bikes da empresa.

Arthur Caldeira/Infomoto
Bicicletas com motor elétrico, as e-bikes, no Intermot, em Colônia
Com três modelos de bicicleta elétrica, a Polaris também criou um sistema com oito marchas que altera a relação da transmissão final, liberando mais potência. "É quase como trocar de marchas numa moto: quanto mais alta a velocidade e marcha, mais o motor auxilia", explicou Higdon. Com preços que variam entre US$ 2 mil e US$ 4 mil, as bicicletas elétricas da Polaris podem atingir até 45 km/h e tem autonomia para cerca de 40 km. Porém, contam com sistema regenerativo nos freios que recarrega as baterias. Em descidas e velocidades superiores a 45 km/h, a bateria também é recarregada.

EUROPA NA MIRA
O mercado de bicicletas elétricas na Europa é tão grande que atraiu também a atenção da Yamaha. A tradicional fabricante japonesa de motocicletas produz motores elétricos auxiliares desde 1993, mas entrou para valer no mercado europeu há poucos anos. "Abrimos uma divisão específica na Holanda e, atualmente, fornecemos para seis grandes empresas europeias", contou Hanako Jingai, gerente de produto da marca. Neste ano, a Yamaha estava presente no e-motion em parceria com a taiwanesa Giant, famosa fabricante de bicicletas, com seus motores elétricos.

"No Japão a Yamaha fabrica suas próprias bicicletas, e vendemos cerca de 200 mil e-bikes por ano. Mas o mercado europeu é mais complicado, então decidimos trabalhar apenas como fornecedores", disse Jingai. Vale lembrar que a empresa japonesa já vende um scooter elétrico na Europa, o EC-03, desde 2011.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos