Participar de um enduro de moto pode sair mais barato do que você imagina

Roberto Brandão Filho

Da Infomoto

  • Roberto Brandão Filho/Infomoto

    Para disputar um enduro, é preciso de uma moto preparada a qualquer tipo de piso

    Para disputar um enduro, é preciso de uma moto preparada a qualquer tipo de piso

Populares no Brasil, os enduros de regularidade atraem amantes do motociclismo aventureiro de várias partes do Brasil. Muitos, entretanto, acabam desistindo de participar por medo de não dar conta das despesas, já que as competições automobilísticas e motociclísticas têm fama de ser esporte só para quem tem "bala na agulha".

No caso de uma prova como essa, esta é uma "meia verdade". É óbvio que, para fazer um enduro, é preciso ter algum dinheiro em reserva, mas os gastos estão longe de ser extorsivos quanto os de um campeonato disputado nas pistas. O Enduro da Independência, por exemplo, evento que já existe há 32 anos e é um dos mais tradicionais da modalidade, demanda investimentos de no máximo R$ 10 mil, sem contar, claro, o valor da motocicleta.

Se o interessado também precisar adquirir um modelo preparado para o enduro, aí vai ter que gastar entre R$ 10 mil e R$ 50 mil para comprar um daqueles chamados "especiais" -- como Honda CRF 230F e Yamaha TTR 230, ou ainda importadas de KTM Sherco e Beta. Isso, claro se optar por um zero quilômetro. 

Divulgação
Lista de equipamentos para disputar um enduro vai muito além do capacete: protetor de pescoço e coluna, óculos, joelheiras, caneleiras, luvas e botas são obrigatórios
Na edição 2014 do evento, mais de 400 pilotos percorreram 790 quilômetros entre os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Embora o objetivo da prova não seja premiar o mais veloz, é importante investir em um conjunto completo de segurança, já que as etapas, com duração média de sete horas por dia, o que aumenta os riscos de acidentes por conta do cansaço. Um kit de boa qualidade com capacete, joelheiras, cotoveleiras, colete, luvas, óculos para pilotagem fora do asfalto, botas e protetor de pescoço saem em torno de R$ 4 mil.

Além disso, o competidor precisa comprar equipamentos para navegação, com road book (onde se encaixa a planilha) e totem (uma espécie de computador de bordo), que custam pouco mais de R$ 2 mil, incluindo a instalação, e servem para todos os enduros de regularidade.
Após ter tudo isso, é possível se inscrever em uma prova. Segundo Gustavo Jacob, presidente do TCMG (Trail Clube Minas Gerais), que organiza o Enduro da Independência, as inscrições começam em R$ 400, desde que feitas com antecedência, e chegam a R$ 1.000 quando feitas próximo à data da largada. Também é obrigatório locar o navegador GPS junto aos organizadores: R$ 150 para os quatro dias de evento. É ele que irá aferir os resultados no decorrer das etapas.

Por fim, é preciso calcular gastos com hospedagem, equipe de apoio e alimentação. E aí é que a experiência ajuda a encontrar caminhos para economizar. Thyago Rocha, de Niterói (RJ), que iniciou há seis meses no enduro e competiu na categoria Novatos, viajou com picape própria para carregar uma moto sua e outra de um amigo na caçamba, e eles mesmos fizeram o papel de mecânico. 

Roberto Brandão Filho/Infomoto
Eis o motivo pelo qual investir em bons equipamentos de segurança é tão importante: sofrer belas quedas é rotina em um enduro
Rocha ficou hospedado em hotéis ou pousadas nas cidades em que a prova passou, e também bancou sozinho os custos com alimentação e combustível. Total: R$ 3.000. "Como foi minha primeira vez, ainda não conhecia os macetes e arcamos individualmente com tudo", contou o estreante, terceiro colocado em sua classe.

Na outra ponta, o experiente Hugo Morato, que compete há 30 anos no enduro e foi o campeão da categoria acima de 50 anos (ele tem 53), já aprendeu qual é o melhor "esquema" para encarar o Independência. "Após anos sofrendo sem apoio e gastando economias próprias, aprendi como é participar gastando muito menos e me divertindo muito mais", relatou.

Todos os anos, Morato se junta a mais dez ou 12 amigos para alugar um motorhome coletivo, dividindo despesas com mecânico, cozinheiro, alimentação e combustível. A fatura não sai mais do que R$ 1 mil para cada um, e a reunião entre amigos garante bons momentos de descontração. Claro que vencer é o objetivo final, mas sem amigos e diversão, a competição não teria a mesma graça", comentou.

Apesar de ter que abrir mais a carteira, o novato Thyago Rocha também gostou da "brincaideira", e prometeu repetir a dose no futuro. "No fim, valeu muito a pena. Com certeza voltarei, e da próxima vez gastando menos", finalizou.

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