Harley-Davidson Street Glide vira 'máquina do tempo' até Petrópolis

Aldo Tizzani

Da Infomoto, em Petrópolis (RJ)

Veja belas imagens de Petrópolis (RJ) e da Harley Street Glide 2014
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Encravada nas serra fluminenses, Petrópolis é a "cidade de Pedro", já que as terras que deram origem ao município -- fundado em 1843 por Dom Pedro 2º -- pertenciam a seu pai, imperador Dom Pedro 1º.

"Point" no inverno, a região está para os cariocas como Campos de Jordão está para paulistanos, só que com mais charme, requinte e história.

A "cidade imperial" conta com belo patrimônio arquitetônico, atrativos históricos, hotéis e pousadas aconchegantes, além de uma gastronomia diversificada. Isso sem falar na beleza da região, que é abraçada pela mata atlântica.

Como chegar a Petrópolis
  • Do Rio de Janeiro
    Fica a cerca de 70 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro pela BR-040.
  • De São Paulo
    São quase 500 quilômetros de distância. Siga pelo corredor Ayrton Senna-Carvalho Pinto-Dutra até Volta Redonda. Pegue a RJ-393 até a BR-040. Se tiver tempo e preferir rodar por regiões serranas, passe por Piraí, Mendes, Miguel Pereira, Paty do Alferes e Araras.
  • De Belo Horizonte
    Também pela BR-040, a capital mineira fica a 400 km de Petrópolis.
  • Pedágios
    Durante a viagem o que pesa na conta é a quantidade de pedágios. Isso sem contar a falta de segurança, já que não há cabines exclusivas para motocicletas. Os valores variam entre R$ 1,05 e R$ 5,45. Reserve R$ 50 só para pagamentos.
VIAGEM DE HARLEY
Para chegar até Petrópolis, Infomoto escalou a nova Street Glide, uma das integrantes da linha Rushmore (cujos novos modelos tiveram incremento de desempenho, tecnologia, conforto e design).

Ela é uma touring despojada, tão divertida quanto sua irmã mais equipada, a Ultra Limited. De tão clássica, foi possível dizer que ela foi a "máquina do tempo" que nos levou para conhecer a história do segundo império e do início da República.

O Brasil é muito rico em história e em personagens. Entre eles estão Alberto Santos Dumont, pai da aviação -- que era frequentador assíduo da cidade e bastante admirado pela realeza, principalmente pela princesa Izabel, filha de Dom Pedro 2º.

No total, foram quase 1.500 quilômetros rodados. Os maiores trechos de deslocamento aconteceram nas rodovias Presidente Dutra e na BR-040 (Rodovia do Aço), elo entre Minas Gerais e Bahia, que também passa pelo Rio de Janeiro.

O trecho que cruza a região de Petrópolis é repleto de curvas, tem asfalto excelente e, de quebra, emoldurado por paisagens fascinantes. Rodar ali já valeu qualquer esforço, inclusive o desgaste pelos inúmeros pedágios.

TURISMO E GASTRONOMIA
A cidade é bem sinalizada e a maioria dos pontos turísticos está no centro. Petrópolis oferece boas opções de compras, passeios, atividades culturais e uma vasta agenda de eventos -- vale a pena parar e saborear alguns dos produtos típicos, sempre bem acompanhados por um chope gelado, "especialidade da casa" (se beber, não pilote).

Além do museu imperial -- que serviu de residência para Dom Pedro 2º e que hoje abriga relíquias da época --, o centro histórico têm inúmeras atrações: a casa de veraneio de Santos Dumont, o palácio Rio Negro, o palácio de Cristal, a Catedral São Pedro de Alcântara e outras construções curiosas, como a casa da Ipiranga, que todos conhecem como "Casa dos Sete Erros" devido a sua arquitetura irregular.

Detalhe: a Avenida Koeler, que liga o centro à catedral, é considerada o principal corredor arquitetônico da cidade. Lá estão casas, mansões e palacetes construídos na época em que a nobreza brasileira desfilava com charretes. Os nobres se foram, e hoje as charretes carregam turistas.

A gastronomia, influenciada pela imigração alemã e italiana, oferece boas opções de bares e restaurantes. Em Petrópolis, o imperdível bolinho de bacalhau com chope é pedida certa na Casa D'Angelo (Rua do Imperador, 700). Petiscar no Marowil Rink, na praça da Liberdade, também é ótima pedida -- ambos ficam no centro.

O distrito vizinho, Itaipava, é o principal destino para quem quer cometer pecados da gula. Com vários restaurantes famosos, a cidade também conta com pousadas badaladas, como a surpreendente Tankamana.

Impressões ao pilotar -- Harley-Davidson Street Glide
  • Mario Villaescusa/Infomoto
    Como é rodar com a Street Glide
    Ela chama a atenção pela carenagem frontal. Reformulada para 2014, pelo projeto Rushmore, usa sistema de freios Reflex com ABS e garfos dianteiros mais robustos. Custa R$ 69.900 e tem motor Twin Cam 103 High Output de 1.690 cc (14,3 kgfm de torque) e câmbio de seis marchas. A melhor média na estrada foi de 18,2 km/litro (a pior, 17,4 km/l). Na cidade, a melhor foi de 14,5 km/l e a pior, 13,8 km/l. Foto: Mario Villaescusa/Infomoto
DUMONT E AS DUAS RODAS
Mineiro, Alberto Santos Dumont adotou Petrópolis como refúgio -- passou 14 verões na cidade. De sua casa no alto da colina ele escrevia, fazia ensaios e observava estrelas. Dumont sempre foi fascinado pela engenharia e por motores à combustão (vindo, claro, das motos). Em 1892, promoveu a primeira corrida de mototriciclos em Paris -- na ocasião, ele usou uma bicicleta presa às cordas do balão "América".

Além disso, Santos Dumont é o precursor do trem de pouso. No 14-Bis, por exemplo, utilizou rodas de bicicleta. Mas a principal ligação entre o inventor e a motocicleta foi o uso do motor Buchet, tradicional (à época) fabricante francesa de carros e motos, tornando-os aptos para uso aeronáutico no início do século 20.

Em seu livro "Santos Dumont e a invenção do voo", o professor Henrique Lins e Barros cita o uso deste tipo de propulsor nas invenções de Dumont. O Demoiselle também estava equipado com um motor compacto Clément-Bayard, refrigerado à água, que gerava 40 cv. Com dois cilindros opostos, como os boxer, tinha desempenho extraordinário para a época: atingia 110 km/h e necessitava de apenas 200 metros para a que a aeronave decolasse.

Em seus inventos, Dumont ainda usou motores Dion-Button, considerado o primeiro motor de combustão interna de alto desempenho. Sua arquitetura de dois cilindros em "V" foi licenciada para mais de 150 fabricantes -- escolha popular entre montadoras de motocicletas no início dos anos 1900, como as norte-americanas Indian e H-D.

OURO LÍQUIDO
Para os amantes de cerveja, a região oferece três opções: o Centro de Experiência da Cervejeira Bohemia, a Cervejaria Petrópolis (em Itaipava) e Cervejaria Imperial. A Bohemia, considerada a mais antiga do Brasil, foi fundada em 1853 pelo colono alemão Henrique Kremer.

Totalmente interativo, o passeio conta a criação da cerveja, a história da bebida, variações de estilo e copos ideais para o consumo. O tour faz uma visita à sala do mestre cervejeiro, um alquimista moderno que tinha como princípio criar a perfeita combinação entre os elementos da natureza e os ingredientes usados na produção do "ouro líquido", que já foi até usado como moeda de troca. É possível conhecer ainda os processos de fabricação e brindar o passeio, no final, com um copo bem gelado. A visitação acontece de quarta a sexta, das 11h às 16h30, e de sábado e domingo das 11h às 18h30. O ingresso custa R$ 19,50 (rua Alfredo Pachá, 166, no centro).

GALLERY 275
Entre nobres, visionários, empreendedores e inventores, encontramos um apaixonado por motocicletas. Com sobrenome ligado à realeza, Guaraci de Oliveira e Silva restaura motos das décadas de 1970, 1980 e 1990.

Depois de recuperar suas próprias bicicletas, em 1987 -- em parceria com o amigo Carlos Alberto de Paiva --, comprou uma Honda CT90 Trail 1972, de oito marchas (quatro normais e quatro reduzidas), usada em plantações de fumo.

Hoje, seu museu de motos, o "Gallery 275", conta com acervo de 110 modelos -- de 50 a 1.100 cc -- e tem mais de duas dezenas ainda a serem recuperadas. No galpão (de 600 metros quadrados) é possível encontrar raridades: Yamaha YB50, RS125, RS100, F5B, FS1, DT125 e R5 250; Honda SS50, S90, ST70 e CJ 250; e Suzuki A50, A100, GT185, GT250 e GT380, além do único exemplar brasileiro da Kawasaki A1 Special 250 cc, de 1970.

Com bar temático, o museu traz muitas referências da década de 1980 e é ponto de encontro de motociclistas aos sábados. Guaraci trabalha atualmente com logística e diz que este acervo será seu legado. "Isso é uma parte importante da história da motocicleta no Brasil, é minha vida. Aqui tem amor, dedicação e trabalho", finaliza.

O "Gallery 275" fica na Rua Cândido Portinari, 275, no bairro da Mosela, em Petrópolis. O ingresso custa R$ 10.

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