Ducati Hyperstrada compensa preço de R$ 56.900 com motor forte

Arthur Caldeira

Da Infomoto

Mario Villaescusa/Infomoto
Hyperstrada é R$ 5 mil mais cara que a Hypermotard, mas vale o investimento

A Ducati trouxe diversas novidades estéticas e mecânicas para a nova geração da família Hypermotard, que desembarcou recentemente no Brasil.

A principal delas foi a adoção do motor Testastretta 11°, bicilíndrico em L com 821 cm³ e refrigeração líquida -- a família ainda traz um completo pacote eletrônico, chamado de Ducati Safety Pack (que integra acelerador eletrônico com três modos de pilotagem, controle de tração e freios ABS com diversos níveis de atuação).

Outra novidade na famosa linhagem de supermotards da marca italiana é o modelo Hyperstrada, inédita versão dotada de alguns acessórios para viagens e mudanças ciclísticas que evocam sua capacidade touring.

Esta configuração é vendida no Brasil por R$ 56.900. O valor é R$ 5 mil mais alto que o da Hypermotard básica, mas se seu plano é viajar aos fins de semana e ter boas doses de diversão com a moto, vale o investimento.

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DIFERENTE
Na essência, Hyperstrada e Hypermotard são iguais. No motor, a versão "strada" tem alternador mais potente para permitir a instalação de duas tomadas de 12V. Na ciclística, a suspensão dianteira tem 20 mm a menos de curso e a traseira conta com reservatório de expansão separado (e ajuste na pré-carga da mola facilitado).

Mas são nos itens opcionais que a Hyperstrada se destaca como modelo mais versátil: há (de série) duas malas laterais semi-rígidas (com capacidade de 26 litros cada, que podem ser retiradas), cavalete central para facilitar a manutenção, banco mais largo, baixo e confortável, guidão 2 cm mais alto e um pequeno para-brisa.

CUORE PULSANTE
Visualmente há algumas diferenças da nova geração da Hypermotard, onde se inclui a Hyperstrada, para os modelos antigos. A começar pela dupla entrada de ar na dianteira. Os espelhos retrovisores não são mais retráteis e fixados ao protetor de mão como nos modelos anteriores, mas as setas ainda estão lá, completando um desenho de bom gosto que se multiplica no característico quadro em treliça, na peça que compõe o sub-quadro e termina em um monobraço traseiro. Na traseira, destaca-se a nova ponteira de escapamento única na lateral direita.

A boa surpresa vem ao dar partida no propulsor. O Testastretta tem quatro válvulas por cilindro, comando desmodrômico e refrigeração líquida. Alimentado por um sistema de injeção eletrônica da Magnetti Marelli e com duas sondas lambda no sistema de escape, ele apresenta alimentação perfeita, sem engasgos ou buracos.

Os 110 cavalos de potência (a 9.250 rpm) chamam a atenção, porém é a curva de torque quase plana e disponível em diversas faixas de rotação que torna a Hyperstrada uma moto divertida de se pilotar. A impressão que se tem é que, embora o pico de 9,1 kgfm seja atingido a 7.750 giros, há força o suficiente para acelerações vigorosas desde as 4.000 rpm. Prova disso é que uma "queimada" na embreagem é capaz de empiná-la até em terceira marcha. Em primeira e segunda qualquer giro mais empolgado no acelerador já é suficiente para tirar a roda dianteira do chão.

SEGURANÇA PARA FREAR
A faixa de torque é tão ampla que, não importa se a moto está em quarta, quinta ou sexta marcha, o motor responde da mesma forma: com força para crescer de giros e fazer a próxima curva chegar com mais rapidez. Nessa hora entram em ação os freios da grife Brembo: dois enormes discos com pinças radiais monobloco têm uma mordida bastante arisca, digna de superesportivas.

Vale destacar o trabalho da embreagem com o sistema APTC, com discos em banho de óleo. O sistema tem um mecanismo auto-servo, que ajuda a comprimir as molas e tornar o manete de embreagem mais leve, deixando para trás a embreagem dura das antigas Ducati. Embora o acionamento seja mecânico, o manete é bem leve. O sistema também funciona como uma embreagem "deslizante", ou seja, em reduções bruscas ele reduz a pressão nos discos impedindo derrapagens.

ELETRÔNICA E SUSPENSÃO
Para domar todo este ímpeto a Ducati trouxe a eletrônica de outras famílias para a linha Hypermotard. Composto pelos três níveis de pilotagem (Sport, Touring e Urban), a vantagem do Ducati Safety Pack é a facilidade em ajustar as respostas do acelerador e do controle de tração e o funcionamento dos freios ABS com o simples toque de um botão.

O conjunto de suspensão Kayaba tem garfos de 43 mm invertidos e combinam bem com o longo curso de 150 mm na roda dianteira (de 17 polegadas). Ele absorve os impactos da estrada, mas não compromete uma possível pilotagem esportiva -- a Hyperstrada aceita contornar as curvas quase como uma esportiva.

A embreagem ajudava nas reduções de marcha mais bruscas e o controle de tração dava conta de manter o pneu traseiro na trajetória, ajudado pelo monamortecedor Sachs que, de início, estava um pouco mole, mas que podia ser facilmente ajustável na pré-carga, garantindo rigidez.
Mario Villaescusa/Infomoto
Malas têm boa capacidade, mas são muito largas: esqueça de usá-las na cidade
ALMA MOTARD
Logo se percebe que, apesar da proposta touring, a Hyperstrada manteve a alma de motard. Em resumo, ela é uma devoradora de serras bastante precisa que ainda conta com a segurança dos controles eletrônicos.

A única observação para quem roda em trechos sinuosos vai para o banco, mais largo nessa versão, que dificulta a movimentação nas entradas das curvas. Por outro lado, mesmo depois de 300 quilômetros rodados, quase não se sente cansaço.

Mesmo pequeno, o para-brisa mostra competência para desviar o vento do capacete, contribuindo para a sensação de conforto. Vale dizer que, na Hyperstrada, assim como em outros modelos da família motard, o piloto assume uma postura trail, ereta e com braços abertos. E aí o parabrisa não faz milagre: é possível sentir a pressão do vento nos ombros. Em compensação, a estabilidade impressiona.

Mario Villaescusa/Infomoto
Empinadas são comuns devido ao bom torque do motor
A luz de reserva acendeu com 176 km no hodômetro: consumo de 16,7 km/l em um ritmo rápido, o que daria autonomia de mais de 250 km -- consumo próximo dos 16,9 km/l apresentados no painel, que é completo e tem fácil leitura (embora simples, ele mostra consumo instantâneo e médio, dois hodômetros, relógio, modo de pilotagem, os níveis do controle de tração e do ABS, velocímetro e o conta-giros).

CUIDADO NA CIDADE
Embora em seu lançamento a Ducati tenha tentado vender a Hyperstrada como "mini-Multistrada", ela não chega a ser tanto. O banco é confortável, o para-brisa é útil e até mesmo o conforto da garupa, em função das alças do suporte das malas rígidas, é maior que na Hypermotard standard.

As malas têm boa capacidade de carga, mas são mais largas que o guidão, portanto esqueça de usá-las na cidade -- além de você ficar preso no trânsito como carro, elas não têm trava. São, porém, práticas de se retirar e úteis para viajar.

Veja como é a Hypermotard standard
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Tradutor: Ducati Hyperstrada, R$ 56.900, une motor forte a ciclística precisa

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