Indústria de motos quer "resgatar" jovens do mundo virtual

Aldo Tizzani

Da Infomoto

Alternativas para desconectar os jovens
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A indústria de motos vive um dilema: como atrair jovens ao "mundo das duas rodas"?

Afinal, este é um ambiente repleto de aventuras e adrenalina, sem contar a sensação de liberdade e a agilidade no trânsito. Com o advento de smartphones, tablets, iPods, videogames e outras engenhocas eletrônicas, a mobilidade, aparentemente, está perdendo espaço para a hiperconectividade.

O fenômeno, que acontece no Japão, Estados Unidos e Europa está diretamente ligado à geração "Y", que não apresenta a mesma vontade por seu próprio meio de transporte como seus pais. Ela prefere focar seu interesse em produtos de tecnologia, os famosos gadgets. Em um mundo movido por aplicativos e mídias sociais, qual é o caminho que a indústria das duas rodas deve seguir para atrair este consumidor?

Futuro com mais pessoas e menos carros desafia montadoras

  • Divulgação

    Pesquisas demográficas apontam que a população mundial crescerá dos sete bilhões de habitantes atuais para nove bilhões até 2050, dos quais 70% vão se espremer em enormes conglomerados urbanos.

    Dessa forma, a mobilidade deverá ser totalmente reformulada. Os fabricantes de veículos deverão repensar a si próprios e até atuar como provedores diretos de serviços de mobilidade para enfrentar o futuro.

A questão é como fazer esta migração entre o mundo virtual para novas experiências pessoais em um veículo de duas rodas.

OPÇÕES MAIS BARATAS
Para tentar resgatar esta geração, a Honda da Europa investe em projetos elaborados -- esteticamente e tecnologicamente falando -- como, por exemplo, a MSX 125. Embora seja uma releitura da Monkey da década de 1960, a moto usa motor injetado de 125 cc e rodas de 12 polegadas. Seus principais diferenciais ficam por conta do design arrojado e de sua vocação urbana, além da facilidade de pilotagem e da agilidade para deslocamentos curtos. Na Europa, quem tiver carteira de habilitação para dirigir um automóvel poderá pilotar a MSX 125 sem qualquer outra autorização especial. O modelo custa 3.000 euros -- cerca de R$ 10 mil em conversão direta, com o euro a R$ 3,28, valor desta sexta (24).

Outra estratégia é projetar motos mais acessíveis. Tanto do ponto de vista da pilotagem como financeiramente -- a saída, na maioria dos casos, é construir motos com menor capacidade cúbica.

Um bom exemplo é a linha de miniesportivas RC da austríaca KTM, que tem como objetivo oferecer emoção e esportividade em seu design, com foco nos mais jovens. São três modelos de baixa capacidade -- 125 cc, 200 cc e 390 cc -- e que deverão custar menos de 6.000 euros. Até mesmo o banco para a garupa foi pensado para esse público. "Como a linha RC é voltada para jovens pilotos, eles vão querer levar seus amigos para dar uma volta, mas também querem que sua moto seja estilosa. Consideramos, então, fazer o assento inteiro de espuma", avisa Philipp Habsburg, diretor do departamento de desenvolvimento e pesquisa da KTM.

Seguindo o mesmo raciocínio, a inglesa Triumph também irá apostar suas fichas em modelos mais baratos, de 250 cc. Serão versões naked e miniesportiva, que já estão sendo flagradas na Europa e na Ásia, equipadas com motores de um cilindro.

Outro exemplo surpreendente de motos menores para conquistar jovens vem da Harley-Davidson. A marca apresentou no ano passado a família Street, cujos modelos trazem inéditos motores de 500 cc e 750 cc -- os menores produzidos pela fábrica atualmente --, com refrigeração líquida e preços que deverão ficar abaixo que os praticados pela família Sportster -- ou seja, menos de R$ 25 mil. "O mundo está mudando e ficando mais jovem e urbano. Desenvolvemos essa linha street pensando em oferecer o espírito Harley para esse novo consumidor", diz Mark-Hans Richer, vice-presidente e diretor de marketing da marca.

MOTOS CONECTADAS
Com um belo design e soluções inovadoras, até a italiana MV Agusta entrou na onda. Recentemente a marca apresentou a Turismo Veloce 800. Um dos destaques é a capacidade da moto de interagir com smartphones ou tablets, que usa sistema Bluetooth para a interface. São dezenas de ações que podem ser realizadas, como uma conexão do celular com interfones do capacete, memorizações de trajetos e ainda ajustes da suspensão e do mapeamento do motor.

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