Honda Shadow 750 vive no passado e tem equipamentos antiquados

Roberto Brandão Filho

Da Infomoto

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A atual versão da Honda Shadow 750, remodelada e apresentada no Brasil no início de 2011, tem design claramente inspirado nas motocicletas estilo chopper. Ela traz paralamas compactos, banco estreito, guidão alto e um pouco curvado para dentro, escapamento duplo cromado e garfo dianteiro alongado.

Lá fora, curiosamente, essa motocicleta é conhecida como Shadow 750 Spirit, já que há outras três versões com estilos diferentes da moto. Além do novo visual, a moto também incorporou o sistema de freios ABS na versão top de linha.

Vendida a R$ 28.880 na versão standard e a R$ 31.380 na configuração com ABS, em preto fosco ou azul metálico, a Shadow está atrás de suas concorrentes e ocupa apenas a sétima colocação no ranking da categoria custom. Trata-se de um dos únicos segmentos em que a Honda não é líder de vendas.

VIVENDO NO PASSADO
Um dos principais "retrocessos" da Shadow 750 é o fato de ela não utilizar freio traseiro a disco como item de série. Em pleno ano de 2014, uma motocicleta desse porte (229 kg a seco) não ter freio a disco traseiro é, no mínimo, desvantagem perante a concorrência -- a custom é equipada com um sistema a tambor, de 180 mm de diâmetro. O freio dianteiro usa um disco de 296 mm. O conjunto funciona bem, mas não transmite confiança.

O conjunto de suspensão também não agrada, principalmente na cidade. Na dianteira, a moto usa garfo telescópico de 117 mm; na traseira, duplo amortecedor, com 90 mm de curso. Não são as especificações que fazem o conjunto ser ruim, mas seu funcionamento: a inclinação do garfo dianteiro somada à posição dos dois amortecedores traseiros transmitem incômodos para condutor passageiro. Na posição em que se encontram, a suspensão dianteira passa a sensação de trabalhar sobrecarregada, enquanto a traseira parece ficar solta -- em buracos maiores, o piloto tem a impressão de que será "ejetado" da moto.

Em rodovias, com asfalto em melhores condições, a Shadow se mostra mais confortável e estável.

Ficha técnica

  • Doni Castilho/Infomoto

+ Preço: R$ 28.880 (standard)
+ Motor: dois cilindros em V, 6 válvulas, 745 cm³, refrigeração a líquido
+ Potência: 45,5 cv a 5.500 rpm
+ Torque: 6,5 kgfm a 3.500 rpm
+ Câmbio: Cinco marchas
+ Alimentação: Injeção eletrônica
+ Dimensões: 2.430 mm x 835 mm x 1.125 mm (CxLxA)
+ Peso: 229 kg (a seco)
+ Tanque: 20 litros

TEM COISA BOA TAMBÉM
Claro que há pontos positivos, mesmo na cidade. Sua largura de 835 mm permite que ela passe nos corredores sem problemas. Até com certa facilidade, na realidade -- o que surpreende. Manobras em lugares apertados não são impossíveis, mas cansam. E a distância da pedaleira até o solo é boa. Somente em curvas mais fechadas elas chegavam a raspar no chão.

Já o câmbio está mais moderno. Feito por eixo-cardã, ele proporciona respostas mais precisas, exige pouca manutenção e garante maior conforto para os passageiros por não emitir ruídos mecânicos. A caixa de cinco marchas tem acionamento suave e preciso e é utilizada poucas vezes, mesmo na cidade, devido ao bom torque da Shadow em baixos e médios regimes de rotação.

PROPULSOR
O motor, apesar de ter evoluído da versão passada para a atual, ainda tem comando único no cabeçote (OHC). Com dois cilindros em "V", 745 cm³ de capacidade e arrefecimento a líquido, ele é capaz de gerar 45,5 cavalos e 6,5 kgfm de torque, logo aos 3.500 giros.

Os números são percebidos a bordo. O propulsor trabalha melhor em baixos e médios giros, disponibilizando quase todo seu torque ao menor giro do acelerador. Dessa forma, o piloto usa pouco a caixa de câmbio, o que é bom para o consumo.

Falando sobre isso, uma boa surpresa: por ter motor de 750 cc e mais de 220 quilos, a Shadow conseguiu alcançar a média de 19,7 km/l em trajeto misto. Seu tanque de combustível (um tanto pequeno) de 14,6 litros, portanto, tem autonomia aproximada de 288 quilômetros.

CONCLUSÃO
A Shadow 750 tem suas qualidades, mas são seus "defeitos" que marcam. Dessa maneira fica fácil compreender por que a Honda é a sétima colocada em vendas na categoria. Seu produto ficou defasado em comparação aos demais.

A moto é linda, principalmente por conta do azul metálico e da faixa branca no meio, não há como negar. Porém, para ganhar mercado e tirar clientes de outras marca, ela deveria melhorar em outros aspectos, como no ajuste da suspensão traseira e na substituição dos freios. Se a Honda não dizer isso, logo ela não viverá mais no passado, mas fará parte dele, aposentada.

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