Chuva aumenta risco para quem anda de moto; saiba como agir

Cícero Lima

Colaboração para o UOL

  • Infomoto

    Cuidado: sob chuva, aderência cai, obstáculos se escondem e hábitos mudam

    Cuidado: sob chuva, aderência cai, obstáculos se escondem e hábitos mudam

O verão se aproxima e com ele o número de motos nas ruas tende a crescer. Sexta-feira, por exemplo, é comum encontrar pilotos com motos reluzentes e capacetes invocados. Verão também é a época de céu azul e temperatura amena pela manhã, ainda que ela suba no decorrer do dia, fatores que incentivam a tirar a moto da garagem.

Para quem não resiste à tentação mesmo para o usuário habitual, o verão também traz uma grande preocupação: as chuvas de final de tarde. Você pode até dizer que não se preocupa, mas o problema reside na mudança de comportamento dos motoristas, motociclistas e pedestres. As condições do piso também se alteram drasticamente e os riscos de quedas e acidentes se multiplicam.

TERRENO PERIGOSO

  • Infomoto

    Faixa de pedestres e outras sinalizações de solo ficam escorregadias sob água

CUIDADOS NA CHUVA
Todo motociclista iniciante deveria saber que a capa de chuva é sua melhor amiga em tempos chuvosos. Usando-a estará protegido e pilotará com maior segurança. Quem já pilotou encharcado sabe o quanto é desagradável.

Mas é bom estar preparado para suar em bicas quando a chuva parar e o sol voltar a brilhar. Infelizmente as capas de chuva dificultam a transpiração e o resultado é que sob o plástico as roupas também ficam molhadas, mas pelo suor.

Além da capa, a tão conhecida galocha é companheira inseparável do motociclista. Particularmente, não recomendo o uso, pois em caso de queda ou acidente a galocha não oferece proteção. A indústria de acessórios para motociclistas já lançou diversos produtos na tentativa de manter os pés dos motociclistas protegidos das chuvas, mas nunca atingiu esse objetivo, a não ser com as caras, mas eficazes, botas impermeáveis.

Não tenha vergonha: use a bota protetora habitual e, sobre ela, um saco plástico. Proteção contra impactos em caso de acidente e contra a água, ainda que tudo seja visuamente feio.

HISTERIA COLETIVA
A água é, de fato, o menor dos problemas. O grande desafio é conviver com a histeria de outras pessoas, que parecem mudar de personalidade totalmente durante a chuva. Motoristas, por exemplo, não deixam espaço entre os carros e duelam por qualquer vaga no congestionamento. Na tentativa de não deixar o outro carro entrar na sua frente pode sobrar uma fechada para o piloto da moto.

Muitas vezes essa fechada acontece sem que o motorista perceba, afinal, a chuva também prejudica a visibilidade, ainda mais se o carro tiver os vidros filmados.

Outro risco de fechada acontece por conta dos buracos que surgem nas ruas em tempos chuvosos. A tendência natural do motorista é desviar do obstáculo no reflexo. A ver uma situação assim, permita que o motorista faça a manobra e só então ultrapasse.

Lembre-se: o motorista pode não estar vendo sua moto por conta do ponto cego, vidros escuros ou mesmo embaçados.

Mas não são apenas os motoristas que mudam de comportamento. Os pedestres, na busca de se protegerem da chuva, atravessam as ruas fora das faixas com a visão encoberta pelo guarda-chuva e sem prestar atenção aos veículos. Não custa redobrar a atenção principalmente quando estiver próximo a estações do trem ou do metrô e claro, pontos de ônibus. Saídas de supermercados, shoppings e outros centros comerciais, bem como osaídas de escolas e igrejas concentram grande número de pedestres e a chance de atropelamentos aumenta.

ENXURRADA
Em caso de chuvas torrenciais o cuidado deve ser ainda maior. Devido ao grande volume de água o piloto pode não conseguir enxergar buracos e obstáculos na pista, como bueiros que perdem a tampa.

Por falar em tampas, cuidado também nas obras, pois são usadas placas metálicas para cobrir provisoriamente os buracos. Nesse caso, o risco de queda é muito grande pela falta de aderência: frear sobre uma grande chapa metálica é tombo certo.

Há ainda o risco de enchentes e, por consequência, de acidentes com veiculos ilhados e motoristas em risco. O mesmo vale para a moto, embora alguns modelos consigam superar lâminas mais profundas de água: o risco de danificar o motor é grande. Isso pode acontecer se a água atingir o bocal do filtro de ar -- geralmente abaixo do banco. Existe também o risco da água entrar pelo escapamento.

Motociclistas que encaram esse tipo de situação usam uma marcha baixa (a segunda, por exemplo) e o motor com aceleração constante evitando que água entre pelo escapamento. Alguns mecânicos sugerem que a travessia só é possível quando o nível da água estiver, no máximo, até o meio da roda da moto.

Aqui vale uma observação: nos scooters a entrada de ar fica junto ao motor, ou seja: bem próxima ao solo. Se estiver de scooter nem tente cruzar uma enchente, o risco do veículo parar e danificar o motor é muito grande.

Outra observação: alguns pilotos tentam cruzar áreas alagadas junto a caminhões e ônibus. A onda formada por esses veículos é capaz de derrubar o motociclista. Outra situação complicada é quando a moto começa a travessia a frente de um caminhão, algo a ser evitado a todo custo, pois o risco de atropelamento em caso de queda é grande.

TESTE OS FREIOS
Após atravessar o alagamento fique atento ao acionamento dos freios, principalmente nas motos equipadas com freio a lona, que podem ter sua capacidade de frenagem comprometida. A entrada de água no sistema diminui o atrito entre a lona e o tambor.

O uso do freio também deve ser feito de forma suave e gradual. Por conta da chuva, o piso torna-se escorregadio e, consequentemente, os pneus da moto perdem aderência. Entradas de postos de combustível ou de estacionamentos tornam-se armadilhas perigosas.

Caso seja necessário usar o freio, comece com o freio traseiro e depois aplique pressão no freio dianteiro. Uma atenção especial deve ser dada às faixas de pedestres e à sinalização horizontal (faixas pintadas no asfalto), que oferecem menor aderência. Quem estiver com os pneus desgastados deve redobrar a atenção.

Infelizmente moto e chuva não combinam. Sendo possível, evite rodar durante a chuva pois há muitos riscos e a maioria deles foge totalmente ao controle do motociclista.

Cícero Lima foi diretor de redação da revista Duas Rodas e tem experiência sobre asfalto seco e molhado

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