Honda CG Titan 2014 ficou mais confortável e menos econômica

Roberto Brandão Filho

Da Infomoto

Honda CG 150 Titan 2014
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É sempre difícil avaliar a nova versão de uma motocicleta que se tornou ícone. Ao longo das quase quatro décadas de vida, a Honda CG passou de "moto de playboy" ao símbolo "motoboy". Mas é líder incontestável não apenas em sua categoria, como também em todo o mercado nacional. 

Neste ano, as vendas das versões de 125 cc e 150 cc somam mais de 45 mil unidades por mês. Ou seja: a Honda comercializa, em todo o país, cerca de 1,5 mil CG por dia. Normalmente, ela é o primeiro contato do motociclista no universo das duas rodas, por ser a mais utilizada nas moto escolas do país.

Além disso, tornou-se ferramenta de trabalho dos motoboys e mototaxistas, por sua confiabilidade, resistência e, acima de tudo, pela quantidade de concessionárias autorizadas da marca espalhadas pelo território brasileiro. A versão 2014 da 150 Titan ESD já está disponível por um preço público sugerido de R$ 7.320, nas cores preto, vermelho metálico e branco.

DE ROUPA NOVA
A versão 2014 da Honda CG recebeu a maior reestilização da história do modelo, lançado em 1976. O desenho do conjunto óptico dianteiro ficou mais moderno e ganhou novos refletores; as carenagens laterais do tanque de combustível também são novas, assim como o desenho dos piscas e da lanterna traseira; as lâmpadas de 35 Watts iluminam bem e até chegam a destacar a moto em meio ao trânsito.

  • Além do visual moderno, nova Honda Titan se mostrou mais ágil e eficiente para "costurar" o trânsito das cidades grandes

Mudar as linhas de uma motocicleta que tem quase 75% do mercado não é fácil. Mas, pelo que vimos nas ruas e comentários na internet, os engenheiros da Honda foram bem-sucedidos, principalmente por remeterem ao desenho das motos maiores da marca, como a recém-lançada CB 500F. Segundo Alfredo Guedes Jr, engenheiro da marca, a Honda quer consolidar a liderança e ultrapassar os 80% das vendas no segmento utilitário.

NOVO GUIDÃO, NOVA ESTRUTURA, MAIS ÁGIL
Os comandos de punho representam uma evolução na CG 2014, por trazerem novo desenho e acabamento mais sofisticado. Para quem estava acostumado à velha Titan, inclusive, eles exigem certa adaptação. A versão Titan ESD traz painel digital completo, contendo medidor de combustível e hodômetro total e parcial.

O chassi foi redesenhado, ficando 3,8 kg mais leve (um total de 116 kg com tanque vazio). Os mais detalhistas conseguirão até reparar que pontos de soldas, fixação e seção do chassi ficaram totalmente diferentes. Para dar à CG maior agilidade nas mudanças de trajetória, a geometria da coluna de direção foi levemente alterada e, em meio ao trânsito, é possível perceber que o modelo está mais ágil.

A posição de pilotagem ficou mais confortável e as pernas se encaixam melhor. Comandos de freio e embreagem também estão mais macios, bem como o assento, que recebeu nova camada de espuma.

FICHA TÉCNICA -  HONDA CG 150 TITAN ESD
+ Preço:
 R$ 7.320,00
+ Motor: monocilíndrico, 149 cm³, refrigeração a ar
+ Potência: 14,2 cv a 8.500 rpm (gasolina) e 14,3 cv a 8.500 rpm (etanol)
+ Torque: 1,32 kgfm a 6.500 rpm (gasolina) e 1,45 kgfm a 6.500 rpm (etanol)
+ Câmbio: cinco marchas
+ Alimentação: injeção eletrônica
+ Dimensões: 1.196 mm x 739 mm x 1.086 mm
+ Peso: 116 kg (a seco)
+ Tanque: 16,1 litros

NA CIDADE E NA ESTRADA
Os primeiros dias com a nova Honda CG 150 Titan ESD foram debaixo de muita chuva, uma ótima oportunidade para avaliar a aderência dos pneus, de novo desenho e composto, que deram conta do trabalho mesmo quando passamos por poças d'água em velocidades mais altas.

Outra mudança importante está nos freios. O sistema dianteiro recebeu um novo duto que permite uma leve expansão, com acionamento menos agressivo. Isso não significa que sua atuação seja menor, mas sim que a frenagem não assustará pilotos inexperientes. Na traseira, a Titan é equipada com o ultrapassado, porém eficiente, freio a tambor de 130 mm.

Um ponto negativo é que o condutor pode enfrentar dificuldades para manter os pés sobre a pedaleira na chuva, se não estiver utilizando uma bota apropriada, pois a borracha que envolve a peça é um tanto escorregadia. No quesito autonomia, a primeira medição, ainda dentro da cidade, apontou o consumo na casa dos 35 km/litro, o que projeta uma autonomia superior a 550 quilômetros quando abastecida com gasolina.

  • Na estrada, modelo apresentou média ruim de consumo, na casa de 26 km/l

CONSUMO AUMENTOU
Também pegamos a estrada e submetemos a CG a uma viagem de 953 km até São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Desses, cerca de 700 km foram embaixo de chuva e, novamente, os pneus drenaram a água com facilidade. Mesmo em velocidades mais altas -- no limite do permitido nas rodovias do país, entre 100 e 120 km/h -- o nível de vibração é muito baixo, tornando jornadas longas mais confortáveis. Sim, essa 150cc é confortável: o assento de espuma macia e a posição de pilotagem não causam dores no corpo, mesmo após horas na estrada.

Nas rodovias, a CG Titan 150 2014 chegou aos 120 km/h facilmente. O motor monocilíndrico de 149,2 cm³ não recebeu mudanças e manteve a potência máxima de 14,2 cv a 8.500 rpm, com gasolina, e 14,3 cv a 8.500 rpm, com etanol. As retomadas não são empolgantes, como sua antecessora, mas permitem rodar com segurança entre os carros e caminhões.

As suspensões receberam 5 mm a mais de curso, proporcionando maior eficiência e estabilidade no contorno de curvas e ao passar por cima de buracos e imperfeições. Durante a viagem, utilizamos somente o etanol e fizemos quatro medições: a média de consumo ficou na casa dos 26,28 km/l em velocidade cruzeiro (entre 110 e 120 km/h). Esse consumo elevado pode ter sido causado pelas fortes chuvas e vento contrário. Em certas ocasiões, era necessário reduzir a marcha para manter a velocidade.

Linha CG 2014 da Honda
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Yamaha YS150, a grande rival da Titan
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