Bonneville T100 reúne estilo retrô e muita tecnologia

Roberto Brandão Filho

Da Infomoto

O estilo dos anos 1960, 70 e até dos anos 1980 está voltando a ser tendência nas passarelas de moda e nas ruas do mundo todo. No universo do motociclismo, há uma máquina em especial que mantém essa linha como "especial da casa" há 50 anos, desde quando o visual era "atual" e não "retrô", e agora é capaz de levar quem a pilota de volta aos anos dourados: a britânica Triumph Bonneville T100.

Virou ícone ao ser lançada, em 1959, e permanece no line-up da marca atualmente. Polêmica, porém, é sua classificação. Muitos dizem tratar-se de uma custom. Na verdade, ela é uma naked clássica, moto de estilo puristas e ciclística mais próxima às "peladas".

Para o Brasil, a Triumph decidiu trazer a versão T100 da "Bonnie", modelo vintage que segue as linhas exatas da T120 --  outro clássico projeto de 1970. Montada na unidade da marca em Manaus (AM), custa R$ 29,9 mil.

CLÁSSICO E O CONTEMPORÂNEO
Construída com o espírito das bicilíndricas britânicas, que dominaram as ruas e estradas na década de 1960, a Bonneville T100 que é produzida agora combina o estilo tradicional e atitude da época, com design, equipamentos e métodos de fabricação atuais.

Prova disso são os carburadores falsos. Para dar um toque ainda mais retrô na máquina, a Triumph manteve os corpos dos carburadores, mas a motocicleta é equipada com injeção eletrônica multiponto. Os bicos injetores estão nos dutos e ainda existe um afogador para auxiliar as partidas a frio, tudo para levar o piloto a sentir certa saudade das motos carburadas.

Dar a partida é quase uma viagem no tempo. O contato da chave fica do lado esquerdo do farol, exatamente como nos modelos construídos décadas atrás. O condutor só percebe que está numa moto atual quando, em vez de usar a força do seu corpo e ligar o motor via pedal, aperta o botão de ignição... e pronto.

EM BOA FORMA
O propulsor bicilíndrico DOHC (duplo comando no cabeçote), de 865 cm³ e arrefecimento a ar, é capaz de gerar 68 cavalos de potência a 7.500 rpm. O desempenho é modesto, mas adequado a proposta da motocicleta.

Para um bicilíndrico, o motor vibra bem pouco e oferece elasticidade e bastante força já a partir dos 3.000 giros. A Bonneville tem torque para todas as situações, mas prefere trabalhar em médias rotações. Essas características a tornam uma bela companheira para o tráfego das grandes cidades, pois não requer muitas trocas de marcha no câmbio de cinco velocidades e garante agilidade em meio ao tráfego pesado.

Na estrada, o bicilíndrico da Triumph tem fôlego suficiente para qualquer ultrapassagem, mesmo em subidas de serra. Mas, não espere um desempenho tendendo ao esportivo, típico de nakeds. A Bonnie passa dos 120 km/h com facilidade, mas, seu perfil é outro -- seu espírito clássico sugere uma moto de passeio, para se rodar tranquilamente pelas estradas e ruas.

CICLÍSTICA
O quadro é do tipo berço simples construído com tubos de aço que garantem agilidade e permitem mudanças rápidas de direção e estabilidade em alta velocidade. O conjunto de suspensões Kayaba é composto por garfo convencional com 120 mm de curso na dianteira e amortecedores duplos com ajuste na pré-carga de mola e 106 mm de curso na traseira.

Apesar das especificações espartanas, as suspensões copiam bem as imperfeições do asfalto e tem uma configuração de meio termo entre a esportividade e o conforto, com uma tendência maior ao segundo.

A posição de pilotagem é bem parecida com de motocicletas antigas, como a Honda CB 400 (fabricada no Brasil na década de 1980) e a própria Bonneville do passado: urbana e confortável, com um guidão curvado para trás que permite manter as costas eretas. O piloto fica acomodado num banco plano e de espuma fina, que cansa um pouco depois de algumas horas sobre a motocicleta, mas mantém o condutor no centro da moto, distribuindo bem o peso.

Na hora de encarar estradas sinuosas, percebemos ainda mais a diferença dessa motocicleta inglesa para outras nakeds atuais. A Bonnie oferece certa resistência ao entrar nas curvas, mas, uma vez deitada, suas suspensões respondem de maneira ideal, mantendo a motocicleta na trajetória correta.

Para uma motocicleta de seu tamanho, a T100 é um tanto pesada: 225 kg em ordem de marcha. Para aliviar um pouco a sensação do peso, a Triumph equipou a moto com pneu dianteiro de 19 polegadas e roda raiada, que deixa a naked clássica com a frente mais leve e ágil. Na traseira, roda raiada de 17 polegadas.

Os freios, apesar da ausência de ABS, fazem um bom trabalho. O disco simples dianteiro de 310 mm e o disco único traseiro de 255 mm são mordidos por pinça flutuante Nissin de dois pistões.

RIVAIS
A Bonneville T100 é ótima opção para quem gosta de estilo e funcionalidade e confere ao proprietário uma personalidade cool. Por ser difícil encaixá-la em alguma categoria específica, fica complicado apontar também concorrentes diretas no mercado nacional.

Considerando o preço, uma das rivais mais próximas é a Harley-Davidson 883 Iron, que também segue o estilo old school e custa R$ 30,9 mil. Já o modelo de entrada da fabricante norte-americana, a 883R sai pelos mesmos R$ 29,9 mil da Bonneville, mas sua ciclística é bem diferente.

Na própria Triumph, com R$ 2.000 a mais, o consumidor pode encontrar uma opção mais radical de naked, a Street Triple 675 (R$ 31,9 mil, com ABS). As japonesas também estão no segmento. A Kawasaki tem a ER-6n por R$ 28.880 (com ABS). Na Yamaha, a opção é a XJ6N (R$ 28.430) e, na Honda, a nova naked CB 500F (R$ 23.500, com ABS) e a best seller CB 600F Hornet (a partir de R$ 31.990).

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