Triumph Rocket III tem mais força que VW Jetta 2.0 e Mitsubishi Lancer

Roberto Brandão Filho

Da Infomoto

Triumph Rocket III
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Sabe aquela velha premissa popular de que quando um veículo é tão rápido, ele é chamado de foguete? Pois é, a Triumph Rocket III Roadster traz esse conceito em seu DNA. No exterior, sua principal rival é a Yamaha V-Max. Por aqui, ela custa R$ 69.900 e não encontra concorrentes, mas mira clientes de Ducati Diavel (a partir de R$ 58,9 mil) e Harley-Davidson V-Rod (a partir de R$ 51,9 mil).

Além do nome, a Rocket é um foguete quando o assunto é propulsor. A custom carrega o maior motor já equipado em uma moto de produção: são 2.294 cm³ (2,2 litros) divididos em três cilindros em linha. Ou seja, são dois motores de carros populares juntos e mais duas motos de 150 cc.

Suas dimensões também são superlativas: quase três metros de comprimento, cerca de um metro de largura e mais de 350 kg. Isso a torna uma motocicleta intimidante. Seus números de venda também revelam isso -- em média, são comercializadas três unidades por mês. Preço salgado da importada e a rede pequena (sete concessionárias) também atrapalham.

TORCUDA
A versão atual está ainda mais "torcuda". A marca removeu o limitador eletrônico de torque nas três primeiras marchas que havia no modelo anterior, deixando toda a força disponível já na primeira acelerada. Os números são os mesmos: 22,5 kgfm a 2.500 rpm.

Para ter uma ideia, esse torque é maior que o do Mitsubishi Lancer (20,1 kgfm, a gasolina) ou que o do Volkswagen Jetta aspirado (18,4 kgfm com etanol). E quase o mesmo que do Ford Fusion 2.5 flex (22,9 kgfm/etanol). A relação peso/torque é melhor que a de superesportivos como Mustang Shelby GT500 e Ferrari 458 Italia.

O motor DOHC (duplo comando de válvulas) de arrefecimento líquido é capaz de gerar 146 cv a 5.750 rpm. A cavalaria e o torque gerados são enviados à roda traseira por transmissão do tipo eixo cardã. Embora a ficha técnica assuste, o propulsor impressiona por sua progressividade. Só é preciso cuidado nas primeiras aceleradas, que podem assustar um pouco: o acelerador por cabo responde sem hesitar e rapidamente a motocicleta ganha velocidade de forma vigorosa.

GUIANDO
Manter a moto "grudada" no chão quando o cabo do acelerador for virado com vontade e todo o torque ficar disponível não é fácil. Por isso, rodas aro 17 na dianteira e de 16" na traseira são calçadas com pneus de 150 mm e 240 mm de largura, respectivamente. A posição de pilotagem é agradável. O banco de couro é largo, com espuma macia, e oferece muito conforto.

A altura do solo de 750 mm facilita em manobras. Para dar mais agilidade em baixa velocidade, a Triumph equipou a Rocket III com guidão largo, aumentando o ângulo de esterço da motocicleta. Isso não quer dizer que seja fácil andar em locais estreitos. Mas também não é impossível.
 
Para frear os 367 quilos da Rocket, dois discos flutuantes com 320 mm de diâmetro e pinças de quatro pistões da Nissin equipam o sistema dianteiro; na traseira, há um disco simples com 316 mm e pinça de dois pistões. Freios ABS são de série.
 
Os engenheiros da fabricante ancoraram o coração dessa máquina em um quadro robusto, do tipo berço duplo de aço tubular. O conjunto de suspensão é feito por garfo telescópico invertido dianteiro com 120 mm de curso e duplo amortecedor traseiro com ajuste de pré-carga da mola -- em cinco posições e curso de 105 mm. Equipamentos simples, mas muito funcionais para a proposta da moto. O ponto negativo é que, no caso de tráfego intenso, o calor do motor é transmitido diretamente para as pernas do condutor.
 
CONCLUSÃO
O visual é outra arma do modelo para conquistar o comprador. Imponente, a Rocket é uma motocicleta incomum. Chama atenção por seu porte agressivo. Peças cromadas dão toque a mais no estilo: as saídas do duplo escapamento ficam em evidência e contrastam com o preto do motor, assim como a moldura do radiador e a "capa" dos dois faróis dianteiros e do painel de instrumentos.

A instrumentação é clássica: dois painéis redondos, velocímetro e conta giros, com pequenos mostradores digitais, que trazem informações básicas como hodômetro total e parcial, marcador de combustível, mostrador de marcha engatada e autonomia do tanque (que tem 24 litros).

Apesar do porte e da força, motor, chassi e suspensão formam um conjunto bem equilibrado que traz confiança para quem a pilota. Seu tamanho atrapalha pouco e, nas estradas, ela desliza suavemente pelo asfalto e ganha velocidade conforme a vontade do condutor. Em arrancadas mais brutas, ela é capaz de enrugar o solo, tamanha força aplicada no grande pneu traseiro. É uma motocicleta única, voltada para quem gosta de força e estilo.

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