Harley Electra Glide Ultra Limited coloca tecnologia na receita clássica

Arthur Caldeira

Da Infomoto

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Goste você da Harley-Davidson, ou não, há de convir que as motos de Milwaukee são mais que um ícone norte-americano. Elas fazem parte da história do motociclismo. Pode não ser seu estilo preferido de motocicleta, mas não se pode ignorar uma marca que, agora em 2013, completa 110 anos com grandes modelos, como bradam executivos e milhões de fãs ao redor do mundo.

Nessa mais que centenária história, a Electra Glide Ultra Limited é um modelo emblemático da filosofia e também da tecnologia da marca norte-americana. Sim, tecnologia. Afinal, é uma injustiça dizer que as motos Harley não evoluíram.

E a Ultra Limited é um bom exemplo disso. Além de figurar em qualquer lista das motos touring mais luxuosas e confortáveis para viajar, o modelo traz motor com injeção eletrônica, sistema que "desliga" um dos cilindros para evitar o calor excessivo em marcha lenta, freios Brembo com sistema ABS (antitravamento) e suspensões traseiras ajustáveis a ar. Também vem equipada com manoplas aquecidas, som Harman-Kardon e controle de cruzeiro. Tudo atual, exceto pelo design clássico, com carenagem estilo "asa de morcego", muitos cromados e o inconfundível ronco do motor V2.

Em sua versão com apenas um tom de cor, preto, a Electra Glide Ultra Limited sai por R$ 70.900. Na edição limitada de 110 anos avaliada, o preço sobe para R$ 74.900.

  • Mario Villaescusa/Infomoto

    Apesar do grande porte e peso, Ultra Limited tem boa ciclística e pilotagem equilibrada

103 POLEGADAS
O motor V2 Twim Cam 103 da Ultra faz referência à capacidade cúbica em polegadas do conjunto, como gostam os americanos. Convertendo, são exatos 1.690 cm³ de capacidade com torque à vontade desde os mais baixos giros: a 120 km/h, o conta-giros no grande painel, que mais parece o cockpit de um monomotor, marcava pouco mais de 2.500 giros. Ainda sobrava fôlego para ultrapassagens mesmo na última marcha overdrive do câmbio de seis velocidades.

Vale ressaltar que, com os 13,8 kgfm de torque (a rotação não é informada pela Harley), a Ultra Limited é praticamente uma moto automática. Uma vez na estrada, engatei a sexta e não senti a necessidade de reduzir. A embreagem não é muito macia, mas os engates no câmbio são precisos e suaves -- exceto pelo "clank" do engate da primeira marcha.

Não se deixe enganar pela arquitetura tradicional de dois cilindros em "V", usada pela HD desde 1909. Apesar de poucas mudanças visuais, o Twin Cam, lançado em 1999 com 88 polegadas cúbicas, cresceu de tamanho e evoluiu bastante. "De lá para cá, apesar de manter a mesma base e ser esteticamente semelhante, a Harley fez diversas melhorias internas no motor que aprimoraram a durabilidade e o desempenho e diminuíram os ruídos", revela Marcelo Peixoto, mecânico e preparador da Oficina Motors Company, que trabalha com motores da marca americana desde a década de 1990. 

Com autoridade de quem começou a carreira restaurando uma Harley 1931, afirma que é uma injustiça dizer que a HD usa motores antigos. "São bem mais confiáveis. O que limita seu desempenho ainda são as emissões de poluentes", conclui.

Pode-se até criticar o baixo desempenho do V2 se comparado a outros de mesma capacidade, afinal a Ultra Limited acelera bem, mas perde fôlego a partir de 5.000 rpm. Dentro da proposta touring, porém, há torque à vontade.

  • Mario Villaescusa/Infomoto

    Electra Glide Ultra Limited traz design atemporal da Harley e inconfundível ronco do motor V2

FICHA TÉCNICA
+ Motor: Twin Cam 103, 1.690 cm³, com dois cilindros em "V" e refrigeração a ar.
+ Câmbio: Seis marchas.
+ Potência máxima: não divulgada.
+ Torque máximo: 13,8 kgfm.
+ Comprimento: 2.504 mm.
+ Largura: 965 mm.
+ Altura:1.549 mm.
+ Entre-eixos: 1.613 mm.
+ Altura do assento: 745 mm.
+ Altura mínima do solo: 130 mm.
+ Peso: 413 kg.
+ Tanque: 22,7 litros.

CONVITE
Basta olhar a Electra Glide Ultra Limited parta ter vontade de pegar a estrada. O generoso banco com bom apoio pra lombar e a posição ereta de pilotagem dão a certeza que se pode rodar por muitos quilômetros sem cansar.

Seu grande porte intimida de início: são mais de 2,5 metros de comprimento e 413 kg em ordem de marcha, que dificultam manobras. Sente-se falta de uma marcha ré, como na Honda Gold Wing. Os funcionários da Harley fazem questão de lembrar que há ré, mas só como acessório. De toda forma, a baixa altura do banco (74,5 cm) facilita o trabalho e a intimidação inicial logo dá lugar à surpresa.

Nos primeiros quilômetros, percebe-se que, levando-se em consideração seu tamanho, essa touring é bastante equilibrada. Claro, não é o que se pode chamar de uma moto ágil, mas é mais fácil de pilotar do que aparenta ser, desde que se tenha alguma experiência.

O quadro e as suspensões da família touring parecem ser superiores do que em outros modelos da marca. Inspiram confiança, seja em velocidades maiores, na rodovia, ou em mudanças de direção mais rápidas, em avenidas. Mal se nota que há mais de 400 kg de aço e ferro abaixo de você: mais piloto e garupa o peso total facilmente supera meia tonelada, mas não atrapalha.

As suspensões -- garfo telescópico de 41,3 mm de diâmetro na dianteira e bichoque com ajuste pneumático na traseira -- são obviamente voltadas para o conforto. Em função disso, a Ultra Limited absorve bem algumas ondulações no piso, mas sofre em buracos. A roda de 17 polegadas na frente, que atrapalha as manobras, ajuda a isolar o piloto. No geral, o funcionamento do conjunto ciclístico é condizente com a categoria e privilegia o conforto.

Os freios Brembo -- dois discos de 300 mm na dianteira e um na traseira com pinças de quatro pistões fixos -- trazem sistema ABS, menos intrusivo no caso dessa Ultra do que em outros modelos HD, como a Road King. Eles fazem um bom trabalho ao parar os mais de 500 kg, mas não espere aquela resposta instantânea de outros conjuntos mais modernos. As frenagens são progressivas e é fundamental usar o freio traseiro para maior eficiência. O que era esperado, afinal, o peso das motos custom é concentrado no eixo traseiro.

CONFORTO
Acostumado com a Ultra, o piloto começa a curtir a estrada. Faça o teste: dê uma esticada em sexta marcha e ouça a nota grave que sairá da dupla de escapamentos. Mas pare para um café após mais de uma centena de quilômetros rodados. Porque, se depender do garupa e de seu conforto, vai rodar outros cem, duzentos ou até 370 quilômetros, como indica o marcador de autonomia do hodômetro digital (tanque de 22,7 litros).

Com bom apoio para as costas e espaço de sobra, o assento de quem viaja atrás convence qualquer acompanhante. O encosto oferece segurança para quem tem medo de cair para trás. Também não haverá reclamação quanto ao espaço para bagagem: são 128 litros de capacidade nas duas malas laterais, mais o top case.

  • Mario Villaescusa/Infomoto

    Topo de linha, Electra Glide Ultra Limited mesclando estilo clássico com tecnologias atuais

Então, basta escolher a boa trilha sonora -- o sistema de som aceita CDs com arquivos MP3, mas não tem Bluetooth e nem entradas USB -- e rodar. O controle automático de volume, que aumenta conforme se acelera, funciona bem. Mas em alguns casos a música pode não ser perfeitamente audível, principalmente se houver muito vento lateral. Ainda assim, ponto positivo para os comandos do som no punho direito, intuitivos e fáceis de operar sem que se desvie a atenção da estrada.

Os aquecedores de manoplas (escondidos na ponta da manopla esquerda) são bons, mas em dias frios o aquecedor de banco -- presente nas rivais BMW K 1600 GTL e também na mais luxuosa Ultra Classic Electra Glide CVO -- fará falta.

ESTILO
Após 300 km com a Ultra Limited, percebe-se que a luxuosa touring tem lugar garantido em qualquer lista de motos ótimas para pegar a estrada. No seu habitat, o modelo não fica devendo em nada em conforto para suas concorrentes diretas, caso da Honda Gold Wing GL 1800 e BMW K 1600 GTL. Ambas são mais potentes, rápidas e leves, mas não têm o estilo e nem a história da Harley-Davidson por trás. E custam mais, vale dizer: a Gold Wing GL 1800 tem preço sugerido de R$ 92.000; e a K 1600 GTL, R$ 108.500.

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