Suzuki V-Strom 650 muda para deixar de apanhar das rivais

Roberto Brandão Filho

Da Infomoto

Apesar de sempre ter sido um dos modelos de média cilindrada mais vendidos da Suzuki no país, a V-Strom 650 nunca despertou grandes paixões nos motociclistas. Desde seu lançamento em 2004, a moto mudou pouco o visual e estava carente de atualizações técnicas para brigar em igualdade com os rivais de sua categoria.

Mas no fim de 2012 a Suzuki finalmente renovou seu modelo "dual purpose".  V-Strom 650 2013 foi projetada com atenção aos detalhes e entrega versatilidade e conforto ao motorista. O modelo é vendido no Brasil por R$ 34.900.

Entre os concorrentes no mercado nacional estão modelos como a Kawasaki Versys 650 (com ABS por R$ 32.990), a Yamaha XT 660Z Ténéré (sem ABS por R$ 29.920), a Honda XL 700V Transalp (R$ 31.990 com ABS) e BMW G 650 GS (R$ 29.800 com ABS).

As linhas da nova V-Strom estão mais afiladas. O tanque de combustível foi reprojetado e ficou menor (20 litros). O assento também foi redesenhado e o para-brisa dianteiro ganhou regulagem em três posições. O resultado é que a posição de guiar está melhor.

O motor é o mesmo DOHC, V-Twin de arrefecimento líquido e 645 cm³, mas o perfil dos comandos de válvulas sofreu mudanças para entregar mais potência em baixas e médias rotações. Também foram adotadas velas de irídio que, segundo a montadora, melhoram a resposta do acelerador e a economia do combustível. O propulsor entrega 67 cv a 8.800 rpm e 6,12 kgfm de torque a 6.500 rpm.

O chassi também foi mudado para reduzir o peso para 214 kg -- 6 kg a menos que o modelo anterior. Agora, a moto conta com quadro de dupla longarina e balança traseira em alumínio. Algumas das concorrentes ainda utilizam aço.

As suspensões não foram alteradas, mas o amortecimento ficou mais firme. Na dianteira, o garfo telescópico com 150 mm de curso conta com ajustes na pré-carga de mola. Na traseira, balança monoamortecida com 160 mm de curso e ajustes na pré-carga de mola e compressão.

Destaque para a adoção do ABS. Há discos duplos de 310 mm de diâmetro na dianteira e disco simples de 260 mm na traseira, com pinças da Tokico.

IMPRESSÕES
Como resultado das modificações internas no motor, na prática a nova V-Strom 650 se dá bem em todas as ocasiões, seja em serras sinuosas, autoestradas ou no caótico trânsito urbano. Por ter sofrido alterações que exaltam o torque em baixos e médios giros, o condutor não precisa fazer muitas mudanças de marcha, o que significa maior conforto. Mesmo nas marchas mais altas, ela tem força suficiente para fazer ultrapassagens com facilidade.

As mudanças no desenho do tanque de combustível permitem o encaixe perfeito das pernas. O banco recebeu alterações em seu desenho e espuma, com isso ficou mais confortável e sua altura de 835 mm de distância ao solo é democrática, tornando o apoio dos pés ao chão mais fácil para qualquer biótipo de piloto.

O conforto aumentou e, consequentemente, a capacidade da motocicleta para viagens mais longas. A posição de pilotagem é ereta e natural, com uma boa relação entra altura do guidão e pedaleiras.

Durante o teste, com mais de 400 km, sendo 150 km com passageiro e o espaço foi suficiente. Já o consumo de combustível foi satisfatório: média de 18,03 km/l, com cidade, rodovias e estradas de terra.

O freio dianteiro é um tanto quanto "borrachudo" e começa a trabalhar só depois de utilizada certa força sobre o manete. Porém, quando acionado com força, o ABS entra em funcionamento de forma eficiente, sem hesitações.

Apesar de ser equipada com roda dianteira aro 19'' e traseira de 17'', a atuação da V-Strom 650 na terra é um pouco limitada. Incursões simples por terrenos acidentados são possíveis, mas não espere um ótimo desempenho.

Para pessoas com mais de 1,80 m , a posição de pilotagem em pé, recomendada para o off-road, não é das mais agradáveis. Apesar de não "judiar" do condutor na terra, a V-Strom 650 é mesmo mais voltada para o asfalto.

Quase nada foi mudado nas suspensões, mas a combinação de um centro de gravidade um pouco mais alto, um amortecimento mais firme e a perda de peso, deixaram a moto mais ágil e divertida, principalmente nas curvas e nas mudanças rápidas de direção.

A frente da moto continua um pouco mais pesada que o resto do conjunto, mas melhorou bastante em relação ao modelo anterior. 

O painel de instrumentos foi reformulado e conta com computador de bordo. Ao lado do conta giros analógico, o display de LCD exibe velocidade, marcha engatada, temperatura ambiente, nível de combustível e consumo em km/l.

Após o teste, a conclusão é que a nova V-Strom 650 é uma motocicleta valente e versátil, com disposição para enfrentar longas viagens e pequenos trajetos em terrenos acidentados.

OPCIONAIS
A unidade testada estava equipada com um conjunto de acessórios para longas viagens com equipamentos da Givi: para-brisa maior, protetor de cárter e motor, bolsa de tanque, malas rígidas laterais e top case.

Não há versão com esses equipamentos de fábrica. A instalação do pacote completo na revenda sai por R$ 3.971, mas os intens podem ser adquiridos separadamente.

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