Mulheres também dão show sobre duas rodas

Cícero Lima

Colaboração para o UOL

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Quem chega a uma roda de motociclistas escuta história. Homens gostam de contar vantagem sobre a velocidade que atingiram, o acidente que evitaram (sempre por culpa dos outros, é claro) ou dos milhares de quilômetros que percorreram.

Mas é bom ficar atento. Na volta de uma aventura na Argentina, em 1991, passei por uma situação constrangedora. Descansava em um posto, próximo a Pelotas (RS), quando uma moto se aproximou. Era uma Honda de 125 cc, pilotada por uma menina magrinha de cabelos longos, que parou perto da bomba de combustível.

Imediatamente puxei conversa, e logo fui relatando minha história. Falei da "longa" jornada até a Argentina e que ainda iria até São Paulo. Com calma, ela perguntou: "adivinhe de onde eu venho?"

-- Argentina?
-- Não, de um pouco mais longe. Estou terminando uma volta ao mundo.

Depois de meia hora de conversa, fiquei sabendo que ela havia deixado a Itália, percorrido a Europa, Ásia e outros continentes em uma aventura de 444 dias e mais de 80 mil km -- que chegou até a entrar para o Guinness Book. Seu nome era Moniika Vega, do qual não esqueço mais.

Naquela época, poucas mulheres andavam de moto. Era ainda mais difícil encontrar alguma na estrada. Hoje, tudo mudou e as mulheres ganharam espaço -- algumas até ocupam cargos de grande expressão no setor de motociclismo.

ELES QUEREM MOTOS
No mundo das motos, elas cada vez mais ganham espaço. Segundo a Honda, a maior fabricante de motocicletas do Brasil, das 704 mil unidades comercializadas no primeiro semestre de 2013, 175 mil foram vendidas para mulheres. A cada quatro motos vendidas, uma vai para o público feminino.

Isso é uma mudança importante, pois a relação moto/mulher nunca foi comum. Nos anos 80, ver uma mulher pilotando uma motocicleta era raridade. Quem confirma isso é a administradora Márcia Ferraz, de 61 anos, que teve sua primeira moto em 1980, uma Yamaha RX 180. "Não havia mulher de moto, eu era atração", diverte-se a empresária, que mora em Vitória (ES).

Carioca e com muita história para contar, a jornalista Simone Souza não se separa de sua moto. Motociclista desde 1979 -- quando ganhou uma Honda 125 ML de seu pai -- Simone usa veículos sobre duas rodas para encarar o dia-a-dia. "Não tenho paciência com o trânsito do Rio, com a moto [uma Yamaha XTZ 250X] ganho tempo para o trabalho e o lazer". Lazer radical: Simone é paraquedista há mais de 20 anos.

As duas motociclistas citadas se empolgam com o crescimento do número de mulheres sobre duas rodas nas ruas. "Nós evoluímos em todos os sentidos e assumir o guidão era só uma questão de tempo", opina Márcia, que não gosta de viajar na garupa. Atualmente sem moto, ela pretende comprar uma Suzuki DL 650 para se aventurar pelas estradas, principalmente na ligação Vitória-Rio, viagem de quase 600 km que conhece bem. "Fiz muito esse roteiro com minha Honda CB 400 nos anos 1980", lembra a empresária, que praticou alpinismo e hoje é adepta à corridas de rua.

Com tanta disposição das mulheres em assumir o guidão das motos, os homens devem abrir os olhos. Muitas meninas têm mostrado, até mesmo em competições, que buscam seu espaço na pista. Elas são muitas: Sabrina Paiuta, que compete na Copa Ninja; e sua xará Sabrina Katana, que disputa no enduro, são bons exemplos.

Por causa disso, muito homem pode se sentir humilhado ao contar vantagem para alguma mulher motociclista, afinal ninguém sabe quem está por detrás do capacete. Pode ser uma mulher que corre na pista de Interlagos, ou que atravessou o Brasil em um rali ou ainda uma paraquedista usando sua moto para ganhar tempo e se divertir. 

Cícero Lima é especialista em motocicletas

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