Ducati Monster nacional encanta pela beleza e personalidade

Arthur Caldeira

Da Infomoto

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Se a longevidade de um modelo for sinônimo de sucesso, o que dizer de uma motocicleta que está há duas décadas no mercado?

Em 1993 a Ducati apresentava a Monster. Projetada por Miguel Galuzzi sob a filosofia "banco, tanque, motor, duas rodas e um guidão", a moto é uma autêntica naked que se tornou ícone do segmento. Montada no Brasil, sua versão mais recente, a 796, traz o estilo minimalista do primeiro modelo, mas agora com freios ABS, painel digital e monobraço traseiro -- por R$ 37.900.

Seu estilo se manteve inconfundível: quadro de aço em treliça, farol arredondado, duas saídas de escapamento (uma de cada lado) e motor aparente.

CORAÇÃO TEMPERAMENTAL
O motor, aliás, é uma das características marcantes desta Ducati. Sua tradicional arquitetura de dois cilindros em "L", ou seja, um V2 a 90º, dá personalidade. Ainda refrigerado a ar, mas em nova versão de 803 cm³ com injeção eletrônica, ele é capaz de gerar até 87 cavalos de potência.

Espirituoso, o propulsor pede giros altos e mostra força somente a partir de 4.000 giros, quando funciona de maneira mais linear -- abaixo disso ele vibra bastante e demonstra "buracos" na aceleração.

Sua estreita faixa de utilização entre o torque máximo de 7,95 kgfm (a 6.250 rpm) e a potência máxima pouco acima das 8.000 rotações faz dele um propulsor de espírito esportivo, o que pode ser divertido para alguns, mas irritante para outros.

Para curtir o motor da Monster esqueça a suavidade dos propulsores de quatro cilindros de suas concorrentes, como Kawasaki Z 800 ou Suzuki GSR 750 -- o motor bicilíndrico é mais ríspido e "temperamental" e exige concentração e trocas de marchas certeiras.

Ajuda nessa tarefa a nova e macia embreagem multidisco de acionamento hidráulico -- seu braço esquerdo vai agradecer, uma vez que seu pé terá bastante trabalho com o câmbio de seis marchas. O bom é que, com exceção da primeira, mais difícil de engatar, todas as outra têm engates suaves.

FICHA TÉCNICA

  • Mario Villaescusa/Infomoto

Ducati Monster 796 2013
+ Motor: Dois cilindros em "L", 4V, 803 cm³, refrigeração a ar.
+ Potência: 87 cv a 8.250 rpm.
+ Torque: 7,95kgfm a 6.250 rpm.
+ Câmbio: Seis marchas.
+ Alimentação: Injeção eletrônica.
+ Dimensões: 2.114 mm x 784 mm x 1.079 mm (CxLxA).
+ Peso: 188 kg (em ordem de marcha).
+ Tanque: 13,5 litros
+ Preço: R$ 37.900.

RONCO E CONSUMO
Para quem tem prazer de procurar a rotação ideal do motor, os 87 cv divertem. Em altos giros, o ronco fica encorpado e as vibrações diminuem. A potência declarada pela marca pode não encher os olhos, mas não assusta calouros nem chateia veteranos: é o suficiente para manter boa velocidade em estradas.

Essa tocada mais esportiva, obviamente, cobra no consumo. Em mais de 500 quilômetros percorridos, o consumo variou entre 15,2 km/l na estrada e 17,5 km/l em trechos mais sinuosos. Alto para sua categoria. E este não é o único problema: o tanque desta versão tem apenas 13,5 litros de capacidade, resultando em autonomia de pouco mais de 200 km -- pouco se você pretende fazer longas viagens.

LEVE
Desde as primeiras versões da Monster a leveza do design se traduz em baixo peso. No caso da versão 796, são 188 kg em ordem de marcha, bem abaixo das concorrentes (Kawasaki Z 800 pesa 231 kg e a Suzuki GSR 750, 213 kg).

O baixo peso é alcançado em função do quadro, que apesar de ser de aço, é em treliça (subquadro em alumínio). Alumínio moldado sob pressão também dá formas ao monobraço, que deixa exposta a roda de cinco pontas (que é em... alumínio).

Em função da sua construção, a Monster 796 é uma naked ágil e precisa nas curvas. As suspensões -- garfo telescópico invertido na dianteira e por monoamortecedor na traseira -- são firmes, mas com pouco curso, que pode fazer o conjunto se comportar de forma inesperada em superfícies onduladas (pena não haver ajustes). Por outro lado, o conjunto é ótimo para se pilotar esportivamente em estrada de asfalto bom.

A posição de pilotagem é também típica das versões anteriores: coluna ereta e pernas flexionadas, mas com guidão aberto e elevado. O banco tem bastante espuma e foi confortável nos quase 500 km do teste.

SEGURANÇA
Os freios são destaque nas especificações: pinças da Brembo são fixadas radialmente e seguram dois discos de 320 mm na roda dianteira; na traseira, um disco de 245 mm fixado ao cubo da roda usa pinça de dois pistões. Todos funcionam bem para frear a Monster, mas ficam devendo em pilotagens esportiva.

O sistema de freios ABS -- que pode ser desligado -- funcionou bem e não tirou a diversão de pilotar a Monster 796. Foi, aliás, muito bem vindo na roda traseira em trechos de piso molhado.

  • Mario Villaescusa/Infomoto

    Ducati Monster 796, montada no Brasil, traz freios ABS de série por R$ 37.900

EQUIPAMENTOS
Fora o sistema ABS (que não é o de última geração, como o que equipa a Diavel), a Monster 796 não traz mimos eletrônicos, como controle de tração, por exemplo. Compreensível: trata-se do modelo de entrada da Ducati. Ainda assim, a moto tem bom acabamento e detalhes refinados, como o flexível aeroquip.

Os manetes de freio e embreagem têm ajustes e o guidão de alumínio é muito bem acabado, assim como as pedaleiras. De série, a Monster 796 ainda traz um capa para o banco da garupa -- que, entretanto, não equipava a unidade testada.

O painel lembra o de modelos mais esportivos da marca, mas traz menos informações. Digital e de fácil leitura, ele tem conta-giros no topo -- lembre-se, a diversão deste motor está em mantê-lo na faixa de giro ideal --, velocímetro, relógio e hodômetros. Não há marcador de combustível (há apenas luz de reserva e "fuel trip").

MERCADO
É fácil entender o sucesso do modelo nos últimos 20 anos: a Monster é bela, divertida e espirituosa, como uma Ducati deve ser. Seu preço ainda é menor que o das concorrentes (a Kawasaki Z 800 com ABS sai por R$ 38.990 e a Suzuki GSR 750, também com freio antitravamento, custa R$ 36.990).

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