Honda CRF 250L é moto de trilha que deve potência no asfalto

Roberto Brandão Filho

Da Infomoto

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Comprar uma legítima motocicleta off-road envolve muito mais que apenas adquirir uma máquina para o lazer ou para competições. Aquele que optar por este tipo de veículo, precisará, obrigatoriamente, de uma caminhonete, furgão ou de uma carreta para poder transportá-lo até o local da prática do esporte.

O fato da legislação de trânsito do Brasil não permitir rodar com este tipo de veículo dentro da cidade -- ou em qualquer via pública -- é um dos grandes obstáculos para o possível consumidor.

Pensando em solucionar este problema (e também em atrair novos consumidores), a Honda resolveu trazer ao país a CRF 250L, importada da Tailândia.

COMO ELA É
Uma motocicleta com alma, corpo e espírito off-road, porém homologada a transitar pelas ruas por ter piscas, farol, lanterna, velocímetro, retrovisores e suporte para placa. A moto ainda vem de fábrica com suspensão dianteira invertida, rodas e balança traseira em alumínio, pneus de cravo e outros predicados.

Vendida por R$ 18.490 -- apenas na cor vermelha --, o modelo carrega o motor monocilíndrico de 249,6 cm³, derivado da "mini esportiva" CBR 250R, que tem arrefecimento líquido e quatro válvulas acionadas por balancins roletados, capaz de gerar 23,1 cv e 2,2 kgfm de torque.

Honda CRF 250L 2013
+ Motor: Monocilíndrico, 249,6 cm³, 4 válvulas, refrigeração líquida.
+ Potência: 23,1 cv a 8.500 rpm.
+ Torque: 2,24 kgfm a 7.000 rpm.
+ Câmbio: Seis marchas.
+ Alimentação: Injeção eletrônica.
+ Dimensões: 2.195 mm x 815 mm x 1.195 mm (CxLxA).
+ Peso: 144 kg em ordem de marcha.
+ Tanque: 7,7 litros.
+ Preço: R$ 18.490

FALTA POTÊNCIA, MAS NÃO AGILIDADE
A sigla "CRF" não está estampada nas carenagens à toa: o design da 250L segue as linhas agressivas e angulares da família de modelos off-road da marca. Porém, o quesito desempenho a distancia das irmãs maiores. Falta fôlego na cidade.

A começar pelo torque e potência máximos, que são atingidos apenas em médias rotações, diferente de uma off-road nata. Na cidade, em subidas, o piloto necessitará engatar a primeira marcha e até enrolar o cabo. Traduzindo: em vez de arisca e agressiva, a CRF é uma motocicleta suave e amigável. O sistema de escapamento, inclusive, libera um ronco tímido -- em função das leis de emissão de ruídos e poluentes, é verdade.

Por sua configuração voltada mais para o off-road, a altura do assento (875 mm) também dificulta embarque e desembarque de pilotos mais baixos. Porém, mesmo com a falta de fôlego, a CRF 250L é ágil devido ao seu baixo peso (144 kg em ordem de marcha) e ao seu grande ângulo de esterço.

  • Doni Castilho/Infomoto

    Moto com alma, corpo e espírito off-road, porém homologada a transitar pelas ruas: esta é a CRF 250L

FORA DA CIDADE
O assento estreito, plano e de espuma mais fina facilita a movimentação do piloto em terrenos acidentados, mas é cansativo. Seu consumo na estrada também foi um pouco elevado e variou entre 22,6 km/l e 24,1 km/l. Com tanque de apenas 7,7 litros, a autonomia não chega a 200 km. Bom para competições, ruim para viagens.

Rodas de 21 polegadas na dianteira e aro 18" na traseira ajudam a transposição de obstáculos. A suspensão invertida Showa, na dianteira, também faz excelente trabalho de absorção de impactos. Já a traseira monoamortecida, com sistema Pro-Link, deixa um pouco a desejar: o desempenho do conjunto dianteiro se sobressai ao do traseiro, o que pode fazer com que a rabeta da moto "passe" a frente ao transpor obstáculos mais altos.

O chassi é convencional, do tipo berço semi-duplo de aço, e o trabalho dos freios é feito por um único disco de 256 mm na dianteira e disco simples de 220 mm na traseira, mordidos por pinças Nissin.

PREPARAÇÃO
Apesar de já vir pronta para o uso fora-de-estrada, pequenas alterações na CRF 250L podem aumentar ainda mais seu desempenho off-road. No dia do teste, engenheiros da Honda trocaram a coroa da transmissão final (40 dentes) por uma maior, de 50 dentes -- encurtando sua relação. Essa modificação aumentou a resposta em arrancadas, mas diminuiu a velocidade máxima da moto, de 110 km/h.

  • Doni Castilho/Infomoto

    Com preparação especial, a CRF 250L fica mais agressiva nas arrancadas, liberando seu torque máximo em giros mais baixos. O preço da brincadeira, porém, gira em torno de R$ 2.000

Além disso, foram feitas outras adaptações, com a instalação de um guidão mais alto e largo da IMS (marca de motocross), pedaleiras maiores e reforçadas, também da IMS, e um escapamento da Pro Circuit.

Com tais mudanças, a motocicleta ficou mais agressiva nas arrancadas, liberando seu torque máximo em giros mais baixos. Somando tudo, a preparação custa cerca de R$ 2.000.

CONCLUSÃO
Pelo preço alto, a CRF 250L deveria ter desempenho melhor, mais parecido com o de suas irmãs da família CRF. Da maneira como sai de fábrica, ela é uma motocicleta amigável, silenciosa e que não inspira tanta esportividade quanto seu nome.

Dentro da cidade, porém, ela agrada. É esguia, ágil e tem facilidade no trânsito urbano. Com a preparação, ela se torna uma opção ainda melhor para quem deseja uma motocicleta de trilha. Ao contrário da extinta XR 250 Tornado, a CRF 250L é moto off-road que pode rodar na cidade.

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