Kawasaki Z800 fica mais invocada, forte e cara que sua antecessora

Arthur Caldeira
Da Infomoto

  • Mario Villaescusa/Infomoto

    Com visual que chama a atenção, modelo chega por R$ 35.990 (standard) e R$ 38.990 (com freios ABS)

    Com visual que chama a atenção, modelo chega por R$ 35.990 (standard) e R$ 38.990 (com freios ABS)

Engana-se quem pensa que as únicas novidades da recém-lançada Kawasaki Z800 são os 58 cm³ a mais de capacidade e os sete cv extras do motor. As mudanças em relação à sua antecessora, a Z750, também vão além do visual mais agressivo.

No geral, a Z800 é uma moto melhor do que a Z750: ficou mais atraente e ganhou novas suspensões e freios, sem falar que o fôlego extra é muito bem vindo.

Por outro lado, as melhorias resultaram em cerca de cinco quilos a mais, tanque menor -- de 18,5 litros para 17 l -- e, a pior parte: um expressivo aumento de preço. Enquanto a antiga Z750 era vendida por cerca de R$ 34 mil (versão com freios ABS), a Z800 chega por R$ 35.990 (standard) e R$ 38.990 (com freios ABS).

DESIGN AGRESSIVO
Difícil afirmar se as melhorias compensam o investimento na nova versão da moto, mas basta colocar os olhos na Z800 para notar que ela ficou maior. Se antes parecia uma naked comum de média cilindrada, agora ela já se aproxima de modelos de 1.000 cc -- pelo menos visualmente.

O conjunto óptico ficou mais invocado e reforçou sua inspiração streetfighter (esportivas customizadas sem carenagem). Todo o trem dianteiro parece mais encorpado, até mesmo o tanque. O radiador ganhou aletas maiores e um pequeno spoiler foi adotado abaixo do motor.

A traseira, agora mais afilada, destaca a lanterna de LEDs que forma duas letras "Z", em referência à linhagem de nakeds da marca. Uma solução criativa e simples que deu ar bastante elegante à motocicleta.

Outro detalhe que chama a atenção é a cobertura do banco do piloto, que também conta com pequeninas letras "Z" em sua extensão. Novo escapamento, parecido com o da Z1000, também faz a Z800 parecer maior.

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MOTOR MAIS FORTE
Sem dúvida, a principal mudança da nova versão da naked é a maior capacidade cúbica do motor. Para obtê-la, a Kawasaki aumentou o diâmetro dos pistões de 68,4 mm para 71 mm, mantendo o curso em 50,9 mm. Com isso, o propulsor (de quatro cilindros em linha, duplo comando de válvulas no cabeçote e quatro válvulas por cilindro com refrigeração líquida) ganhou mais potência e torque e manteve suas principais qualidades: aceleração linear e suave e funcionamento bastante "liso".

Não se notam "buracos" na aceleração, muito menos falta de torque, mesmo em baixas rotações -- não que isso faltasse na Z750. Já a partir de 2.000 giros, a Z800 demonstra fôlego para retomadas e nem ameaça bater pino. O torque máximo cresceu de 8 kgfm para 8,5 kgfm, nas mesmas 8.000 rpm. Na prática, pode-se rodar tranquilamente a 120 km/h na última marcha do câmbio de seis velocidades. Ou reduzir duas marchas e ouvir o agradável urro do motor quatro-cilindros em altos giros.

No uso normal em estradas e na cidade, porém, não é preciso chegar aos 10.500 giros e aproveitar a potência máxima de 113 cv --  7 cv a mais que na antiga Z750. Bem antes disso, a nova Z800 mostra potência e fôlego de sobra. Graças, portanto, da maior capacidade cúbica do motor.

O consumo foi um pouco elevado: variou entre 15,8 km/litro e 16,4 km/l, de acordo com o computador de bordo, agora item de série no belo e funcional painel digital. Há ainda indicação do consumo instantâneo e de autonomia. Com o tanque menor, agora de 17 litros, ela não deve chegar a 300 km.

Kawasaki Z800 2013
+ Motor: Quatro cilindros em linha, DOHC, 806 cm³, refrigeração líquida.
+ Potência: 113 cv a 10.200 rpm.
+ Torque: 8,5 kgfm a 8.500 rpm.
+ Câmbio: Seis marchas.
+ Alimentação: Injeção eletrônica.
+ Dimensões: 2.100 mm x 800 mm x 1.050 mm (CxLxA).
+ Peso: 231 kg (em ordem de marcha).
+ Tanque: 17 litros.

FREIOS E SUSPENSÕES
Na parte ciclística, a Kawasaki fez mudanças mais tímidas, evitando aumentar (ainda mais) o preço final da Z800. O quadro continua sendo feito em aço e ainda é o principal responsável pelo peso exagerado da Z800. Para se ter uma ideia, ela pesa 231 kg, 10 kg a mais que sua irmã maior, a Z1000 (221 kg com ABS).

Apesar de novos, os garfos telescópicos invertidos de 41 mm (da Kayaba) na dianteira não são totalmente ajustáveis -- permitem apenas se regular a pré-carga da mola, assim como o monoamortecedor na balança traseira. Ambos têm ajustes de fábrica voltados para o conforto e absorvem bem as imperfeições de nossas mal cuidadas ruas e avenidas. Porém, para atacar curvas com mais esportividade, eles são macios demais.

Seria injusto dizer que a Z800 não melhorou nas curvas, mas ainda assim ela não é o tipo de moto que basta mirar a curva, escolher a trajetória e contorná-la com tranquilidade. Ela exige um pouco mais de intimidade. Sua inclinação vem de repente -- em função do peso excessivo -- e pode assustar. Vale ressaltar que a Z800 não é moto esportiva e nem pretende ser. Tem guidão bastante largo para uma naked e posição de pilotagem que preza o conforto.

Já no quesito freios, os dois discos dianteiros, com 10 mm de diâmetro a mais que a Z750 (310 mm), e pinça dupla com quatro pistões têm uma "mordida" bastante arisca. Tão sensível, aliás, que faz a frente afundar com facilidade, característica que nem mesmo os ajustes no manete conseguem resolver. Na traseira, há um disco simples de 250 mm, também em formato margarida, mas com pinça de pistão simples. Ambos freiam bruscamente o pesado conjunto e, por isso mesmo, o sistema ABS (pago à parte) é muito bem vindo.

CONCLUSÃO
Com visual que chama a atenção e a diferencia das concorrentes, a Z800 se destaca pela maior potência e torque do motor. Propulsor que, diga-se, é digno de nota 10 pelo seu funcionamento linear.

Por outro lado, a moto não é tão polivalente como outras naked, caso da Honda CB 600F Hornet ou BMW F 800 R -- outro "problema" da antiga Z750 que permaneceu na nova versão foi o ângulo reduzido de esterço, limitando seu uso em meio ao trânsito urbano. Além disso, seu peso maior também incomoda para rodar na cidade.

Na estrada, o motor tem mais disposição que as concorrentes, mas a escassa espuma do seu belo banco cansa o piloto depois de algumas centena de quilômetros.

A Z800 é feita para o motociclista que busca uma moto para escapadas com os amigos no final de semana, mas não tem a pretensão de usá-la como veículo de locomoção no dia-a-dia e também não pretende fazer longas viagens. Um verdadeiro brinquedo de gente grande.

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