Yamaha XJ6 N 2013 muda quase nada e se contenta em ser vice

Roberto Brandão Filho
Da Infomoto

  • Mario Villaescusa/Infomoto

    Pilotar uma Yamaha XJ6 N é tarefa fácil, tanto para motociclistas experientes quanto para novatos

    Pilotar uma Yamaha XJ6 N é tarefa fácil, tanto para motociclistas experientes quanto para novatos

Motocicletas de média cilindrada são cada vez mais procuradas. Pensando nisso, a Yamaha apresentou, em 2008, a linha XJ6 na Europa, com o intuito de oferecer uma quatro-cilindros para motociclistas que pedem algo mais. A fábrica optou por produzir um modelo mais acessível e amigável que as concorrentes da categoria de 600 cc.

Praxe, o Brasil demorou um pouco para receber a nova linha, que desembarcou por aqui dois anos depois, no início de 2010. Em duas versões, uma naked (sem carenagem) e uma sport-touring (carenada), a moto aposentou a linha FZ6, passando a ser a única opção quatro-cilindros de média cilindrada da Yamaha. Para o resto do mundo, a marca atualizou a Fazer e a equipou com um motor de 800 cc -- de novo, o Brasil ficou fora desses planos.

Para ser mais acessível, a XJ6 tem algumas alterações em relação à antecessora. Os dois modelos carregarem motor de quatro cilindros em linha, com mesma capacidade cúbica, diâmetro e curso dos pistões e a carcaça externa. Mas as semelhanças param por aí. A XJ6 ganhou novo cabeçote, virabrequim e dutos de admissão retrabalhados. Ficou um pouco mais mansa, mas ganhou mais torque em baixas e médias rotações. Seu propulsor oferece 77,5 cv a 10.000 rpm, comparados aos 98 cv a 12.000 rpm da FZ6.

LINHA 2013
Com a receita básica explicada, resta saber o que mudou no modelo 2013. E a resposta é: quase nada. A XJ6 recebeu apenas algumas alterações estéticas -- assim como tantas outras motos lançadas ultimamente pela marca -- e não evoluiu. Ou seja, segue como forte candidata a passar a vida longe das ruas.

Embora os números de venda sejam bons, é comum encontrar com quem não a conheça. Exemplo: durante o teste, não apenas um, mas vários motociclistas nos pararam para perguntar se a XJ6 N era o novo modelo da FZ6. Estranho para uma moto que já tem três anos de mercado.

Por incrível que pareça, esta é a primeira vez em que a XJ6 N é atualizada desde seu lançamento, em 2008, durante o Salão de Colônia, na Alemanha. As mudanças incluem nova carenagem no farol e aletas maiores no tanque de combustível. As lentes dos piscas também mudaram de cor: deixam de ser amarelas e estão transparentes. A alça de apoio na garupa agora é formada por duas peças. O revestimento do assento ganhou novo material, que oferece mais aderência ao piloto e passageiro. O desenho do painel foi mantido, mas agora conta com luz de LED para melhorar a visibilidade.

De resto, tudo igual. E a olhos leigos, pode parecer a mesma moto do ano passado.

Dentro da categoria naked de média cilindrada, a Yamaha XJ6 N ocupa a vice-liderança com 3.565 unidades vendidas em 2012, atrás da Honda CB 600 F Hornet. Para tanto, se vale do preço de R$ 28.410, cerca de R$ 4.000 a menos que o da concorrente direta.

Mas além da Yamaha, só Suzuki Bandit 650 (R$ 29.990) e Kasinski Comet GT 650 (R$ 21.990) deixam a segurança do consumidor em segundo plano ao não oferecerem ABS. Kawasaki ER-6n (R$ 28.880), Honda CB 600 F Hornet (R$ 34.990) e BMW F 800 R (R$ 35.500) são opções para quem busca uma moto do segmento com segurança total.

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CIDADE E ESTRADA
O chassi do tipo diamante ancora o motor DOHC de quatro cilindros e 600 cm³, com arrefecimento líquido. Por ser construído em aço, e não alumínio, o peso fica elevado: 215 kg (em ordem de marcha). Mas isso não a deixa menos ágil no trânsito. Em função dessa agilidade, e da posição de pilotagem confortável, comandar a XJ6 N é tarefa fácil, tanto para motociclistas experientes quanto para novatos. A altura do assento, a somente 785 mm de distância para o solo, facilita o apoio dos pés no chão, deixando-a amigável para diferentes biótipos.

Para firmá-la como uma naked de entrada, a Yamaha a equipou com conjunto de suspensão espartano, visando também a diminuição do preço. Na dianteira, garfos telescópicos de 130 mm fazem um bom trabalho na absorção dos impactos. A balança traseira mono-amortecida completa o conjunto e ainda oferece regulagem na pré carga da mola.

Esse é um dos principais atrativos da moto, um dos fatores que a mantém na vice-liderança do segmento. Apesar de não ser equipada com freios com ABS (apenas o modelo vendido no Reino Unido tem o sistema), os dois discos dianteiros de 298 mm e o disco simples de 245 mm da traseira param com eficiência a XJ6 N. O que não significa que o sistema antitravamento não seria bem-vindo.

Yamaha XJ6 N 2013
+ Motor: Quatro cilindros em linha, DOHC, 600 cm³, refrigeração líquida.
+ Potência: 77,5 cv a 10.000 rpm.
+ Torque: 6,09 kgfm a 8.500 rpm.
+ Câmbio: Seis marchas.
+ Alimentação: Injeção eletrônica.
+ Dimensões: 2.120 mm x 770 mm x 1.085 mm (CxLxA).
+ Peso: 215 kg (em ordem de marcha).
+ Tanque: 17,3 litros.

A XJ6N é eficiente no uso do combustível. Por rodar bem em baixas rotações e mostrar força já nas faixas iniciais de giro, ela consome menos que as concorrentes. Durante nosso teste, percorremos exatos 257 km com a motocicleta e utilizamos 11,78 litros de gasolina. Na ponta do lápis, isso dá um total de 21,8 km/l. O consumo foi medido na cidade e na estrada. Um número considerável para uma motocicleta de quatro cilindros e 600 cc.

Nas estradas o desempenho é bom, mas deixa a desejar em ultrapassagens. Em todo o caso, julgando sua performance combinada -- cidade e estrada --, o conjunto agrada.

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