Kawasaki ZX-14R, a maior das Ninjas, é foguete de 210 cavalos

Arthur Caldeira

Da Infomoto

Os dados técnicos impressionam: 268 quilos, mais de dois metros de comprimento, motor de quatro cilindros com exatos 1.441 cm³ e 210 cv. Ao vivo, é ainda mais difícil ficar indiferente em frente à nova Kawasaki Ninja ZX-14R.

Vendida como a moto de rua com aceleração mais rápida do mundo, a ZX-14 ganhou a letra "R" para indicar que está ainda mais nervosa. Com motor, suspensões e controles eletrônicos novos, a maior integrante da família Ninja renovou-se por completo.

VISUAL
Os quatro faróis -- agora unidos em duas lentes -- intimidam. A entrada da indução de ar ao centro parece maior e as ranhuras na carenagem lateral deixam claro tratar-se de um modelo novo. As duas ponteiras de escapamento, uma de cada lado, não são mais cromadas: ganharam capa preta e formato poligonal, em vez de arredondados como no modelo anterior.

A moto parece até desproporcional: a parte dianteira enorme faz as rodas -- de 17 polegadas -- parecerem menores. A pintura, verde com desenhos de chamas em um tom mais escuro, confere um ar "tuning" à nova ZX-14R.

Mas o porte imponente desaparece assim que se monta no modelo. O chassi monocoque em alumínio é bastante estreito sob o banco. Dessa forma, apesar dos mais de dois metros de comprimento e quase 80 cm de largura total, o piloto sente-se no controle da Ninja com as pernas bem acomodadas. Aliás, a ergonomia do novo modelo é praticamente a mesma da versão anterior. Ao guidão, não se tem noção de quão parrudo e largo é este foguete. Isso até dar partida no motor.

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MAIOR E MAIS FORTE
A principal mudança na nova ZX-14R está no motor: os pistões ganharam mais 4 mm de curso, aumentado a capacidade de 1.352 cm³ para 1.441 cm³. Além disso, um trabalho de preparação foi feito: dutos de admissão polidos, um comando de válvulas (DOHC) mais bravo e o aumento na taxa de compressão resultaram no que a Kawasaki afirma ser o mais potente motor de uma motocicleta produzida em série no mundo.

Os números oficiais afirmam que, na bancada, o propulsor produz 200 cv de potência máxima, a 10.000 rpm. Mas, com a indução de ar (feita por meio do duto instalado no centro da carenagem), pode fazer essa cavalaria chegar a 210 cv, na mesma faixa de rotação.

Como se não bastasse, a marca alega que as melhorias proporcionaram também mais torque em uma faixa mais ampla de rotações. De acordo com a Kawasaki, aos 2.000 giros, já há 9,5 kgfm do torque disponível -- o máximo de 15,7 kgfm (mais que o de um carro com motor de 1,6 litro) chega aos 7.500 giros.

Comparado à versão anterior, a ZX-14 R está mais potente, mas sem perder sua dupla personalidade: pode parecer um modelo tetracilíndrico "manso" até os 6.500 giros, mas a partir disso se transforma em máquina de diversão. Os giros continuam crescendo de forma impressionante, assim como a velocidade. E a reta do campo de provas da Pirelli, no interior de São Paulo, parece curta: acaba antes que a velocidade atinja os 245 km/h. Com fôlego e marchas sobrando para mais.

ELETRÔNICA
Para domar a força adicional, a Kawasaki teve de investir em eletrônica. Dotou a ZX-14R de um Power Mode Selection (PMS), seletor do modo de potência, com o qual se pode escolher entre o modo Low Power (baixa potência), que deixa disponível apenas 75% da potência da moto, e o modo Full, com todos os 210 cv à disposição do piloto.

Outra novidade é o controle de tração com três níveis de atuação, sendo o 3º o mais intrusivo, indicado para pista molhada ou com baixa aderência, e os 2º e 1º gradativamente menos atuantes e feitos para dosar a potência nas saídas de curvas. Tudo facilmente controlado pelo punho direito e indicado na tela de LCD no painel, que traz ainda dois mostradores analógicos, com o conta-giros e velocímetro.

Os freios com sistema ABS continuam. Na dianteira, são os mesmos discos duplos em forma de pétala com 310 mm de diâmetro e pinças de fixação radial com quatro pistões. Na traseira, um disco simples de 250 mm com pinça de dois pistões. Durante testes na pista, os freios respondiam com segurança, sem gerar instabilidade no conjunto, mesmo com os sete quilos a mais do novo modelo (a "Ninjona" passou de 261 kg para 268 kg). Confira a ficha técnica:

Kawasaki ZX-14R 2012
+ Motor: Tetracilíndrico, DOHC, 16 válvulas, refrigeração líquida.
+ Potência: 210 cv a 10.000 rpm.
+ Torque: 15,7 kgfm a 7.500.
+ Câmbio: Seis marchas.
+ Alimentação: Injeção eletrônica.
+ Dimensões: 2.170 mm x 770 mm x 1.170 mm (CxLxA).
+ Peso: 268 kg.
+ Tanque: 22 litros.
+ Preço: R$ 60.990.

CICLÍSTICA MELHORADA
Claro que para "suportar" a potência extra, a Kawasaki teve de aprimorar também o conjunto ciclístico da ZX-14R. O chassi monocoque continua o mesmo, porém a balança traseira foi alongada em 10 mm para ajudar a manter a roda dianteira no chão em acelerações mais vigorosas. Com isso, o entre-eixos passou dos anteriores 1.460 mm para 1.480 mm. Na prática, isso garantiu mais estabilidade em altas velocidades na reta.

Para as curvas, o garfo telescópico dianteiro invertido (upside-down) ganhou molas mais rígidas e uma nova calibragem. Com 43 mm de diâmetro e 117 mm de curso, o conjunto é totalmente ajustável. Na traseira, a balança monoamortecida com 124 mm de curso (2 mm a mais que na versão anterior) também é totalmente ajustável.

  • Mario Villaescusa/Infomoto

    Obediente nas entradas de curvas, Ninja ZX-14R inclina até demais em algumas situações, mas a eletrônica embarcada ajuda a mantê-la estável

Você pode imaginar que a nova ZX-14R perdeu agilidade em curvas ao ler suas especificações. Claro que não se trata de uma esportiva de 600 cc com entre-eixos curto, mas ela também não virou um trambolho. Continua bastante equilibrada e obediente nas entradas de curvas, mas agora ela "deita" repentinamente, passando do ponto em alguns momentos. Em uma tocada mais calma, ela se comporta bem.

HIPERESPORTIVA
Classificada pela Kawasaki como uma "hiperesportiva", a nova ZX-14R chega para destronar o modelo até então símbolo da categoria, a Suzuki Hayabusa GSX 1300R. A potência declarada supera a da Hayabusa. Com a adição da eletrônica, a Kawasaki dá um passo à frente da Suzuki -- que, vale dizer, já contava com o seletor de potência, e ganhou ABS no exterior recentemente.

Lançada no Brasil no início deste ano, a Kawasaki Ninja ZX-14R é um exagero. Custa R$ 60.990 (com ABS). Não foi feita para acelerar em um autódromo, a menos que seja uma pista de arrancada. É a moto ideal para quem quer se gabar da potência e da capacidade cúbica do motor, além de poder viajar com o conforto de uma moto grande e a força de um foguete.

 

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