Honda Falcon volta à vida com injeção eletrônica e preço maior

Arthur Caldeira
Da Infomoto

Quando a Honda apresentou a "nova" NX 400i Falcon 2012 pela primeira vez à imprensa, no início de julho, houve certo desapontamento. Com algumas alterações estéticas e nenhuma novidade na parte ciclística, a única mudança no retorno da trail de 400 cc ficava por conta da injeção eletrônica de combustível -- o "i" gravado no nome da motocicleta. Com preço sugerido pela fábrica de R$ 18.900, a Falcon está disponível em três opções de cores: vermelha, preta e prata.

Somente um olhar mais atento revela mais novidades do modelo. Afinal, até mesmo a cor vermelha metálica remete às primeiras Falcon, lançadas em 1999. As aletas laterais mudaram e a carenagem do farol ganhou linhas mais angulosas. Toda a parte traseira foi reestilizada, seguindo os traços da XRE 300: uma única peça na cor cinza traz bagageiro e alças para a garupa embutidas. A lanterna é a mesma da antiga Falcon. O painel digital é novo. Novo, pelo menos na Falcon, já que também veio da XRE 300. E os espelhos retrovisores também mudaram.

NOVIDADE MESMO
De inédito mesmo, só a injeção eletrônica de combustível que fez o motor acordar rapidamente, já no primeiro toque no botão de partida. O monocilíndrico de 397,2 cm³ com comando simples no cabeçote (OHC) e sistema RFVC (Radial Four Valve Chamber), com quatro válvulas já em marcha lenta, parece funcionar mais redondo, porém com o mesmo "barulho" excessivo de antes.

As acelerações ficarem mais lineares e suaves. Mas a tendência que o grande monocilíndrico tinha de morrer em rotações baixas foi praticamente neutralizada na nova Falcon -- graças ao PGM-FI (Programmed Fuel Injection), o novo sistema de injeção.

Um defeito da versão anterior era que o motor de quatro válvulas exigia sempre rotações altas e demonstrava falta de torque em baixos giros. Agora, apesar de contar com o mesmo câmbio de cinco marchas (com as mesmas relações) e a mesma transmissão final por corrente, a nova Falcon tem mais força em baixa. Ficou mais confortável para pilotar, principalmente na cidade.

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EM NOME DA LEI
A injeção, aliás, foi o motivo que permitiu à Falcon retornar ao mercado nacional. No final de 2008, sua venda foi interrompida no Brasil porque o antigo carburador não atendia ao Promot 3, que entrou em vigor em 2009. Com o motor injetado e o catalisador, a Falcon agora atende às regras de emissão de poluentes para motocicletas em níveis abaixo dos estabelecidos pela legislação.

Como resultado de estar menos poluente, o modelo perdeu cerca de 2 cv e alguns décimos de torque no desempenho. O propulsor agora desenvolve potência máxima de 28,7 cv a 6.500 rpm e torque máximo de 3,27 kgfm a 6.000 rpm. Mas, durante uma viagem de cerca de 400 km, essa perda é pouco perceptível -- a não ser quando os cavalinhos a menos fazem falta para manter altas velocidades em aclives.

A velocidade final não sofreu grande alteração: em pista fechada, é possível atingir 150 km/h no velocímetro em pista plana. Vale ressaltar que a unidade testada era praticamente zero km e tinha apenas 22 km rodados -- o motor estava um pouco "amarrado".

Por outro lado, a injeção proporcionou redução no consumo. Rodando a 110 km/h na estrada, a Falcon fez 25,8 km/l. Na cidade, obteve média de 23,6 km/l -- acima dos 20 km/l do antigo modelo, carburado. Equipada com o mesmo tanque de 15,3 litros (reserva de 5,3 litros) a autonomia chega a quase 400 km. Uma boa novidade para quem quer viajar com a moto. Veja a ficha técnica do modelo:

Honda NX 400i Falcon 2012
+ Motor: Monocilíndrico, OHC, 4 válvulas, refrigerado ar.
+ Potência: 28,7 cv a 6.500 rpm.
+ Torque: 3,27 kgfm a 6.000.
+ Câmbio: Cinco marchas.
+ Alimentação: Injeção eletrônica PGM-FI.
+ Dimensões: 2.157 mm x 789 mm x 1.222 mm (CxLxA).
+ Peso: 158 kg.
+ Tanque: 15,3 litros.
+ Preço: R$ 18.900.

VELHA CONHECIDA
Exceto o comportamento mais amigável do motor injetado e o consumo melhor, a Falcon continua a mesma. A parte ciclística traz o quadro em aço do tipo berço semiduplo e as mesmas suspensões: garfo telescópico convencional, na dianteira, e balança com um único amortecedor fixado por links, na traseira. As rodas continuam sendo de aço -- de 21 polegadas na frente e 17'' atrás -- com freio a disco em ambas. Até mesmo os pneus são os velhos conhecidos Pirelli MT 60 de uso misto, nas medidas 90/90 (dianteiro) e 120/90 (traseiro).

Seu comportamento dinâmico, obviamente, não foi alterado. Mal se nota o peso maior: agora são 158 kg a seco contra os 151 kg anteriores. Segundo a Honda, o peso extra foi ganho com os componentes da injeção eletrônica e bagageiro.

Com o banco largo e posição de pilotagem ereta, a Falcon manteve uma de suas principais qualidades: o conforto. Ajudada pelas suspensões de longo curso, pode-se superar buracos e imperfeições no piso sem ser incomodado e rodar por muitos quilômetros sem se cansar. A não ser que você decida pilotar mais esportivamente em curvas, quando a maciez do conjunto e os pneus de uso misto prejudicam o desempenho.

Os freios -- disco de 256 mm na dianteira e de 220 mm na traseira -- são mais que suficientes para frear a NX 400i com segurança. Mas, bem que a Honda poderia ter introduzido uma versão com ABS nesse retorno, já que freios mais seguros fazem parte da política mundial da empresa e a fabricante dispõe dessa opção até mesmo em modelos menores, como a XRE 300.

  • Mario Villaescusa/Infomoto

    Grafismo da nova Falcon remete às primeiras versões e mostra que pouco mudou desde 2008


ÚNICA OPÇÃO
A notícia do retorno da Honda NX 400i Falcon ao mercado gerou comemorações e críticas. Os antigos fãs viram a possibilidade de tê-la agora injetada e com um face-lift, enquanto muitos criticaram principalmente a potência menor e seu preço de R$ 19.900.

Valor elevado, principalmente, se levarmos em consideração que quando parou de ser vendida em 2008, a Falcon custava R$ 14.000. E o modelo continuou a ser produzido para exportação, portanto não foi necessária uma nova linha de montagem para seu retorno. Além disso, as mudanças foram poucas.

A Honda deve atingir sua previsão de vender 11 mil unidades por ano. Primeiro, porque trata-se da única motocicleta de 400 cc do mercado brasileiro e a Falcon vai "nadar de braçada" nessa falta de opções. Depois, o fã de moto trail que tem uma XRE 300, por exemplo, e quer uma moto maior, vai ter como alternativa a Yamaha XT 660R por R$ 26.880, ou dentro da linha da Honda, a Transalp XL700V, por R$ 30.000. Desta forma, a Falcon aparece sozinha na faixa dos R$ 20.000 nesse segmento.

EM SUMA...
Rodar com a nova NX 400i Falcon é como sair novamente com aquela garota bonita dos tempos de colégio. Ela não é mais tão jovem, porém conservou seu charme e agora está mais decidida e econômica. Ainda chama a atenção no meio da turma, mas carrega ares de nostalgia.

 

Mais econômica e bem "alimentada" para o uso urbano, a Falcon continua sendo uma boa moto. Um desenho mais moderno que sustentasse o título de "nova" Falcon era bem-vindo, afinal, o visual atual já cansou: é o mesmo desde o lançamento em 1999. Quem sabe, talvez, se seguisse as linhas da XRE 300 ou da nova NC 700 X? Melhorias ciclísticas também seriam bem vindas.

Mas aparentemente a Honda preferiu não mudar um projeto que fez sucesso no passado e continua bastante apropriado para nossas estradas. A crítica maior fica por conta do preço, demasiadamente elevado. É inadmissível uma moto de R$ 20 mil usar os mesmos punhos das antigas XR 200 e não ter o lampejador de farol.



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