Kawasaki Concours 14 oferece conforto sem perder o lado radical

André Jordão
Da Infomoto

Quando a Kawasaki Concours 14 foi apresentada no Salão Duas Rodas de 2011, seu visual imponente chamou mais atenção do que os dados técnicos. São 155 cv e 14,1 kgfm de torque: números impressionantes para um motor de arquitetura clássica (quatro cilindros em linha e refrigeração líquida).

Com torque de sobra e desempenho surpreendente, essas especificações técnicas revelam a preocupação da Kawasaki em fazer uma motocicleta voltada para o mototurismo, mas com o espírito “Ninja” de suas superesportivas -- sem falar da economia de componentes, já que a Concours é derivada da ZX-14. E isso tudo fica muito claro ao pilotar a touring da Kawasaki -- a moto esbanja força em todas as faixas de rotação do motor, auxiliados por uma aerodinâmica privilegiada, eletrônica embarcada e acessórios exclusivos. É uma esportiva vestida com roupa de passeio.

ELETRÔNICA
Controle de tração (KTRC), freios ABS (K-ACT), manoplas aquecidas são alguns dos mimos que tentam justificar os R$ 74.990 cobrados pela Kawasaki. Criado para as motos superesportivas, o sistema de controle de tração (KTRC) também faz parte da Concours. É complicado colocá-lo à prova com seus 304 quilos, mas quando foi requisitado, ele trabalhou bem.

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A intenção desta eletrônica, principalmente em uma moto de turismo, é auxiliar o motociclista em caso uma chuva forte ou em pisos irregulares. O KTRC corrige qualquer aceleração mais brusca e que possa causar uma perda de tração na roda traseira. Em certos trechos, pode parecer que a moto está “engasgando”, mas na verdade é o sistema evitando que o ela perca aderência.

Outro recurso é o freio K-ACT (Tecnologia de Frenagem Co-ativa Avançada). Sua função é distribuir a tensão de frenagem entre as duas rodas. Ou seja, quando o freio traseiro é acionado, os discos dianteiros também auxiliam a frear a moto. Na prática, percebe-se que isso também acontece com o K-ACT desligado, só que em menor proporção. A sensibilidade do sistema, porém, não agrada. Basta um leve toque no pedal de freio para que o trem dianteiro enfrente um efeito mergulho, por isso é melhor ser usado somente por motociclistas mais experientes ou que estejam carregando muita carga.

TOURING
Além dos sistemas eletrônicos que deixam a pilotagem mais segura, a Kawasaki também disponibilizou alguns recursos que ajudam na ergonomia e conforto do piloto. Caso das manoplas aquecidas. Não é um item imprescindível em uma motocicleta, mas com certeza irá ajudar a postergar um possível desconforto quando se roda por regiões frias, além de permitir ao piloto rodar por mais alguns quilômetros -- o que, às vezes, é essencial em motos deste segmento usadas em longos percursos.

Outro detalhe muito funcional é o parabrisa com acionamento elétrico. Basta acessá-lo no punho esquerdo, com a moto em movimento ou não, e regular na altura desejada. O piloto fica completamente amparado, sem qualquer resquício de vento no peito -- ou capacete, dependendo da altura do piloto. Aqui cabe uma ressalva: se você tiver mais de 1,90 m e for fazer uma viagem grande, você ficará com dores no pescoço. Não dá para manter a coluna ereta (impossível ficar com os braços muito esticados) e não é possível “carenar” por completo na Councors, devido a proposta da moto e ao guidão alto (estilo gaivota). Um piloto mais baixo talvez não sinta esse incômodo.

A Kawasaki ainda se preocupou em instalar um inteligente sistema de regulagem dos faróis. Em frente ao piloto, abaixo do painel, ficam dois botões que permitem subir e descer o conjunto óptico. Se a moto estiver muito pesada (carregada), ou sem peso algum, o motociclista pode ajustar de forma fácil e rápida obtendo uma iluminação mais eficiente e segura.

VISUAL
Ao olhar a Concours 14 nota-se sua aptidão estradeira. Seu tamanho impressiona -- são 2,23 m de comprimento e 79 cm de largura --, mas na primeira esquina você já se sente em casa no modelo. As duas malas laterais contribuem para o visual exagerado, mas só atrapalham na cidade. Vá para a estrada que o peso extra da bagagem desaparecem e os bauletos se tornam parceiros de viagem. Vale dizer que o KIPASS (Kawasaki´s Intelligent Proximity Activation Start System) permite ao piloto ficar com a chave (presencial) no bolso e com ela abrir o tanque de combustível e as malas laterais, facilitando a vida do motociclista. Ou seja, não é preciso desligar a moto para acessar os bagageiros.

FICHA TÉCNICA: Kawasaki Concours 14 2013

Motor: Quatro cilindros em linha, 1.352 cm³, 4 tempos, DOHC, 16 válvulas, com refrigeração líquida.
Potência: 155 cv a 8.800 rpm.
Torque: 14,1 kgfm a 6.200 rpm.
Câmbio: Seis marchas.
Alimentação: Injeção eletrônica.
Tanque: 22 litros.
Suspensão: Garfo telescópico invertido de 43 mm com compressão e retorno na pré-carga da mola ajustáveis (dianteira). Suspensão traseira  Uni-Track com amortecedor a gás, retorno, compressão e pré carga da mola totalmente ajustáveis (traseira).
Freios: Disco duplo de 310 mm em formato margarida, pinça dupla com pistão duplo (dianteiro). Disco simples de 270 mm em formato margarida, pinça com pistão simples (traseiro).
Chassis: Monochoque em alumínio.
Dimensões: 2.230 mm x 790 mm x 1.345 mm (C x L x A); 125 mm (altura do solo); 815 (altura do assento); 1.520 mm (entre-eixos).
Peso: 304 kg (com ABS, em ordem de marcha).

Visualmente, a Concours também carrega linhas semelhantes às de sua irmã veloz, a ZX-14R. Entretanto, os dois blocos do conjunto óptico são maiores, oferecendo uma melhor iluminação para viagens noturnas. Os grandes retrovisores acompanham as proporções do modelo e foram colocados logo abaixo do parabrisa, formando uma linha com o painel de instrumentos. Composto por uma tela de LCD e dois grandes mostradores analógicos com funções de velocímetro e conta-giros, ele também inclui luzes-espia e um computador de bordo completo, que mostra até a pressão dos pneus.

CICLÍSTICA
Na Concours 14 o motor tem os mesmos 1.352 cm³ da ZX-14R, com quatro cilindros em linha, 16 válvulas e refrigeração líquida. Os 155 cv surgem por inteiro a 8.800 giros e os 14,1 kgfm de torque a 6.200 rpm. Isso se reflete na cidade, onde não é preciso mudar de marchas o tempo todo, e na estrada, onde a última faixa do motor, um overdrive, não exige em nenhum momento uma redução de marcha -- é possível viajar dos 60 km/h aos 160 km/h com a sexta marcha engatada.

Essa característica contribuiu para o consumo da Concours: durantes a sessão de fotos e rodando em trechos urbanos, a moto fez pouco mais de 15 km/l. Quando ela passou a rodar exclusivamente em rodovias e na última marcha, o consumo melhorou para quase 17 km/l, sendo que o tanque de combustível tem capacidade para 22 litros. Dessa forma a moto consegue rodar por mais de 350 km sem precisar abastecer.

Outro fator que ajuda o motociclista é a relação secundária por meio de eixo-cardã. Ao contrário da corrente, a peça não precisa de manutenção com lubrificações constantes, verificação de tensão e ainda oferece mais conforto.

Ela acelera forte, como falamos, mas e para frear essa motocicleta? Para isso a Kawasaki optou por utilizar disco duplo de 310mm em formato margarida e pinça dupla com pistão duplo na dianteira; e disco simples de 270mm (também em formato margarida) e pinça com pistão simples na traseira. Com o auxilio do ABS, os freios se mostraram eficientes.

O conjunto de suspensões também agradou, embora não traga novidade: garfo telescópico invertido de 43 mm na dianteira, com compressão e retorno na pré-carga da mola ajustáveis, e suspensão uni-track (amortecedor a gás), com retorno, compressão e pré-carga da mola totalmente ajustáveis na traseira. Com guidão bem alto, a Concours não é uma eximia fazedora de curva, mas deita com estilo se o piloto entrar na curva com exatidão.

MERCADO
Com preço sugerido de R$ 74.990, a Concours 14 chega cobrando caro. Se comparada à BMW K 1300 S, versão standard com freios ABS, que custa por R$ 68.900 e a Honda VFR 1200F, que tem preço de R$ 69.900, o valor da touring da Kawasaki intimida. No entanto, a Concours 14 tem condições de ser comparada também a BMW K 1600 GT (R$ 99.500) e à Honda Goldwing (R$ 92.000), deixando-a em posição de vantagem no preço. Se vale a pena investir? Se você gosta de Kawasaki e procura uma touring forte, ela está aí.



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