Dafra Next 250 tem pegada para quem cansou das motos de 150cc

André Jordão

Da Infomoto

Estrela da Dafra no Salão Duas Rodas de 2011, a Next 250 chamou atenção pelo visual moderno e agressivo. Agora, sete meses depois, a moto chega ao Brasil para disputar espaço no segmento imediatamente superior ao das streets de 125cc e 150cc, uma espécie de evolução natural para os proprietários de motor urbanas, onde Honda CB 300R e Yamaha Fazer YS 250 dominam.

Bem acertada e ergonômica, a Next é ideal para o trânsito urbano e tem como pontos fortes a refrigeração líquida e o câmbio de seis marchas. Para desbancar as rivais, a caçula da Dafra traz ainda atrativos como painel digital completo, sensor de cavalete lateral, banco bipartido, lanterna traseira com LED, mangueiras de freio em malha de aço e regulagem do freio no manete.

Mas o trunfo é o preço: R$ 10.190, mais de R$ 1.000 mais barata que Fazer (R$ 11.279) e exatos R$ 1.500 mais em conta que a CB 300R (R$ 11.690). Os atributos estão na mesa. Mas, será que a Next anda tão bem quanto suas rivais?

CICLÍSTICA APURADA
Um dos pontos fortes da Next 250 está na ciclística. Freios, suspensões e chassi se mostram aptos a receberem um motor de maior capacidade cúbica, sem exageros. As soluções para cada item não trazem novidades, mas o conjunto funciona de acordo com a proposta. O quadro tipo diamante envolve o motor e traz, na dianteira, garfo telescópico convencional (110 mm de curso) e balança traseira mono-amortecida (129 mm de curso).

No campo de batalha que é nosso asfalto, a Next passou no teste. Não houve situação em que o conjunto da motocicleta chegasse ao fim de curso. Além disso, a desenvoltura nas curvas é boa. Os freios -- a disco, com 260 mm na roda dianteira e de 220 mm na traseira -- também atendem à proposta de parar a moto com segurança, mesmo quando exigidos em situações de emergência.

Os pneus transmitem confiança. A Next usa o modelo Sport Demon, da Pirelli, nas medidas 110/70-17 (à frente) e 130/70-17 (atrás) -- os mesmos que equipam as concorrentes. São pneus que oferecem aderência de sobra e que dão conta do recado.

Veja mais imagens da Next 250
Veja Álbum de fotos

TUDO NA MÃO
A Next 250 tem gosto pela cidade. O guidão mais alto é confortável e passa em centímetros o canote, o que permite uma posição mais retilínea da coluna e transpor os retrovisores dos automóveis sem problema. Porém, o ângulo de esterço é limitado e exige maior espaço para mudar de trajetória. Nesse caso, o conforto foi privilegiado, sacrificando a mobilidade urbana. Mas a Dafra cometeu outro pequeno pecado ao adotar manoplas de plástico duro, em vez de modelos de borracha, que oferecem maior aderência e, consequentemente, melhor controle em situações extremas.

Por outro lado, vale destacar o bom espaço e a altura do assento, a 790 mm do solo, que facilita a vida dos pilotos mais baixos e confere mais segurança aos iniciantes. O banco também conta com espuma de alta densidade e mesmo após horas no trânsito ofereceu conforto. O garupa fica bem acomodado, mas a alça de apoio não é prática, embora tenha design interessante.

FICHA TÉCNICA: Dafra Next 250

Motor: Monocilíndrico, 249,4 cm³, SOHC, 4 válvulas, com refrigeração líquida.
Potência: 25 cv a 7.500 rpm.
Torque: 2,75 kgfm a 6.500 rpm.
Câmbio: Seis marchas.
Alimentação: Injeção eletrônica.
Tanque: 14 litros.
Suspensão: Garfo telescópico com 110 mm de curso (dianteira). Monoamortecedor com 129 mm de curso (traseira).
Freios: Disco simples de 260 mm com pinça de dois pistões (dianteiro). Disco simples de 220 mm com pinça de um pistão (traseiro).
Chassis: Tipo diamante.
Dimensões: 2.005 mm x 790 mm x 1.050 mm (C x L x A). 790 mm (altura do assento), 170 mm (altura mínima do solo), 1.320 mm (entre-eixos).
Peso: 170,6 kg (em ordem de marcha).

MOTOR
O motor da Next 250 tem som peculiar. Os componentes instalados no interior do escapamento para atender a lei de emissão de poluentes (Promot 3) deixaram o barulho grave, o que pode causar estranheza em alguns motociclistas. O coração desta Dafra é um monocilíndrico de 249,4 cm³, com comando simples no cabeçote (SOHC) e refrigeração líquida. Essa característica, na teoria, permite à Next atingir giros mais altos e, assim, melhorar o desempenho.

Na prática, a moto desliza pela cidade, mas pede troca constante de marchas, devido ao câmbio de seis velocidades. Dessa forma, o que é um grande trunfo para as estradas -- já que o motor não fica implorando por mais uma marcha -- acaba não sendo muito cômodo para a cidade. Com a sexta engatada, a moto perde muito torque, forçando o piloto a retornar para a quinta num trecho levemente inclinado.

Entretanto, a Next se redime no posto de gasolina. Na cidade, faz 26,6 km/l e na estrada, 28,9 km/l, graças à sexta marcha que mantém as rotações baixas.

O propulsor alimentado por injeção eletrônica Keihin produz 25 cv a 7.500 rpm -- mais do que a Fazer (21 cv) e próximo da CB 300R (26,5 cv). Já o torque máximo é de 2,75 kgfm (aos 6.500 giros) também superior ao modelo da Yamaha e próximo do oferecido pela Honda.

FIM DAS CONTAS
Por ser uma moto urbana, na estrada o ronco do motor pode incomodar. Fora isso, seu desempenho permite viajar em rodovias rápidas, mas o piloto se sentirá melhor em rodovias secundárias recheadas de curvas, onde é possível desfrutar de sua ciclística impecável.

Entre as cores disponíveis estão vermelha, preta e pérola (branca). Para quem é iniciante no mundo do motociclismo, mas já teve experiências com streets menores, a Dafra Next 250 surge como uma boa opção pelo design diferenciando, motor arrefecido a líquido e preço competitivo.

O primeiro produto da Dafra em parceria com a taiwanesa SYM, o scooter Citycom 300, conquistou os brasileiros. Agora é esperar para ver a reação dos motociclistas em relação à Next 250. Já dá para imaginar.

UOL Cursos Online

Todos os cursos