Nova Honda Biz EX é diferente, mas cobra mais caro por isso

Da Infomoto

Rodas de liga leve, freio dianteiro a disco, novo farol e piscas dianteiros com refletores multifocais, injeção eletrônica de combustível, grafismos exclusivos e motor flex. Não estamos falando de um modelo de grande porte, mas sim da nova Honda Biz 125 EX que, por R$ 6.590, oferece todos esses itens -- as versões mais populares KS e ES custam R$ 5.297 e R$ 5.854, respectivamente.

Desde que foi lançada, em 2005, a Biz domina o segmento CUB e já superou a marca de 970 mil unidades comercializadas. Para ser ter ideia, só em 2011 a CUB da Honda já vendeu 101.247 unidades, sendo o quinto veículo mais vendido do País, atrás apenas de Honda CG 150, Honda CG 125, VW Gol e Fiat Uno, de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

E foi devido a todo esse sucesso que a Honda decidiu lançar, este ano, a Biz 125 EX, sucessora da Biz+. Modelo com aspecto esportivo, já que suas cores, grafismos e as rodas de liga leve em seis pontas a elevam a um nível exclusivo, mesmo que cobre R$ 736 a mais por isso. Na prática, a diferença compensa? Fomos verificar.

BIZ x BUSÃO
Uma novidade que faz da Biz uma boa opção para o dia a dia dos grandes centros é a adoção do sistema flex. A tecnologia antes disponível apenas nas CG 150 Titan, CG 150 Fan e NXR 150 Bros veio dar mais dinamismo à Biz. Além de mais barato, o etanol está alinhado com a estratégia de diversificar as matrizes energéticas e tem a vantagem de ser uma fonte de energia renovável e menos poluente quando comparado à gasolina.

Com o etanol, o modelo testado rodou mais de 40 km/litro, ou seja, a Biz oferece uma autonomia superior a 220 km, já que seu tanque tem capacidade para 5,5 litros. Fazendo uma comparação com o transporte público, uma pessoa que utiliza duas conduções diárias a R$ 3 cada, por exemplo, gasta R$ 120 mensais, considerando somente dias úteis. A bordo da Honda Biz, com o preço médio do litro de etanol a R$ 1,79 (na capital paulista), os mesmos R$ 120 gastos em combustível seriam suficientes para rodar mais de 2.680 km no mês.

Mercado CUB

  • Infomoto

    A Biz, desde seu lançamento, domina o segmento CUB no Brasil. O espaço generoso que há sob o banco é um dos fatores que contribuem para isso, mas esse porta-objetos só apareceu no modelo 2011. Então qual seria o motivo?

    A Yamaha Crypton (foto) ficou fora do mercado por cinco anos, de 2005 a 2010. Em 2011 a Crypton vendeu 11.615 unidades, de acordo com a Fenabrave, ou seja, quase dez vezes menos que a Biz. Mas em 2010 a CUB da Yamaha teve 18.368 unidades comercializadas durante todo o ano, o que mostra que neste ano a Crypton já vendeu mais de 60% do que foi comercializado durante todo o ano passado, sendo que ainda nem se encerrou o mês de junho.

    Já a Dafra disponibiliza a Zig 100. Terceira mais vendida do segmento, a CUB da Dafra teve 3.555 unidades comercializadas em 2011, o que só comprova a força da Honda e, em especial, da Biz.

    E a quarta CUB mais vendida no país neste ano é a Win 110, da Kasinski. Foram 1.355 unidades.

RENOVAÇÃO
O modelo 2011 da líder da categoria chegou às concessionárias totalmente renovado. Chassi e carenagem receberam alterações em cerca de 95% de seus componentes. Essas alterações deixaram a Biz mais ágil na cidade, o que é bom, já que sua proposta é totalmente urbana. O chassi, do tipo monobloco, não transmite muita firmeza ao piloto. A Biz, até pelo seu porte, não é uma moto que encara buracos com tranquilidade. O piloto deve ter uma condução consciente, fugindo de obstáculos maiores.

Aliás, o conjunto de suspensões contribui muito para isso. Excessivamente macias, as suspensões dianteira telescópica, com 100 mm de curso, e traseira, com dois amortecedores de 86 mm de curso, não copiam as irregularidades do asfalto com perfeição. A moto vai bem nos percursos urbanos, mas o condutor deve sempre se lembrar que está a bordo de um veículo frágil.

Por outro lado, os freios agradaram. Mesmo sendo uma unidade zero-quilômetro, o disco dianteiro de 220 mm e o tambor traseiro de 130 mm pararam a Biz com eficiência e transmitem confiança sempre que exigidos. Outro ponto positivo na nova Biz está no tamanho dos aros. O traseiro de 14” e o dianteiro de 17” em rodas de liga leve estão de acordo com a proposta e, se não permitem que o piloto abuse nas curvas, são mais eficientes que os acanhados aros usados nos scooters, de até 10”.

FICHA TÉCNICA: Honda Biz EX

Motor: OHC, 124,9 cm³, monocilíndrico, quatro tempos, arrefecido a ar.
Potência máxima: 9,1 cv a 7.500 rpm.
Torque máximo: 1,01 kgfm a 3.500 rpm.
Câmbio: Semi-automático e rotativo de quatro marchas.
Transmissão final por corrente.
Alimentação: Injeção eletrônica. Partida elétrica.
Quadro: Monobloco.
Suspensão: Dianteira por garfo telescópico com 100 mm de curso; traseira bichoque, com 85 mm de curso.
Freios: Dianteiro a disco, traseiro a tambor.
Pneus: Dianteiro 60/100 – 17M/C 33L; traseiro 80/100 – 14M/C 49L.
Dimensões: C x L x A não disponível; 1.261mm (entre-eixos); 130 mm (distância do solo); 753 mm (altura do assento).
Peso: 103 kg a seco.
Tanque: 5,5 litros.

VISUAL
A Biz 125 2011 teve seu design reformulado. O escudo frontal ficou maior, a carenagem agora tem maior área pintada na cor na moto e o escapamento está todo preto. Na dianteira, o conjunto ótico é composto por novo farol e piscas dianteiros com refletores multifocais. Na traseira, os piscas não estão mais juntos com a lanterna, sendo localizados abaixo do conjunto. Essa nova alternativa da Honda para os piscas traseiros não agradou nossa equipe, mas esquecendo a questão estética, de fato estão mais funcionais.

O novo assento em dois níveis ficou mais plural, aceitando pilotos de todos os tamanhos. Para o garupa, o conforto foi reforçado pelas novas pedaleiras, agora fixadas ao chassi. Entretanto, a Biz perde muito fôlego ao levar um passageiro. O novo painel de instrumentos traz hodômetro, marcador do nível de combustível e escala de utilização das marchas no velocímetro, além de luz de diagnóstico da injeção eletrônica. Visando auxiliar o consumidor em relação ao funcionamento da tecnologia bicombustível, o painel traz ainda a luz “ALC”, que acenderá sempre que houver mais de 80% de etanol no tanque e piscará em condições de temperatura ambiente abaixo de 15°C.

MOTOR
Com 124,9 cm³ e quatro marchas semi-automáticas, o propulsor OHC (Over Head Camshaft), quatro tempos, arrefecido a ar, só ganhou novos balancins roletados no cabeçote. Essa alteração deixou a moto mais eficiente e progressiva. O engate das marchas é preciso e não deixa o piloto na mão nem nas maiores subidas -- potência máxima é de 9,1 cv a 7.500 rpm e torque de 1,01 kgf.m a 3.500 rpm, com ambos os combustíveis. O câmbio é semi-automático e rotativo, dispensando o acionamento manual da embreagem.
Um destaque negativo fica para o pedal de partida. A versão EX também tem partida elétrica, mas o pedal fica posicionado de forma conflitante com o pé direito do piloto. Basta fazer uma curva ou mesmo flexionar o pé, que o pedal incomoda, forçando o pé a ficar curvado para o lado.

VALE A PENA?
Seja por limitação de outras fabricantes ou por méritos da Honda, a Biz é hoje a terceira moto mais vendida no Brasil. Sua ciclística se mostrou bem acertada, a economia de combustível impressiona e seu torque não deixa o piloto na mão na cidade. Por essas e outras a Biz continua soberana do segmento CUB. E respondendo se vale a pena pagar mais R$ 736 para ter a versão EX em vez da ES, de acordo com nossa opinião, sim. Mesmo considerando a única diferença relevante de um modelo para o outro, o freio a disco dianteiro de 220 mm, o ganho em segurança já bastaria para justificar a conta. (por André Jordão)



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