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Bem equipada, BMW F 700 GS nacional é porta de entrada para motos de luxo

Aldo Tizzani

Da Infomoto, em São Paulo (SP)

Nacionalizada, trail de 75 cv parte de R$ 39.950

Montada na nova fábrica da BMW em Manaus (AM), a F 700 GS passa a ser porta de entrada para a marca alemã. Com foco em viagens pelo asfalto, mas com características que permitem deslocamentos por terra, o novo modelo tem motor bicilíndrico de 75 cv, roda de 19 polegadas na dianteira, suspensões com bom curso, controle de tração e freios com ABS.

Apresentada no último Salão do Automóvel de São Paulo, a nova BMW custa R$ 39.950.

Com muita ambição para crescer no segmento voltado para as motos aventureiras, a nova F 700 GS tem bom número de itens de série, além de extensa lista de acessórios. Vai enfrentar, porém, a forte concorrência da Triumph Tiger 800 XR, que também oferece um bom pacote tecnológico, por R$ 37.990. Outra concorrente é a Honda NC 750X cotada a R$ 36.500, mas que fica devendo em cavalaria (54,5 cv de potência) e pacote eletrônico, limitado aos freios ABS permanentes.

Ciclística acertada

Se comparada com a 800 GS, a F 700 GS tem menor distância entre-eixos, em função da nova balança traseira. A grande diferença está mesmo nas rodas e pneus: enquanto a F 800 GS tem roda de 21 polegadas na dianteira, a 700 GS usa aro 19 com pneu 110/80; na traseira, a roda é aro 17 polegadas, mas com um pneu 140/80. Com isso, o modelo de entrada da linha trail é mais ágil nas mudanças de direção e mais obediente nas curvas.

Mais voltada para o asfalto, a F 700 GS foi uma grata surpresa na terra. Foi só diminuir a pressão dos pneus para tornar o passeio pela região de Brotas (SP) bastante divertido. Certamente, com roda aro 21 na dianteira e pneus específicos para o off-road a diversão seria completa. Para isso, porém, o motociclista pode optar pela F 800 GS.

Já a tocada mais dócil e ágil no asfalto, além de oferecer boa ergonomia, é boa notícia inclusive para os mais baixos: o assento está a apenas 820 mm do solo.

Suspensões também mudam. Na dianteira, garfo telescópico convencional com tubos de 41 mm de diâmetro -- na F 800 GS há garfo invertido (upside-down). Na traseira, a balança de alumínio é monoamortecida com regulagem da pré-carga da mola. O curso de suspensão é igual em ambas as rodas (170 mm).

O sistema de freios tem duplo disco de 300 mm de diâmetro com pinças flutuantes na dianteira. Já, na traseira, disco único de 265 mm, também com pinça flutuante. Freios e suspensão se mostraram eficientes, mesmo em condições severas de uso, com mudanças constantes no tipo de piso -- do asfalto perfeito até estradas cheiras de pedras, areia e "costelas de vaca".

Bem equipada

A F 700 GS traz computador de bordo (que conta até com monitoramento de pressão dos pneus), manoplas aquecidas, protetor de mão, tomada 12 Volts, cavalete central, lanterna e piscas de LED como itens de série. Rodas de liga leve, pneus de uso misto e padrão estético seguem linha GS e e são compartilhados com sua irmã mais famosa e mais off-road, a F 800 GS.

Chassi tubular em aço e o motor de dois cilindros também são herdados. Mas a 700 GS tem novos comandos de válvulas e outro mapeamento da injeção eletrônica.

Falando do motor...

Fabricado pela chinesa Loncin, o 2-cilindros que equipa a F 700 GS conta com oito válvulas, duplo comando, refrigeração líquida e 798 cm³ de capacidade cúbica. A nova configuração perdeu 10 cv se comparada à da F 800 GS: máximos de 75 cv de potência, a 7.300 rpm, e 7,85 kgfm de torque, a 5.300 rpm.

Na prática, a entrega de potência está mais suave, mas ainda há fôlego desde os baixos giros. A 120 km/h, o motor gira pouco, 4.000 rpm. Basta aumentar mais 1.000 giros para a velocidade saltar para 140 km/h, sem esforço. A velocidade pode chegar a 200 km/h, mas assim como na 800 GS, em giros mais altos a vibração transferida para as mãos do piloto incomoda.

O consumo é pertinente à capacidade e potência. Neste teste de mais de 550 quilômetros (cerca de 50 quilômetros por estradas de terra), no interior de São Paulo, o consumo variou entre 18 km/l e 23 km/l. O tanque tem capacidade para 16 litros, conferindo mais de 300 quilômetros de autonomia.

A F 700 GS sai de fábrica com controle de tração e ABS. Os sistemas eletrônicos do modelo são mais voltados para a segurança e, portanto, intrusivos demais. A boa notícia é que podem ser facilmente desligados (em conjunto ou em separado) para rodar no fora de estrada, porém é preciso mais habilidade do piloto.

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