Testes e lançamentos

Motor 3-cilindros é saída (quase) obrigatória para fazer carro econômico

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Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Fernando Calmon lista quem já se rendeu à tendência

A forte guinada dos fabricantes de veículos em direção aos motores de três cilindros é reflexo direto das exigências de diminuição de consumo de combustível do programa Inovar-Auto (2013-2017). Considera-se como certa nova rodada de metas de eficiência energética a partir de 2018.

Entre as quatro marcas veteranas do mercado apenas a Chevrolet (ainda) não optou por essa alternativa. Kia Picanto (importado) e Hyundai HB20 (nacional, mas com motor importado) foram os pioneiros em 2011 e 2012. Depois vieram Volkswagen -- up!, Fox, Gol, Voyage e Golf (turbo) --, Ford (Ka e Fiesta (turbo) --, Nissan -- March e Versa --, Peugeot-Citroën (208 e C3) e Fiat (Uno e Mobi).

Para os próximos anos já é certa a inclusão de Ford EcoSport e Renault Kwid à lista.

Renault adere à onda

Renault foi a mais recente a entrar na onda, oferecendo uma nova família de motores flex: 1 litro 3-cilindros e 1,6 litro 4-cilindros. O motor 1.0 é todo novo: tem bloco de alumínio e pesa 20 kg menos que o velho HiPower de quatro cilindros. Nada há em comum com o atual da Nissan, segundo a marca. Batizado de SCe (Smart Control efficiency), será aplicado em veículos brasileiros antes mesmo da França. 

Traz soluções atuais, como duplo comando variável, quatro válvulas por cilindro e revestimento de baixo atrito em tuchos, pistões e polias do cabeçote. Para diminuir custo de manutenção, a correia dentada de distribuição foi substituída por corrente.

Potência e torque alcançam 79/82 cv e 10,2/10,5 kgfm (gasolina/etanol). O ganho em relação à unidade motriz anterior foi de apenas 2 cv. Torque não aumentou, embora apresente valores até 15% maiores em rotações baixas.

Consumo com gasolina de 14,1/14,2 km/l (estrada/cidade) do Sandero é o melhor na categoria dos hatches compactos, segundo o Programa de Etiquetagem do Inmetro. No entanto, ao usar etanol não se destaca: 9,5/8,1 km/l (estrada/cidade), também com combustível derivado do petróleo.

No sedã Logan os números de consumo são semelhantes, pois há diferença de apenas 8 kg no peso em ordem de marcha, de acordo com a ficha técnica do fabricante.

Direção assistida eletro-hidráulica, pneus “verdes” e gerenciamento de recuperação de energia ajudaram para que os dois compactos anabolizados ficassem até 19% mais econômicos. Um senão é manter o arcaico sistema de partida auxiliar com gasolina, quando há etanol no tanque em dias frios.

Funcionou na prática?

Em circuito de uma hora de duração, no entorno de Curitiba, o 3-cilindros, mesmo sem coxim hidráulico, mostrou nível de vibração um pouco menor que a média dos motores atuais nessa configuração. Porém, diminuição de ruído dependeria de material fonoabsorvente adicional.

Consumo foi o esperado, pelo computador de bordo. Comando do câmbio manual ficou bem melhor: finalmente, a Renault adotou o sistema por cabo.

Embora estivesse indisponível para avaliação inicial, houve grande melhora no motor de 1,6 litro de quatro cilindros e 16 válvulas, de origem Nissan. O ganho de peso foi ainda maior (30 kg), graças ao bloco de alumínio. Valores de potência subiram bastante: 115/118 cv (gasolina/etanol). Torque cresceu para bons 16 kgfm, estranhamente com ambos os combustíveis.

Consumo em relação à antiga unidade de oito válvulas melhorou até 21%, com ajuda do sistema desliga-liga o motor (possibilidade de inibir por botão no painel). Sandero vai de R$ 42.700 a 47.100 na configuração 1.0 (70% do mix previsto) e R$ 49.790 a 54.620 na 1.6 litro. No Logan, de R$ 46.300 a 48.200 (1.0; 30% do mix) e R$ 52.770 a 56.400 (1.6).

Roda Viva

+Segundo a fabricante de processadores Intel, os primeiros carros autônomos em circulação, por volta de 2021, exigirão nada menos de 4.000 gigabytes (GB) de fluxo de dados diariamente. Essa quantidade colossal para plena conectividade estará distribuída entre cinco fontes: GPS, radar, sonar, lidar e câmeras de vários tipos.

+Especialistas acreditam que essa quantidade de dados para tráfego pela internet móvel não é algo trivial. Até mesmo a quinta geração (5 G), já em teste em países avançados, seria insuficiente. No caso do Brasil, se o atual ritmo lento de expansão de redes móveis rápidas continuar, teríamos de esperar até 20 anos pela direção autônoma.

+Evolução mecânica do Cobalt é bem clara, tanto no tráfego de cidade como em estrada. Chevrolet optou por não apenas melhorar o consumo de combustível (agora nota A) do veteraníssimo motor de 1,8 litro. Torque de 17,7 kgfm (etanol), câmbio manual de seis marchas, diminuição de massa e melhora aerodinâmica o destacam entre sedãs compactos-médios.

+Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária, da MAPFRE) anunciou resultados de sua pesquisa em 90% dos veículos de passageiros à venda no país, em 2015. Centrou-se em itens de série quanto à segurança ativa, passiva e de proteção ao pedestre, além de assistência ao condutor. Focus, Renegade, Ranger, Civic, EcoSport e Golf ocuparam as primeiras posições.

+Seguro de automóveis por quilometragem rodada, hoje disponível para caminhões no Brasil, parece pouco atraente para automóveis, segundo Eduardo Dal Ri, vice-presidente da SulAmérica. No entanto, ele acredita que o amadurecimento do motorista poderá levar à criação de apólices mais em conta para quem aceitar aplicativos de monitoramento da forma de dirigir.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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