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Alta Roda

Atualizada em 01.11.2016 09h16

Duster Oroch era o meio-termo que faltava entre as picapes no Brasil

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Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Há cerca de quatro anos, o executivo-chefe da aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, afirmou em visita ao Brasil que a filial brasileira da marca francesa não tinha planos para produzir uma picape com base na arquitetura do Duster/Logan/Sandero. Na realidade ele queria só despistar e, mais do que isso, esconder os planos para uma picape compacta de quatro portas no mercado nacional.

No Brasil, a primeira picape derivada de um hatch, em 1978, baseou-se no Fiat 147. Nesses 37 anos, o segmento cresceu e se diversificou. Representa uma nada desprezível participação em torno de 5% das vendas de todos os veículos leves. A marca italiana investiu na diversificação: cabines estendida, dupla e dupla com três portas. A Renault, porém, oferece agora um produto ainda mais conveniente, de quatro portas.

Fiat Strada de três portas, líder inconteste nessa “praia”, tem na Duster Oroch um concorrente de peso. Além da ótima caçamba com 683 litros de volume, a recém-lançada picape derivada do Duster dispõe de motores flex 1.6 (115 cv com etanol) e 2.0 (148 cv), e câmbio manual de cinco marchas e seis marchas, respectivamente.

A segunda versão tem peso em ordem de marcha 54 kg maior (1.346 kg contra 1.292 kg), mas a capacidade de carga declarada é a mesma, 650 kg, algo tecnicamente incoerente. No início de 2016 estarão disponíveis versões 4x4 e câmbio automático. Preços são bem competitivos: R$ 62.290 a R$ 72.490, em especial por ter uma porta extra e, de longe, a cabine mais espaçosa para pernas, cabeças e ombros de três pessoas no banco traseiro, em razão da distância entre-eixos 15,5 cm maior que o SUV Duster.

Racionalidade

Desenho da nova picape, em especial da seção traseira, é harmonioso com lanternas bem dimensionadas. O conjunto até agrada mais do que o próprio Duster, embora a terceira coluna merecesse linhas mais ousadas.

Belos trabalhos de reforços e ajustes das suspensões independentes na frente e atrás se destacam na nova picape. O motor de menor cilindrada tem que lidar com 90 kg extras em relação ao utilitário esporte do qual deriva. Por isso, a versão de 2 litros é melhor e faz diferença sensível para quem pretende, de fato, utilizar o veículo na plenitude de espaço e de carga. Freios traseiros deveriam ser a disco e não a tambor, considerando as características de uso do veículo.

Entre os acessórios há o batido kit de penduricalhos dentro do conceito “aventureiro” e recursos úteis como extensor de caçamba -- que serve de rampa para uma motocicleta --, apresentado pela primeira vez na Strada.

Posição de guiar é boa, embora sem ajuste de distância do volante (apenas de altura, com o nada suave sistema de “queda-livre”). Direção hidráulica está bem calibrada, enquanto o comando do câmbio por cabo permitiu evolução nas trocas de marchas. Visibilidade do quadro de instrumentos melhorou em relação ao Sandero/Logan. Sistema multimídia com tela tátil de sete polegadas é completo e inclui navegador GPS pouco intuitivo ao programar ou alterar rotas.

Duster Oroch, em resumo, é um produto que faltava no mercado brasileiro. É mais racional que as tradicionais e pesadas picapes médias e tem espaço interno bem superior às compactas. Atende trabalho e lazer a preço atraente. 

Roda Viva

  • Anfavea resolveu jogar a toalha sobre previsões neste terrível ano de 2015. Em abril último a entidade estimava queda de vendas (mercado total) de 13% e menos 10% na produção, em relação a 2014. Agora, seus números apontam que vendas deverão cair 27% (para 2,54 milhões de unidades) e produção, 23% (para 2,41 milhões de unidades).
     
  • Cenário só não é pior porque exportações reagem ao estímulo de desvalorização do real. Vendas externas de unidades montadas podem crescer 12% este ano sobre 2014. Antes se previa apenas mais 1% em referência ao ano passado. Mais preocupante: e apesar de cortes na produção, estoques caíram de 53 para 52 dias. Isso abre boas oportunidades aos compradores.
     
  • Conforme essa coluna havia antecipado, Jaguar Land Rover só agora confirmou que o Range Rover Evoque (já atualizado) será o primeiro produto a sair de sua nova fábrica de Itatiaia (RJ), no início do segundo semestre de 2016. Virá, logo sem seguida, o novo Discovery Sport, de sete lugares. Jaguar XE continua nos planos para ser o terceiro produto do grupo inglês.
     
  • Preço ficou mais alto em versão única de sete lugares, R$ 183.900, mas nova geração do Kia Sorento ganhou bastante no refinamento de linhas. Com 8 cm a mais de entre-eixos, os ocupantes têm mais espaço, ajudados pelo assoalho plano atrás. Motor V6 de 270 cv e câmbio automático de seis marchas formam um conjunto silencioso e ágil para seus 4,78 m de comprimento.
     
  • Reação da Ford à chegada do HR-V e do Renegade foi rápida ao reconhecer o avanço de preferência de câmbio automático nesse segmento. Agora o EcoSport oferece essa opção, em versão automatizada de dupla embreagem e seis marchas, também com motor 1.6 (potência aumentada para 131 cv e torque, para 16,1 kgfm). Preço parte de R$ 68.690.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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