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Transferência eletrônica simplifica (só um pouco) a venda de usados

AutoInforme
Medida visa a reduzir tempo e valor gasto no processo em quase R$ 1.000 imagem: AutoInforme
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Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Em tempos de economia em depressão, qualquer boa novidade traz ânimo ao mercado de automóveis. Enquanto as vendas de veículos novos estão em forte queda acumulada de mais de 20% em relação a 2014, o setor de usados como um todo conseguiu até agora um crescimento de 4% e o de seminovos (até três anos de uso) em particular, cerca de 5%. Essa é sinalização de que em algum momento de 2016 a recuperação se iniciará.

A Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores) reúne 48 mil lojas independentes de carros usados em todos os Estados e no Distrito Federal e tem mostrado atuação bastante ativa. A entidade classifica como “usado jovem” o veículo de quatro a oito anos; “usado maduro” o de nove a 12; e “velhinho” aqueles acima de 13 anos. Não por acaso coordenou o 1º Encontro Estratégico das Lideranças do Setor Automobilístico com Anfavea, Fenabrave, Sindipeças, Abac e Febraban, em São Paulo.

Justamente nesse evento foi anunciado pelo Ministério das Cidades e a Secretaria da Micro e Pequena Empresa o Renave (Registro Nacional de Veículos em Estoque), cuja implantação ocorrerá na sua totalidade em março do próximo ano. Vai integrar a nota fiscal eletrônica de compra do automóvel usado ao seu registro no Denatran e Detrans. Terminam despesas puramente burocráticas e cartoriais que representam custos de quase R$ 1.000, fora o tempo perdido.

Inicialmente só as concessionárias participarão do Renave, mas a tendência é que lojistas independentes também participem. Ajudará, inclusive, a diminuir o grau de informalidade e a aumentar a segurança dos negócios em benefício do consumidor e do comerciante.

Não dá para saber agora o porcentual daqueles R$ 1.000 que será repassado ao proprietário particular ao vender seu modelo usado para concessionária ou lojista. Esse custo tem influência maior em veículos de menor preço e, quem sabe, ajudará o mercado de forma mais ampla. Afinal, para cada carro novo comercializado cerca de três usados trocam de mãos.

Esperam-se outras medidas desburocratizantes para ajudar a simplificar os processos comerciais e de financiamentos. Às vezes não basta somente mudar a lei. Até agora os efeitos de retomada de veículos de pessoas e empresas inadimplentes que limitariam os riscos de crédito e, por consequência, as taxas de juros estão aquém do esperado. Durante o encontro acima citado, relatou-se que juízes nos Estados resistem a cumprir os prazos de lei nos processos de recuperação de veículos cujos donos deixaram de pagar as prestações.

Infelizmente, o respeito aos contratos no Brasil, que deveria ser algo rígido como nos países evoluídos, sofre intervenções ou interpretações distorcidas. Tentar proteger o mau pagador acaba mesmo por prejudicar a imensa maioria que paga em dia.

Por outro lado, a voracidade fiscal dos governos cria outros obstáculos. Um deles é vincular as multas de trânsito ao veículo e não ao motorista. Traz distorções e burocracia típicos do chamado custo Brasil, como um motorista “herdar” os pontos do infrator, se um veículo usado vendido em um Estado é transferido para outro. Até quando absurdos como esse continuarão a prosperar?

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Cinco dicas para comprar um carro usado sem medo

Roda Viva

  • Volkswagen terá uma leva de novidades nos próximos três anos no segmento de crossovers. Projetos anunciados, informa Automotive News, incluem um concorrente direto do HR-V e Renegade (forte candidato a também se produzir aqui), que se juntará ao Tiguan redesenhado (talvez possa ser fabricado no Paraná) e a um modelo maior do porte do Audi Q7.
     
  • Entre “veteranos de guerra” oferecidos no mercado, citados na coluna da semana passada, faltou contabilizar o Clio. Fabricado no Paraná e agora apenas na Argentina, esse modelo só recebeu maquiagens desde 1999. Estabelecido entre Corsa sedã (Chevrolet Classic), de 1995 e o Palio Fire, de 2006 o compacto da Renault continua ainda por no mínimo dois anos.
     
  • Mini John Cooper Works chega ao Brasil como o mais potente desde que John Cooper iniciou uma parceira com a marca inglesa em 1961 para versões de alto desempenho. Motor é o BMW de 2 L turbo/231 cv, capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 6,1 s e vem equipado com freios Brembo para lidar com tanta impetuosidade. Porta-malas limita-se a 211 litros. Preço: R$ 153.950.
     
  • Navegador TomTom GO600, topo de linha por R$ 1.500, conecta-se ao telefone por Bluetooth e destaca-se pela tela de 6 polegadas de alta definição.  Recalcula rotas em tempo real, mas, em comparação simultânea a um celular inteligente e aplicativo Waze, não conseguiu traçar um roteiro melhor em seis de oito avaliações. Peso também diminui sua portabilidade.
     
  • Tarlhio dos Santos, de Belo Horizonte, patenteou um sensor de nível de combustível inteligente no bocal do tanque que tem capacidade de medir o volume exato de abastecimento. Em teoria acabariam as fraudes nas bombas dos postos de serviço. Segundo a Associação Nacional de Inventores, ele procura interessados em investir na ideia e disponibilizá-la em escala comercial.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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