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Entidades se unem para cobrar do governo inspeção veicular nacional

Apu Gomes/Folhapress
Plano de inspeção em todos os Estados jamais foi colocado em prática; país só possui registro de ações isoladas em cidades como São Paulo e no Estado do Rio de Janeiro imagem: Apu Gomes/Folhapress
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Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Roberto Scaringella, engenheiro civil e jornalista, falecido em 2013, fundador da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) de São Paulo e ex-presidente do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), cunhou a frase: “Justiça social não se confunde com a necessidade de Inspeção Técnica Veicular”. Ele se referia aos sucessivos adiamentos da ITV, em razão de muitos acharem injusto tirar de circulação veículos velhos, na realidade mal conservados.

Em 2015, completam-se 18 anos que o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) estabeleceu abrangência nacional da inspeção. No 23º Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva (Simea), realizado no final do mês passado em São Paulo, 20 entidades, incluindo Anfavea (associação das fabricantes), Fenabrave (federação dos concessionários), e Sindipeças (sindicato dos fornecedores de peças) assinaram uma carta aberta, destinada ao ministro das Cidades, Gilberto Kassab, sobre a urgente implantação, por todos os Estados, da ITV.

A missiva aponta itens técnicos, ambientais e de saúde para justificar que o programa saia do papel. "Uma fração importante das cerca de 45 mil mortes anuais associadas a acidentes de trânsito poderia ter sido evitada se os veículos estivessem em condições adequadas de manutenção", diz um trecho. Para lê-la na íntegra, clique aqui.

Será que a maioridade do CTB agora será respeitada em meio à crise econômica e política? 

Renato Stockler/Folhapress
Objetivo da ITV é retirar de circulação veículos mais antigos que estejam mal conservados e extrapolem os limites de emissão imagem: Renato Stockler/Folhapress

Demais temas

Contudo, o Simea 2015 não se resumiu a isso. Organizado pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, reuniu mais de 1.200 participantes e atraiu cerca de 60 trabalhos técnicos relacionados ao escopo "Tecnologia e Conectividade Melhorando a Mobilidade".

Uma das apresentações mais interessantes foi a da Ericsson com projeto de tráfego conectado em nuvem. Trata-se de plataforma de Internet para compartilhar anonimamente as condições de trânsito em tempo real entre veículos conectados e administradores de circulação em ruas e estradas, sem desrespeitar a privacidade das pessoas. Para a Microsoft, o telefone celular é o novo painel do automóvel, capaz de informar, controlar e até assumir comandos antes exclusivos dos motoristas.

No Brasil, rodovias pedagiadas também vão implantar novas tecnologias para se chegar ao sistema ideal de cobrança por trecho percorrido. Em futuro ainda um pouco distante, as cabines de cobrança poderão ser substituídas por cortina de raios laser que ajudarão a identificar o uso que cada veículo fez da estrada. Afinal, espera-se que um dia o carro seja usado mais “a passeio” em viagens e menos nos deslocamentos urbanos.

Pensando mais no presente, três empresas de autopeças apresentaram um novo sistema universal de partida a frio para motores flex quando usam etanol. Iniciativa da Mahle, criadora do inovador módulo de pré-aquecimento, contou com laboratórios da Continental para testes e gerenciamento eletrônico. Como é mais eficiente que os dispositivos atuais em termos de consumo de energia da bateria, emissões e economia de combustível, surgiu a ideia de incluir novo catalisador de custo menor e, para tanto, a Umicore participou.

Projeto idealizado por engenheiros brasileiros, que dividiram conhecimentos sem visar vinculação entre as três empresas e a preço bastante competitivo, será oferecido a qualquer fabricante de motor com os atuais equipamentos de injeção indireta de etanol/gasolina (mais de 90% dos modelos à venda, hoje). União fez a força.

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Roda Viva

  • Confirmado fim de produção do Chevrolet Celta, restam ainda em linha dois “veteranos de guerra”: Classic (praticamente igual desde 1995) e Fiat Palio Fire (de 2006). O primeiro ainda não tem data de aposentadoria, enquanto o segundo deve parar em 2016, com a estreia de um subcompacto que será seu substituto direto. O primeiro representante do segmento foi o 147, seguido pela primeira geração do Ford Ka e, mais recentemente, Volkswagen up!.
     
  • GM, em plano mundial, diversifica além dos motores 3-cilindros de 1 a 1,5 litro (aspirado e turbo). Durante seminário sobre inovações atuais e futuras, realizado em junho, em Detroit (Estados Unidos), a montadora mostrou câmbios manuais de cinco, seis e sete marchas, e três tipos de automáticos/automatizados: CVT, DCT (dupla embreagem) e convencional (conversor de torque) de seis, oito e, em breve, dez velocidades.
     
  • Hyundai ix35 recebeu mudanças de meia-geração, basicamente em faróis e lanternas. SUV compacto-médio produzido em Anápolis (GO) agora tem três versões, cujos preços vão de R$ 99.990 a R$ 122.990, o que dá flexibilidade de escolha. Previsão de vendas: 1.800 unidades/mês. Suspensões ficaram mais macias e confortáveis, mas seu curso poderia ser um pouco maior.
     
  • Terminou, depois de três anos e meio, a disputa na Justiça internacional entre Suzuki e Volkswagen. Marca japonesa queria recomprar dos alemães o lote de ações vendidas (19,9% do seu capital) em 2009, porque o acordo de transferências mútuas de tecnologias não funcionou a contento. Tribunal deu ganhou de causa à Suzuki.
     
  • Aprovada na Câmara dos Deputados, mas ainda dependendo do Senado, obrigatoriedade de uso de faróis durante o dia nas estradas. Há dúvidas sobre a exigência em países tropicais. Os EUA, com a maior frota de veículos do mundo e depois de longos estudos, recusaram a proposta. Bom mesmo são luzes de uso diurno (LEDs), que não se confundem com faróis comuns.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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