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up! TSI quer revolucionar segmento que brasileiro ainda não entendeu

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Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Desde o final de semana passada, com a chegada do up! TSI, o Brasil tem pela primeira vez um automóvel mais avançado tecnologicamente em termos de motor que o mesmo veículo comercializado na Europa -- em regra o país vai a reboque de países centrais ou, em alguns poucos casos, até recebe primeiramente um novo modelo com alguns meses de antecedência.

No caso do carro de entrada da Volkswagen, além de reconhecido como primeiro turboflex fabricado no Brasil (os da BMW e PSA Peugeot Citroën são importados), nem na Europa essa motorização -- no caso apenas a gasolina -- está, por ora, disponível. Na realidade, a própria VW já produziu motor 1.0 turbo (gasolina), a exemplo deste, para Gol e Parati entre 2000 e 2002, focado em desempenho.

Entretanto, o TSI faz o casamento perfeito entre injeção direta e turbocompressor (antes a injeção era indireta) dentro do conceito moderno de aumentar o desempenho e simultaneamente obter menor consumo de combustível. De maneira simplificada, oferece potência 28% maior (105 cv) e torque 61% superior (16,8 kgfm), ambos com etanol. Ainda assim, consegue economia de etanol e gasolina de cerca de 6% e se transformou no modelo de menor consumo do país -- aliás, ele só perde para híbridos com motores a combustão e elétrico.

Murilo Góes/UOL
Para comportar turbo no cofre, Volkswagen precisou "esticar" frente em 4 cm imagem: Murilo Góes/UOL

Na prática

O desempenho deste três-cilindros equivale ao de um motor aspirado comum de 1,8 litro, só que na estrada ele é capaz de superar 20 km/l com gasolina a 120 km/h. O motor roda a apenas 2.900 rpm e garante silêncio a bordo. Diferencial do câmbio foi alongado em 26% para o máximo de economia e ainda assim a aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 9,1 s com etanol.

Sua elasticidade impressiona porque o torque se mantém entre 1.500 e 4.500 rpm. O número de trocas de marchas é bem menor em relação ao up! convencional.

A marca oferece o motor TSI para quase todas as versões (menos a de entrada, take up!) por R$ 3.100, sendo que nas mais caras (high, white, red e black), incluída a nova speed up!, ele passa a ser a única opção. Preços vão de R$ 43.490 a 49.900. Para reconhecê-lo, além do emblema TSI com o "I" vermelho, a tampa do porta-malas é pintada de preto (não reconhecível em carros na cor preta, claro) e o para-choque dianteiro é 4 cm mais pronunciado por abrigar radiador maior.

Compensa?

Quem roda dentro da média nacional de 12 mil km/ano obteria retorno do valor pago a mais em pouco mais de 10 anos. Para se ter ideia, um Renegade diesel, caso existisse versão equivalente mecanicamente à de um motor flex, levaria mais de 20 anos para se pagar com a economia de combustível.

Só que o prazer ao dirigir é incomparável: muito mais ágil do que qualquer outro de seu segmento (inclusive de modelos de maior porte e potência), o up! também é mais fácil de estacionar (apenas 3,64 m de comprimento) e seu comportamento em curvas é irrepreensível em razão de suspensões um pouco mais firmes.

Apesar disso, o conceito de subcompacto não foi, até agora, absorvido pelo motorista brasileiro. Tanto que a GM não deu tanta importância a tal produto no plano adicional de investimentos (ver Roda Viva). Ainda assim, o up! alcançou 2,4% do mercado de hatches e sedãs compactos no primeiro semestre do ano e com a versão TSI pode chegar a 3%. Meta bastante razoável para um hatch moderno.

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Roda Viva

  • General Motors dobrou a aposta no Brasil ao anunciar aporte adicional de R$ 6,5 bilhões até 2019. Significa 40% do total para China, México e Índia. Família de seis modelos compactos visa apenas a países emergentes. Para a Coluna, serão substituídos em quatro anos Onix, Prisma, Cobalt, Spin e Montana. E um crossover no lugar do Tracker.
  • Interessante é a estratégia oposta à da Ford, que alinhou seus produtos aos produzidos em mercados maduros. Carro subcompacto (em torno dos R$ 30 mil) estaria fora dos planos, afirma a GM. Investimento inclui motores de três e quatro cilindros novos (inclusive turbos), além de câmbios e expansão de conectividade em toda sua linha.
  • Jeep apresentará em janeiro de 2016, no Salão de Detroit, o modelo que substituirá o Compass/Patriot. Trata-se do segundo produto todo novo (maior que o Renegade) da marca de utilitários na nova fábrica da FCA em Goiana (PE). Produção e vendas começarão primeiramente no Brasil. Mercado americano, porém, será abastecido pela unidade fabril do México.
  • Volkswagen Jetta tem qualidades para avançar no disputado mercado de sedãs médios. Na versão básica (Trendline) e intermediária (Comfortline), esta produzida em parte no Brasil, os retoques de estilo e bom acabamento são pontos positivos. Motor 2.0 de 120 cv não anima no uso cotidiano, apesar do ótimo câmbio automático (6 marchas). Já versão de topo Highline, com motor turbo de 211 cv, deixa qualquer rival para trás.
  • Dólar alto (perto de R$ 3,40) dificulta ainda mais a vida dos importadores. Em quatro anos a participação nas vendas internas despencou de 24% para 15%. Situação só não está pior porque marcas europeias -- maioria entre as importadas -- se beneficiam, parcialmente, da desvalorização do euro ante a moeda americana.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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