Últimas de Carros

Hábito brasileiro de adiar decisões agora emperra na gasolina

Alessandro Shinoda/Folhapress
Uso da gasolina com aditivação foi prorrogada por mais dois anos: julho de 2017 imagem: Alessandro Shinoda/Folhapress
Divulgação
Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Vêm de longa data os adiamentos sucessivos de decisões na cultura brasileira e mais ainda quando os governos estão envolvidos. A coluna de 28 de janeiro último listou 10 das principais pendências legislativas ou regulatórias que afetavam o setor automobilístico e, menos de seis meses depois, só piorou.

A obrigatoriedade do extintor (de princípio de incêndio) do tipo ABC na frota de carros usados já está no terceiro adiamento em 2015, embora previsto há mais de cinco anos. De abril, foi para julho, depois para outubro. Além de bem mais caro, sua utilidade continua questionável. É reflexo mais de grupos de interesse específico e menos de real preocupação com a segurança.

Gasolina aditivada: mais dois anos

Há, entretanto, mais uma postergação e o consumidor, outra vez, foi prejudicado. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) tinha decidido antes de 2012 que toda a gasolina comercializada no país deveria ser obrigatoriamente aditivada a partir de 1º de janeiro de 2014. Deu-se um prazo para seleção básica e teste dos aditivos detergentes e dispersantes, sem prejuízo de cada distribuidora continuar a desenvolver e oferecer suas próprias fórmulas com respectivos nomes comerciais.

No final de 2013, a ANP adiou por 18 meses, para 1º de julho último, a distribuição nacional dessa gasolina com aditivos para limpar e manter limpos válvulas e injetores. Os proprietários de carros teriam menos despesas de manutenção e até diminuição discreta de consumo de combustível ao longo do tempo. Os desentendimentos ocorreram, apesar do prazo adequado, em relação à aditivação ser nas refinarias ou nos tanques das distribuidoras, com custos diferentes.

Agora, no último dia 29 de junho, apenas 48 horas antes de vencer o prazo, a ANP publicou nova Resolução adiando por mais dois anos, para 1º de julho de 2017, a chegada da gasolina com aditivação básica.

As justificativas da agência são, em resumo, de que foi informada em fevereiro último pela Petrobras que ao trocar o motor no banco de provas, já gasto, por outro do mesmo modelo, a análise da formação de depósitos nas válvulas de admissão não apresentou resultados confiáveis. E acrescentou: "Além disso, os agentes econômicos responsáveis pela adição dos detergentes dispersantes à gasolina apresentou dificuldades para adaptação de suas instalações. Como consequência, o atendimento ao prazo determinado”. Ou seja, a causa do primeiro adiamento se repete agora apesar das dilatações concedidas.

Processo de entrega

Pode haver outras razões, entre elas o temor de que a gasolina subisse novamente de preço, apesar de se saber por experiências internacionais que a aditivação tem custos pequenos frente a benefícios maiores. Infelizmente, as agências reguladoras brasileiras estão sujeitas a pressões políticas do governo e do poder legislativo e não conseguem cumprir suas tarefas com a mesma eficiência de suas congêneres em outros países.

Agora só resta, mais uma vez, esperar que os 40.575 postos de combustíveis (dado de 22 de junho) do Brasil recebam gasolina com aditivação básica.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon

RODA VIVA

  • Embora a FCA nunca tivesse confirmado a produção de um verdadeiro sedã médio-compacto, como o Viaggio chinês ou o Dart americano, em sua nova fábrica de Goiana (PE), havia possibilidade remota de isso acontecer. Fontes desta Coluna, no entanto, garantem estar totalmente descartada. Já existem 15 protagonistas e a Fiat não tem tradição nesse segmento.
     
  • Vida mais difícil para fabricantes com presença importante na base do mercado. Versões de 1 litro, as mais baratas em razão do IPI menor, apresentaram queda acentuada de participação nas vendas de automóveis, de 34,2% (maio) para 31,7% em junho. E as quatro grandes (Fiat, Ford, GM e VW) desabaram para um patamar nunca visto: apenas 56% de penetração de mercado.
  • Outra surpresa foi o Corolla, na oitava colocação, vender mais que o Uno (em nono lugar) pela primeira vez. Porém, é preciso lembrar que o Civic, tradicional maior rival do sedã japonês, teve sua produção desacelerada para permitir crescimento do HR-V, este com demanda superior à oferta. Só no começo de 2016, com a nova fábrica, a Honda aumentará a produção.
     
  • Nesta nova geração do cupê TT a Audi se superou. Retoques visuais na medida certa como passar as quatro argolas de sua logomarca da nova grade para o capô, novo quadro eletrônico de instrumentos virtual totalmente configurável e comandos de ar-condicionado nas próprias saídas de ar. Potência aumentada para 230 cv veio na hora certa e empolga quem quer sempre ter o carro à mão com visibilidade, ergonomia e precisão.
  • Centenário de fundação da alemã ZF este ano coincidiu com a aquisição da americana TRW para formar o terceiro maior grupo de autopeças do mundo. A primeira sempre focou em engrenagens e elementos completos de transmissão, em especial caixas de câmbio. A segunda tem forte atuação em itens de segurança ativa e passiva de alta tecnologia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Topo