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Na contramão da crise, japonesas têm crescimento sólido em 2015

Murilo Góes/UOL
Toyota Corolla é exemplo de sucesso: no primeio quadrimestre de 2015, 20.356 unidades foram emplacadas, contra 14.387 no mesmo período de 2014; alta de 41,5% imagem: Murilo Góes/UOL
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Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

A queda de vendas em 2015 sobre 2014 está estimada entre 13% e 19%, dependendo do otimismo ou pessimismo da fonte, mas nem todas as fabricantes foram tão atingidas assim pela crise.

Há mais inclinação em encolher a procura por modelos de menor preço, o que faz com que as quatro marcas mais antigas e dominadores do mercado nacional, Fiat, Ford, GM e Volkswagen, sofram mais do que as demais e tenham uma hegemonia de décadas ameaçada.

Pela primeira vez desde a chegada de novos entrantes com produção local, na segunda metade dos anos 1990, a participação das quatro grandes no mercado nacional, somadas, ficou abaixo de 60%: foram exatos 59,1% alcançados no fechamento do mês passado.

As marcas orientais tradicionais conquistaram uma aparente zona de conforto, sem precisar dar férias coletivas, implantar bancos de hora, suspender contratos de trabalho ou promover programas de demissões voluntárias. A Hyundai produz em três turnos e teve redução mínima de vendas: 2,4%, frente à queda geral acumulada no primeiro quadrimestre de 19,2%. As japonesas Honda, Toyota e Nissan foram além: cresceram 12,5%, 12,4% e 3,4%, respectivamente, sobre o mesmo período de 2014.

Há explicações conjunturais, além da tradicional prudência oriental ao fazer investimentos em fábricas. Segundo Marcelo Cioffi, da consultoria PWC, “trata-se de marcas de menor volume, com produtos novos ou renovados e, portanto, menos afetadas pelos recuos de mercado”.

No entanto, outros fatores influenciam. A Honda, particularmente, só concluirá a nova fábrica em 2016 e, assim, poderá ter até de sacrificar vendas do Civic e do City para atender à demanda muito boa do HR-V neste ano. Se a unidade de Itirapina (SP) já estivesse em produção, talvez ficasse mais difícil. 

Já a Nissan, ao contrário, tem produtos mais baratos e tende a ficar com capacidade ociosa, a exemplo das marcas de maior presença. Porém, ao partir de bases comparativas muito baixas, quando dependia de importações controladas do México, tem como crescer um pouco mais em 2015: até 10% sobre o ano passado, estima com otimismo o fabricante.

Também se deve considerar que apenas a Nissan atua de forma significativa na faixa de produtos mais importante e sacrificada, em torno de R$ 30 mil. Hyundai, Toyota e Honda têm tíquete médio de venda superior, em que a queda vem sendo menor. A Toyota espera repetir os números de 2014, o que seria ótimo resultado em cenário tão recessivo como o atual. Exceção é a Mitsubishi, cujo tombo acompanhou a média de mercado, em torno de menos 19%.

Quanto às orientais chinesas, a situação é bem diferente. Aproveitaram o real muito valorizado para oferecer modelos equipados a preços superconvidativos. Com o aumento dos impostos do programa Inovar-Auto, importadores anunciaram a intenção de construir fábricas.

No ano passado, todas juntas ocupavam menos de 1% do mercado. No auge estimavam ter, em conjunto, 5%.  Só a Chery inaugurou uma unidade industrial até agora, que só na última semana começou a operar normalmente, após um mês em greve. Com isso, a produção do Celer parou e o lançamento do QQ nacional sofreu outro adiamento, para o final deste ano. Quanto à JAC, os planos dependem de linha de financiamento do governo da Bahia.

Sobre as demais chinesas e as fábricas prometidas, não se fala mais nisso.

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RODA VIVA

  • Anfavea viu um indicador levemente positivo no mês de abril. Vendas alcançaram 11.240 veículos/dia, aumento de 8,2% sobre março, com mais dias úteis do que o mês passado. Estoques totais passaram de 49 para 50 dias (50% acima do normal), apesar da diminuição de produção. Confiança dos compradores continua abalada.
     
  • Fenabrave, por sua vez, contabiliza fechamento de 250 concessionárias, em especial nos grandes centros. Ainda não assusta tanto, pois existem mais de 8.000 lojas e a associação congrega, além de fabricantes de veículos leves e pesados, também os de motocicletas e de máquinas agrícolas. De qualquer forma, 12.000 funcionários a menos.
     
  • Leve reestilização pegou bem no Duster 2015 para enfrentar, com preço mais em conta, os quatro novos concorrentes. SUV compacto da Renault ficou mais silencioso. Motor de 1,6 L melhorou respostas em baixas rotações sem mudanças em torque e potência. Já o 2L ganhou 6 cv com etanol (agora 148 cv) e a versão 4x4 não se sai mal em fora de estrada de exigência leve a média.
     
  • Indústria de autopeças também tem sido obrigada a demissões: a cada emprego perdido numa fábrica de veículos, dois desaparecem nos fornecedores. Bosch, a maior do setor, conseguiu administrar a situação em 2014, quando o sistema ABS se tornou obrigatório. Em 2015 confia em alguma recuperação de exportações para América Latina e assim melhorar seus resultados.
     
  • Michelin se antecipou à onda de crescimento dos SUVs e desenvolveu em grande parte no Brasil, em três anos, a linha LTX Force, de olho também na Índia e China. Entre as novidades estão desenho, parcela do composto de borracha vinda dos ralis, banda de rodagem que se estende pelas laterais do pneu e reforços entre blocos de rodagem para maior estabilidade em asfalto. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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