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Análise: Detroit reflete otimismo da indústria e combustível em queda

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Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Há apenas cinco anos o Salão do Automóvel de Detroit experimentou uma crise com espaços vazios entre estandes de construção mais modesta. Mas graças à reação do mercado americano, que alcançou no ano passado 16,5 milhões de automóveis e comerciais leves (recuperação incrível de quase 60% sobre 2009), o clima na exposição é outro, até seu encerramento neste dia 25. Em 2015 se esperam 17 milhões de unidades, próximo ao recorde de todos os tempos.

Gasolina teve queda de mais de 40% nos Estados Unidos desde junho último. Então há permissividade para promover supercarros que arrebatam atenções. Um deles, o Ford GT inclui muitas peças em compósito de fibra de carbono, aerodinâmica ousada e motor com mais de 600 cv. A fábrica não liberou ficha técnica e nem confirmou a produção, que parece certa. Já o Acura/Honda NSX impressiona pelo estilo, tração 4x4, motor a combustão e três elétricos (dois na frente e um atrás) que, em conjunto, entregam 550 cv.

Cadillac seguiu nessa linha ao desafiar os sedãs alemães mais potentes com o CTS-V. Motor de 640 cv é o mesmo do Corvette Z06 e capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em estonteantes 3,7 s. Essa "invasão" de fabricantes de alto volume nos domínios das marcas de prestígio se explica porque estas representam apenas 10% das vendas mundiais, porém respondem por 35% dos lucros de toda a indústria.

Também justifica o Buick Avenir, sedã grande conceitual (praticamente pronto para produção), cujo alvo é o mercado chinês, onde essa divisão da GM vende 80% do que produz.

Muitos executivos não acreditam que a gasolina continuará tão barata e, assim, continuam a investir em alternativas. A Chevrolet se destacou ao apresentar seu primeiro modelo totalmente elétrico desde os tempos do GM EV1, de 1996. O Bolt, minivan a bateria cuja autonomia promete dobrar para 320 km, teria preço na faixa do Nissan Leaf. Data provável de lançamento em 2017, mas a segunda geração do Volt, que estreou na exposição, chegará em 2016. Além da reestilização, acomodará três pessoas no banco traseiro e autonomia de 80 km no modo elétrico, 25% maior.

Alemães contra-atacaram no segmento de SUVs, que continua a crescer muito nos EUA. O inteiramente novo Mercedes-Benz GLE Coupe (misto de cupê e utilitário, como o BMW X6) e o retocado Audi Q7, com menos 325 kg de peso, destacaram-se. A Volkswagen exibiu o conceitual Cross Coupé GTE (quase pronto) a ser fabricado nos EUA.

Picapes perderam parte de seus compradores americanos para SUVs. Não impediu, porém, de a Nissan apresentar a nova Titan e rivais de (alto) peso mostrarem versões especiais: F-150 Raptor e RAM Rebel. Modelos médios de picapes perderam quase todo seu espaço nos EUA. Ainda assim, Toyota reformulou a Tacoma (pouco menor que a Hilux argentina, de projeto diferente), que só tem como rival a Chevrolet Colorado (mesma S10 nacional com retoques).

Curiosamente, a Hyundai, que nunca fabricou picapes, escancarou seu primeiro modelo médio (conceitual), o Santa Cruz. Linhas audaciosas, cabine com portas traseiras de abertura reversa, tração 4x4 e extensor de caçamba indicam que deve ser mesmo lançada, em um ou dois anos. Aposta de risco, lá; aqui, nem tanto...

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RODA VIVA
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+ Parece que executivos, quando no exterior, ficam mais propensos a soltar informações. Jaime Ardila, presidente da GM América do Sul, confirmou em Detroit que a empresa produzirá um motor de 3 cilindros/1 litro (origem Opel) em Joinville (SC), já comentado aqui. Disse que a linha compacta brasileira (substituta de Celta/Classic) terá um SUV. Coluna aposta no sucessor do Tracker.

+ Futuro Gol (2017) usará arquitetura MQB (não a NSF, do up!), da mesma forma que o próximo Polo alemão. Polo atual parou de ser produzido no final de 2014 em São Bernardo do Campo (SP) e não deve voltar mais. Desta fábrica, além do Jetta, sairá também um furgão baseado na Saveiro. Marca Gol, no entanto, poderá aparecer também no exterior, entre up! e Polo.

+ Avaliação conjunta, na cidade e em rodovias, do Ka com motor 1,5 e do Ka+ 1,0 revelou coisas interessantes. Menor peso, de fato, dá mais agilidade ao hatch, mas motor de menor cilindrada no sedã também vai bem. Diferença de desempenho menor do que se supõe. Ford equilibrou as duas versões, ao atuar na relação final de transmissão, sem prejuízo de consumo.

+ Parte da queda de vendas neste início de ano reflete a disputa ente Fiat e VW pela liderança entre Gol e Palio+Palio Fire. Gol teve unidades emplacadas, em dezembro último, sem comercialização imediata e essa diferença aparece em janeiro. Para o ano de 2015, no entanto, não seria improvável crescimento de 1% sobre 2014, apesar da maioria de previsões pessimistas.

+ Carteira Nacional de Habilitação e os documentos de registro e de licenciamento anual do veículo receberão código QR para leitura em aplicativos de smartphones dos agentes de trânsito. Dificultará bastante as falsificações. Processo de impressão será mais seguro. Tudo a partir de 1º de julho próximo.
 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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