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Carro autônomo está mais perto da realidade do que se imagina

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Quando todos os veículos utilizarem tecnologia "V2V" e se comunicarem entre si, como a rede wireless de internet, a chance de acidente cairá a praticamente zero imagem: Divulgação
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Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Embora o entusiasmo revelado por alguns fabricantes sobre a possibilidade de, a partir de 2020, ter início a era dos carros autônomos, em que o motorista só vai dirigir se for seu desejo, ainda há vários obstáculos técnicos, de legislação e de comportamento a superar. Antes disso, há necessidade de regulamentar e implantar uma nova tecnologia, conhecida como "V2V" (sigla em inglês para "veículo a veículo"), que permitirá uma verdadeira e extensa comunicação entre automóveis e destes com a via.

O Departamento de Transportes (DOT, em inglês) e a Administração Nacional de Segurança de Tráfego Rodoviário (NHTSA, em inglês), ambos dos Estados unidos, acabam de se unir para propor uma legislação específica, que entrará em vigor em 2016 -- sem uma série de protocolos, regulação do espectro de ondas magnéticas, confiabilidade, privacidade, custos e, principalmente, segurança, nada poderá avançar. E sem isso não existirá veículo autônomo.

Aspectos importantes de como evitar colisões e/ou atropelamentos estão mais próximos de alcançar em larga escala os carros comuns desde já. A tecnologia "V2V" tem potencial de se fundir aos vários recursos hoje já existentes -- desde controle de velocidade adaptativo ao alerta de mudança de faixa -- e proporcionar um grau de proteção quase absoluto envolvendo os carros em circulação. Por isso, o potencial de chegar a zero em acidentes de trânsito há muito deixou de significar ideia de ficção, apesar do longo tempo de desenvolvimento ainda necessário.

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Assim como na cidade, carros na estrada também deverão utilizar a tecnologia imagem: Divulgação
Haverá etapas a superar: segundo o DOT e a NHTSA, apenas o Assistente de Conversão à Esquerda (ACE) e o Assistente de Movimentação em Cruzamentos (AMC) poderiam evitar quase 600 mil acidentes e poupar 1.100 vidas nos EUA anualmente. O "ACE" adverte o motorista que não avaliou bem a distância e a velocidade de um veículo em sentido contrário; o "AMC" avisa que há possibilidade de colisão com um ou mais veículos, independentemente de semáforo.

A partir do momento que todo o parque circulante dispuser da tecnologia "V2V", em vez de uma simples luz piscando no quadro de instrumentos ou sinal sonoro, o sistema poderá inibir o avanço do carro com potencial de causar acidente. Informações trocadas entre veículos se limitarão a dados básicos de segurança, sem identificação que ameace a privacidade dos envolvidos.
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Sistema poderá inibir avanço do carro com potencial de causar acidente e informações serão trocadas entre veículos, mas limitadas a dados básicos de segurança, sem identificação que ameace a privacidade dos envolvidos imagem: Divulgação
OUTROS PROJETOS
Na Europa trabalha-se em projetos semelhantes, entre eles o RACE, acrônimo em inglês para "Ambiente Computacional Automotivo Robusto e Confiável para o Futuro Eletrônico dos Carros". Hoje, um automóvel comum pode conter até 70 sistemas de controle, incluídos os de segurança, sem contar milhares de subfunções, tudo interagindo. A intenção do RACE é criar uma única arquitetura computacional centralizada e padronizada. 

Seu enfoque se aproxima dos sistemas sem fio e de outras tecnologias existentes nos aviões. Permite designar rápido e facilmente novas funções, além de disponibilizar atualizações à semelhança dos telefones inteligentes. Trata-se de ferramenta de conectividade essencial para carros autônomos e segurança do tráfego. Afinal, um futuro sem acidentes será muito bem vindo.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon

Coluna originalmente publicada às terças-feiras.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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