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Diesel, candidato a 4º combustível do Brasil, entra em crise na Europa

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Citroën C4 Aircross francês oferece 4 configurações diesel e só uma a gasolina imagem: Reprodução
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Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

A primeira refinaria do Brasil que terá 75% de sua produção direcionada ao diesel começa agora a processar cargas (trens, no jargão próprio) de petróleo. Localizada em Ipojuca, Pernambuco, a Abreu e Lima continua envolvida na confusão atual da Petrobrás e em um inexplicável aumento de custos -- cerca de dez vezes -- que envergonha os brasileiros. Exige um tempo até alcançar os 200 mil barris diários de diesel, que podem diminuir, mas não eliminar de todo a dependência de importação desse derivado. Há duas novas refinarias projetadas, sem data nem de início das obras.

Esse acontecimento traz à discussão o momento de liberar o uso de diesel em automóveis no Brasil. Existe até lobby de produtores de autopeças em esforço de convencimento, porém curiosamente nenhuma fábrica de veículos. Mais curiosa ainda foi a decisão do governo francês, anunciada semana passada, de desestimular veículos de passeio a diesel.

Na França 70% das vendas de modelos novos das marcas locais, Citroën, Peugeot e Renault, se concentram em motores diesel. Será estreitada a diferença de preço para a gasolina e tomadas as providências para diminuir a frota que usa o mesmo combustível de caminhões, ônibus, trens e outros veículos e máquinas comerciais.

Note-se que o governo tem 15% das ações da Renault e 14% da PSA Peugeot Citroën. Ambas se queixaram de perda de competitividade, maior dificuldade em atender as emissões de CO(gás carbônico), mas nada se reverteu. No entanto, utilização de turbocompressor em motores a gasolina de menor cilindrada (chamado de downsizing) vem tirando a desvantagem de consumo e de nível de torque frente aos a diesel.

Mesmo na França é preciso rodar 20.000 km por ano para valer a pena, porque um automóvel a diesel tem custos (e preços) até 10% superiores. Com essa rentabilidade camarada é fácil compreender a existência de lobbies, mesmo que desbalanceie a estrutura de refino de combustíveis.

Nos Estados Unidos o governo também "atrapalha" a dieselização de veículos leves e autorizou apenas gasolina no programa de forte redução de consumo (e também de CO2) até 2022. Como sobra diesel no país exportam para a Europa, que há décadas investiu nesse combustível para se defender dos carros japoneses a gasolina.

ESTÍMULOS
Quanto ao Brasil, existe o etanol nessa equação, alternativa capaz de reduzir em 80% as emissões de COno ciclo fechado da produção ao consumo. Se liberado diesel indiscriminadamente para automóveis, emissões de gás carbônico aumentarão, autossuficiência em diesel ficará difícil de alcançar e tornará ainda menos rentável produzir etanol (cerca de 50 usinas já fecharam).

Ao contrário do que se pensa, há poucos estímulos no Brasil para etanol. A Cide, por exemplo, é aplicada apenas sobre gasolina, mas foi zerada para "combater a inflação". Propulsor de 1 litro responde por quase metade das vendas e tem a mesma alíquota de IPI para flex ou gasolina. IPVA, idem, para gasolina ou flex, enquanto motor só a etanol tem alíquota apenas 1% menor.

Colocar o diesel com Arla 32, contaminável por água depois de 30 dias armazenado e biodiesel de várias fontes como quarto combustível (somado o GNV), precisa ser muito bem pensado e pesado.

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RODA VIVA
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+ Caso as vendas em 2014 caiam um pouco menos de 10% frente a 2013 já será um pequeno alívio. Ao longo deste ano atípico se temeu queda ainda maior. Estoques voltaram a subir de 40 para 42 dias entre outubro e novembro. Este mês se espera pequena reação pela maior oferta de crédito e compras antecipadas para fugir do aumento do IPI em janeiro próximo.

+ Ford antecipou, sem pormenores, que terá oito novidades em 2015, sendo duas em caminhões leves. Já se tem como certo reestilizações de Focus (hatch e sedã), Ranger (cabines simples e dupla), nova geração do crossover Edge (estreia em janeiro no Salão de Detroit) e, a concluir o processo de homologação, o Mustang.

+ Argentino Citroën C4 Lounge 2015 tem versões intermediárias e de topo com primeiro motor turboflex, 1,6 litro, do segmento de médios-compactos. Importado da França e desenvolvido em conjunto com engenharia brasileira, ganha 7 cv (agora, 173 cv) quando abastecido a etanol. Câmbio automático também foi melhorado e o conjunto impressiona bem. Preços: R$ 78.790 a R$ 85.490.

+ Nissan não importará o Nissan GT-R, de 545 cv e nada menos de 64 kgfm, pela dificuldade de homologar e nem tanto pelo preço que seria competitivo (menos de R$ 500 mil) em relação ao desempenho excepcional. Afinal, baixar de três segundos no 0 a 100 km/h o coloca em um clube que se conta os sócios pelos dedos de uma mão. Sua produção muito limitada também é empecilho.

+ Empresas de rastreamento estão se sofisticando. A Ituran, multinacional israelense, já oferecia seguro total contra furto/roubo de veículo que usasse seu sistema e não fosse recuperado. Agora agregou também seguro contra danos materiais e físicos a terceiros, cobertura acessível e muitas vezes pouco valorizada. A empresa espera atrair mais clientes das classes C e D.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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