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Atualizada em 02.12.2014 20h08

Autoridades perdem tempo, e ruas do Brasil lotam de sucatas ambulantes

Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Caminhões velhos estão mais sujeitos a problemas mecânicos e quebras, que atravancam o trânsito; além disso, gastam mais combustível e poluem muito mais imagem: Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Divulgação
Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

O Programa Nacional de Renovação da Frota de Veículos Automotores (PNRF), por enquanto, não passa de uma proposta, mas segue longe das prioridades do governo federal. Até agora, depois de um ano, não veio resposta para a iniciativa de dez entidades, incluindo sindicatos, que propõem um programa inicial de substituição de caminhões com mais de 30 anos de uso.

Estima-se que até 200 mil desses veículos ainda circulem por ruas e estradas em condições precárias de funcionamento, manutenção deficiente (ou mesmo sem nenhuma) e sob ameaça constante de se envolver em acidentes. Na melhor das hipóteses sujeitam-se a panes constantes que poderão atrapalhar o trânsito.

Um estudo apontou que eles representam em torno de 7% da frota total de caminhões, mas respondem por 25% dos acidentes graves no país. O objetivo é até modesto: trocar 30 mil unidades/ano por modelos usados menos velhos e, se possível, por seminovos ou até novos em segmentos como caminhões leves.

De fato, o governo deveria criar algum incentivo -- a exemplo de outros países -- para viabilizar a proposta. Sem contar enormes prejuízos humanos e materiais, apenas a economia de combustível alcançaria R$ 5 bilhões em dez anos.

Entretanto, a situação fiscal do governo se deteriorou nos últimos 12 meses. Se já era difícil quando das sugestões iniciais, no momento está ainda pior. Fala-se apenas em aumento de impostos ou retirada de incentivos. Triste, mas a solução não aparece nem mesmo no horizonte.

Infelizmente, certas iniciativas parlamentares mais atrapalham do que ajudam. Na semana passada, a primeira comissão da Câmara dos Deputados a avaliar um projeto de lei, de 2011, sobre o tema, optou pela rejeição. A proposição está bem longe da realidade: determina a troca obrigatória (grifo da coluna) de qualquer veículo (grifo do editor) com tempo de uso superior a 15 anos, além de criar incentivos para a substituição.

Segundo a Agência Câmara, o Poder Público ofereceria linha de crédito para compra do carro novo, enquanto os usados seriam aceitos como parte do pagamento do financiamento.

O projeto ainda passará por quatro comissões na Casa, mas se trata de pura perda de tempo mesmo que as finanças públicas não estivessem em situação tão ruim. De pouco adianta reconhecer o problema sem se debruçar sobre alternativas viáveis.

INSPEÇÃO
Renovação de frota deve ser precedida por um programa bem elaborado de inspeção veicular. É inadmissível que um país com frota real de 40 milhões de automóveis e veículos comerciais, mais 13 milhões de motocicletas, deixe de submetê-los a controles de segurança, manutenção e emissões.

Claro que inspeção técnica veicular (ITV) deve começar apenas no quarto licenciamento (três anos de uso em diante), ser bienal até o décimo ano e anual depois desse prazo.

Em outros termos, já existe escala bastante alta para regulamentar o serviço em vários Estados brasileiros e a preço razoável. A partir da inspeção, viriam iniciativas de reciclagem e a renovação de frota ocorreria a reboque. A Câmara dos Deputados ajudaria muito se desengavetasse estudos de mais de 15 anos e criasse condições econômicas e técnicas para a ITV. Sem mais perda de tempo.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon


RODA VIVA
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+ Desde o último dia 1º de novembro o ESC (sigla em inglês para controle eletrônico de estabilidade) passou a ser obrigatório em todos os carros novos vendido nos Estados Undios e também na Europa. É complementar ao ABS (obrigatório aqui) por uma relação custo-benefício bem razoável. Falta o Brasil estabelecer prazo de aplicação escalonada, no que a Argentina já se adiantou.

+ Cruze 2015 recebeu modificações discretas: grade frontal mais elegante, luzes diurnas de LED e novas rodas de aro 17". Câmbio automático ficou um pouco mais rápido nas trocas ascendentes e reduzidas. Motor não recebeu modificações, mas para concorrer com Corolla e Civic de igual para igual deveria oferecer também um 2-litros para assegurar mais torque.

+ Muito prática a seleção de marchas por botões, no lugar da alavanca, no Uno Sporting de câmbio automatizado. Usando só uma embreagem ainda há limitações, mas já se vê evolução. Se esta opção não combina com a sigla Sporting e nem com o motor de 1,4 L (mesmos 85 cv), o carro melhorou muito em acabamento e equipamentos: até câmera de ré opcional no espelho interno.

+ Principal executivo da Jaguar Land Rover, Ralph Speth veio ao Brasil para a pedra fundamental da nova fábrica de Itatiaia (RJ), primeira 100% do grupo, fora da Inglaterra. Confirmado o Discovery Sport nacional para o início de 2016, continua a dúvida sobre o segundo produto. Empresa foi evasiva na resposta, mas pelo menos não negou que estuda o sedã Jaguar XE.

+ Inaugurado na Grande São Paulo um conceito diferente de abrigar até 400 veículos antigos de colecionadores. A empresa Box 54 se assemelha a uma marina de barcos. Além do aluguel do estacionamento em amplo galpão, o serviço completo inclui conservação e possibilidade de fazer funcionar regularmente carros, motos e até tratores.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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