Em 20 anos, Brasil terá um carro para cada 2,4 pessoas, prevê Anfavea

Fernando Calmon

Fernando Calmon

Colunista do UOL, em São Paulo (SP)
  • AP

    Tráfego em Los Angeles; nos EUA, segundo o Banco Mundial, proporção atual de habitantes por veículo é de quase 1,27 -- Brasil espera chegar a 2,5 em 2034

    Tráfego em Los Angeles; nos EUA, segundo o Banco Mundial, proporção atual de habitantes por veículo é de quase 1,27 -- Brasil espera chegar a 2,5 em 2034

Magnetismo das novidades e clima de festa dos salões de automóveis algumas vezes deixam de lado boas discussões em torno do tema do momento, a mobilidade urbana. O salão recém-encerrado em São Paulo não foi exceção. Organizado em paralelo à exposição, o Fórum Presente e Futuro da Indústria Automobilística teve boas palestras e, em particular, um estudo inédito da Anfavea sobre a evolução do mercado brasileiro nos próximos 20 anos. Em geral, as projeções se limitam a um horizonte de cinco a dez anos.

Segundo a entidade, nossa taxa de motorização de 5 habitantes por veículos este ano evoluirá para 2,4 habitantes por veículo em 2034 (cenário otimista, 2,1; pessimista, 2,7). A frota real hoje, excluídos veículos de duas rodas, é de 40 milhões de unidades (esqueça números do Denatran, que desconhece sucateamento). Em duas décadas terá mais que dobrado para 95 milhões de veículos (otimista, 106 milhões; pessimista, 85 milhões). Como referência, os EUA com extensão territorial contínua (sem Alasca e Havaí) pouco menor do que o Brasil têm frota atual de 250 milhões.

Esses cálculos econométricos se basearam na taxa de motorização versus PIB per capita em 17 países selecionados, entre 2001 e 2012. O cenário [no Brasil] só não se confirmaria, na visão da coluna, se a política econômica continuasse tão ruim como está.

Logo vem a dúvida de como será possível vender tantos carros se as grandes cidades sofrem com trânsito saturado. A resposta está no crescimento muito mais acelerado das frotas de pequenas e médias cidades. Considerando só licenciamentos de veículos novos, cidades entre 5.000 e 10.000 habitantes tiveram aumento de 124% entre 2007 e 2013. São Paulo cresceu só 6% porque a cada 1.000 novos emplacamentos algo entre 800 e 900 veículos foram vendidos para outros municípios ou sucateados por idade, acidentes e roubos.

O estudo serve de alerta para que planos diretores que incluam a mobilidade entre as prioridades passem logo para ordem do dia nas cidades de crescimento -- muito justo -- bem acima da média nacional. Tais planos precisam ter em vista os erros de planejamento viário e de transportes cometidos até hoje pelas grandes e médias cidades, antes que seja tarde demais.

TRANSPORTE PÚBLICO
No fórum citado, o professor Diego Conti, do Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP, lembrou que "a cidade chinesa de Xangai, em 1990, não tinha malha metroviária. Agora são 350 km, enquanto São Paulo tem, hoje, somente 74,3 km". Há um pormenor: a capital paulista começou a construir sua primeira linha em 1968. Por várias razões -- custos altos e inflação histórica entre as principais -- são erros que não podem mais se repetir porque os prejuízos com o trânsito lento são bem grandes e abrangentes.

Obviamente o metrô deve ser precedido pelo trem metropolitano (com estacionamentos integrados para veículos de duas ou mais rodas, motorizados ou não) e por corredores de ônibus no centro das vias. De pouco adianta simplesmente pintar faixas de ônibus à direita sem critérios ou estudos de fluxo/benefício como se faz agora em São Paulo.

Atendidas essas premissas, pode haver convivência pacífica entre transporte público e o não coletivo, em especial pelos recursos atuais de conectividade.
 

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RODA VIVA
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+ Apesar de as vendas no segundo semestre estarem melhores do que no primeiro, este ano está definitivamente perdido. Anfavea continua a apostar numa queda de 5% sobre 2013, porém o mais provável é um tombo de 10%. Já se tem como certo que o IPI aumentará em janeiro -- e pode gerar movimento de antecipar compras --, mas há esperança de volta da alíquota máxima.

+ Honda prepara renovação total de seus motores, inclusive no Brasil, exibidos no recente Salão do Automóvel e confirmados na conferência internacional de tecnologia e inovação da SAE Brasil em seguida. Para cá serão todos turboflex: 3-cilindros, 1 L/140 cv e 4-cilindros, 1,5L/200 cv. Há ainda o 2 L/300 cv, importado.

+ Nada é comparável em sonoridade ao motor de seis cilindros em linha. E o do BMW M235i comprova isso de forma cabal com extrema suavidade por toda a faixa de rotações. Isso apesar de o sistema biturbo, que proporciona 330 cv e quase 45 kgfm, abafar um pouco do que se sentia no tempo dos motores aspirados. Este cupê da Série 1 de fato emociona, até mesmo no preço de R$ 230 mil.

+ Navegação alternativa em tempo real, capaz de escolher a rota menos congestionada, é aposta da TomTom com aparelhos de 5 e 6 polegadas. Pareado com um telefone inteligente e seu plano de dados móveis, o modelo GO promete atualização a cada dois minutos e precisão de localização de apenas 10 metros. Preços: R$ 899 a 1.499 (este com mapas dos EUA).

+ Como opção às dificuldades de aceitação da marca italiana no mercado mexicano -- o oposto ocorre no Brasil -- a Fiat resolveu dar uma cartada. Mudou o nome da picape Strada para RAM 700 e do Grand Siena para Dodge Vision. Decisão tomada no Brasil, responsável pelas estratégias comerciais do Grupo FCA para toda a América Latina.

Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, é jornalista especializado no setor automobilístico desde 1967, quando produziu e apresentou o programa 'Grand Prix' na TV Tupi, no ar até 1980. Dirigiu a revista AutoEsporte por 12 anos e foi editor de automóveis das revistas O Cruzeiro e Manchete. Entre 1985 e 1994, produziu e apresentou o programa 'Primeira Fila' em cinco redes de TV. A coluna Alta Roda, criada em 1999, é publicada semanalmente -- na internet, é exclusiva de UOL Carros. Calmon também atua como consultor em assuntos técnicos e de mercado na área automobilística, e como correspondente para o Mercosul do site inglês just-auto. Email: fernando@calmon.jor.br

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