Sem vendas do Mille, novo Fiat Uno ousa para se diferenciar no segmento

Fernando Calmon

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Fiat foi rigorosa quanto ao tempo correto de renovação do Uno. Lançado há pouco mais de quatro anos, o modelo 2015 chega agora com a responsabilidade de melhorar as vendas, depois do fim do Uno Mille, que chegava a representar 50% dos resultados, distorção típica do mercado brasileiro. Para essa espécie de carreira solo o carro está bem preparado, apesar de motores com mesma potência/torque e sem direção eletroassistida, em termos mecânicos. A inalterada versão Vivace (duas e quatro portas) continua a ser a de entrada, repetindo a dupla personalidade do Nissan March (March, inalterado, e New March com visual e equipamentos atualizados).

Como é o Uno 2015
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A renovação externa se concentrou na parte frontal (para-choque, grade, faróis, lanternas e para-lamas) com bom resultado estético. Atrás, apenas novas lanternas que impressionam mais vistas de perto do que de longe. No total são cinco versões, incluindo a Evolution (no lugar da Economy) e a Sporting, marcada pela ponteira de escape dupla central que tem apenas apelo visual.

Na parte interna, no entanto, impôs um conceito ousado para esse segmento. Além de tudo novo, a Fiat incluiu no painel um quadro de instrumentos avantajado (em destaque o computador de bordo) e central multimídia com navegador GPS (opcional). O volante, regulável apenas em altura, tem botões de seleção nos raios. Bancos dianteiros são novos e têm regulagem fácil e correta de altura para o motorista. Há até cinto de segurança de três pontos para o passageiro central no banco de trás, muito mais importante para a segurança passiva do que um simples apoio de cabeça, também incluído.

Outra ousadia foi substituir a alavanca de câmbio por botões no console quando equipado com o automatizado de apenas uma embreagem, mantendo as borboletas no volante. Houve um passo adiante ao acrescentar relações de câmbio específicas e acelerômetro, que reduziram bem os vazios de aceleração nas trocas de marcha. No modo Sport, uma boa acelerada, em trecho livre de Buenos Aires (onde se deu o lançamento), permitiu sentir trocas mais rápidas. Agora existe um bem dimensionado apoio para o pé esquerdo.

Novidade entre carros nacionais é o sistema Start-stop (desliga-liga), apenas na específica versão Evolution com câmbio manual e motor 1.4, que traz ainda pneus superverdes de baixo atrito de rolamento. Nessa faixa de preço o fator economia de combustível é o segundo mais desejado, segundo a Fiat. Em situações de tráfego denso e muitas paradas, é possível alcançar economia de combustível de até 20%, com gasolina ou etanol. Se o ar-condicionado estiver ligado, o motor volta a funcionar depois de um minuto mesmo sem o procedimento de acionar o pedal de embreagem. Assim, em dias bem quentes, perde-se pouco em conforto térmico a bordo, pelo menos no caso dos passageiros da frente.

O novo Uno 2015 parte de R$ 30.990 (sem ar-condicionado), na versão Attractive 1.0, ou R$ 1.570 a mais que o ano-modelo 2014, compatível com as melhorias adicionadas (quase sem aumento real, na prática). A Evolution (1.4) custa R$ 34.990 e a Sporting , R$ 36.560. Esses preços se combinam com opcionais de fábrica e acessórios (instalados nas concessionárias). Pela primeira vez, para quem desejar, o carro pode ultrapassar os R$ 50.000, quase o dobro da versão Vivace 2-portas de R$ 26.370.

RODA VIVA
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+ Salão do Automóvel de São Paulo (30/10 a 9/11) terá quase um festival de modelos pseudoaventureiros, entre outras atrações e estreias de peso. Além do Sandero Stepway e do Cross up!, focados em pura decoração, haverá dois novos SUVs compactos: Peugeot 2008 (nacional em 2015) e Renault Captur (importado). Protótipo derivado do March, também.

+ Queda do mercado interno continua a se aprofundar: quase 10% em relação a janeiro-agosto de 2013. Para a Anfavea, houve a comoção com a morte do presidenciável Eduardo Campos que acabou por impactar as expectativas do consumidor, especialmente no Nordeste. Nos últimos meses do ano se espera reação de vendas, pois o IPI deve subir em janeiro.

+ Fenabrave até já contabilizou o provável aumento de liberação de crédito, quando os bancos puderem retomar veículos de inadimplentes sem as dificuldades de hoje. Estima em até 20% a elevação do nível de aprovação de pedidos, o que significa 30 mil automóveis e comerciais leves a mais por mês, ou o equivalente a um 13º mês de vendas. Em um segundo momento, juros podem diminuir.

+ Aumento da procura por modelos automáticos levou a Citroën a estender essa opção também à versão intermediária do C3, a Tendance (antes só na Exclusive). Por R$ 51.000 é um carro bem equipado e com câmbio de quatro marchas. Reprogramação eletrônica melhorou respostas ao acelerador e tornou a passagem de marchas mais suaves.

+ Enxugamento da oferta exagerada de modelos compactos, por parte da GM, já era esperado. Havia certo conflito na linha de produtos, além de mercado recessivo. Parou a oferta do Agile (ainda em produção na Argentina) e do Sonic (hatch e sedã), ambos importados do México, com problema de cotas ainda a ser resolvido pelos governos.

Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, é jornalista especializado no setor automobilístico desde 1967, quando produziu e apresentou o programa 'Grand Prix' na TV Tupi, no ar até 1980. Dirigiu a revista AutoEsporte por 12 anos e foi editor de automóveis das revistas O Cruzeiro e Manchete. Entre 1985 e 1994, produziu e apresentou o programa 'Primeira Fila' em cinco redes de TV. A coluna Alta Roda, criada em 1999, é publicada semanalmente -- na internet, é exclusiva de UOL Carros. Calmon também atua como consultor em assuntos técnicos e de mercado na área automobilística, e como correspondente para o Mercosul do site inglês just-auto. Email: fernando@calmon.jor.br

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