EcoSport, hoje atrás do Duster, prepara reviravolta no segmento

Fernando Calmon

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  • Murilo Góes/UOL

Nove anos pode ter sido um intervalo grande para que surgisse a segunda geração do EcoSport, mas a evolução foi notável. A Ford, em 2003, criou o SUV compacto de tração dianteira e vocação citadina. Cenário da época era de pequenos utilitários desse segmento com tração traseira ou 4x4, a exemplo do Suzuki Jimny ou Pajero TR4, modelos mais pesados e focados no fora de estrada.

Em 2011, a Renault lançou o Duster que desbancou, este ano, a liderança do EcoSport (até então sem rival direto). Mas como esse jogo só termina em 31 de dezembro a tendência é de reviravolta. Depois de 700 mil unidades vendidas, a Ford sabia exatamente o que fazer. Diretrizes de projeto atacaram os pontos fracos que, com o tempo, sobressaíram. O novo modelo tem praticamente o mesmo comprimento (4,24 m), porém as dimensões que importam para o espaço interno cresceram: 3 cm no entre-eixos; 7 cm na altura; 5 cm na largura.

O ambiente interno mudou bastante. Painel, volante, quadro de instrumentos, eletrônica de bordo, tudo inspirado no New Fiesta, de quem também herdou regulagem de altura e distância do volante, além da direção de assistência elétrica. Há quatro regulagens dos encostos bipartidos do banco traseiro. Até o porta-malas cresceu quase 20%, para 362 litros (dado do fabricante).

As linhas externas são ousadas e há carreira de LEDs no contorno dos faróis. Interessante o foco em aerodinâmica (coeficiente de forma é 10% melhor) e diminuição dos ruídos de vento. O estepe continua dependurado na tampa traseira, mais leve de manusear. Agora há apenas um pequeno botão, disfarçado na lanterna, para abrir a tampa.

Motor 1,6 l, 115 cv (etanol) agora tem bloco de alumínio (Sigma aposentou o Rocam), que, com ajuda de aços especiais na carroceria, conteve a diferença média de peso, em torno de 40 kg, apesar de novos equipamentos. A Ford informa que este propulsor está mais econômico, ganhou o selo "A", do Inmetro: cidade, 10,2 km/l (gasolina) e 7 km/l (etanol); estrada, 12,2 km/l e 8,4 km/l, respectivamente. A fábrica não declarou o consumo do outro motor disponível.

CHEGA DE SAUDADE
Ao rodar com o carro, a sensação é mesmo a de outro veículo. Silêncio a bordo, câmbio com engates precisos, direção suave, mas comunicativa e bom comportamento em curvas não deixam nenhuma saudade do antigo EcoSport, em especial do nível de ruído e vibração. As suspensões, no entanto, poderiam ser um pouco mais firmes, em especial para explorar melhor a potência do motor de 2 l, 147 cv (etanol), da versão de topo, Titanium, e opção no Freestyle.

Arquitetura do novo Fiesta colocou muitos recursos de segurança disponíveis: freios ABS e airbags frontais (ambos de série) e, em versões mais caras, airbags de cortina, controles de trajetória e tração, entre outros. Preços subiram menos de R$ 3.000, como referência média, porém o conteúdo acrescentado supera esse valor. Versões básicas saíram do catálogo. Preços: R$ 53. 490 a R$ 71.490.

Para melhorar: tampa do porta-luvas interfere com pernas do ocupante; regulagem do encosto do banco do motorista e visibilidade dianteira e traseira. Em outubro, chega a caixa automatizada de dupla embreagem, seis marchas e, em dezembro, a versão 4x4 com caixa manual, também de seis marchas.

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RODA VIVA
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+ Vendas continuam em crescimento e superaram a barreira de 2 milhões de unidades até julho. Anfavea mantém aposta na sua previsão de crescimento de 4% em 2012, sobre 2011. A sinalização vem de nova queda nos estoques totais de 29 para 27 dias. Isso abre espaço para recuperação da produção em agosto, já que a queda nas exportações parece irreversível.

+ Otimismo no mercado de automóveis e comerciais leves depende da prorrogação do nível mais baixo de IPI para além de 31 de agosto. Declarações do ministro Mantega são de que, "no momento, não há intenção de manter o nível atual do IPI". Esse filme já foi assistido. Prorrogação ocorrerá no último dia e poderá ir até o final do ano, com outro capítulo em outubro.

+ BMW Série 3 é o exemplo de como uma nova geração pode atender exigências de mercado sem abalar os dogmas de uma marca. Espaço interno, direção de assistência elétrica e a tela multimídia são pontos de destaque. No 328i, motor turbo de 4 cilindros (245 cv) substituiu o 6-cilindros (218 cv) aspirado e no uso do dia-a-dia ficou melhor, mesmo que o som do motor não seja o mesmo.

+ Toyota iniciou pré-venda do compacto Etios, hatch e sedã, sem solicitar dos interessados qualquer adiantamento financeiro. Entregas, no final de setembro. O carro tem certas soluções que deixam sensação de economia de custos, quando examinado com mais atenção. Foge dos padrões da marca, o que se previa por ser modelo mais barato, porém passou da conta.

+ Relação correta dos dez mais vendidos na Europa, no primeiro semestre: Golf, Fiesta, Polo, Corsa, Focus, Clio, Astra, Qashqai (Nissan), Mégane e Passat. Nos EUA: Camry, Civic, Altima (Nissan), Accord, Corolla/Matrix, Malibu, Fusion, Focus, Prius e Sonata.
 

Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, é jornalista especializado no setor automobilístico desde 1967, quando produziu e apresentou o programa 'Grand Prix' na TV Tupi, no ar até 1980. Dirigiu a revista AutoEsporte por 12 anos e foi editor de automóveis das revistas O Cruzeiro e Manchete. Entre 1985 e 1994, produziu e apresentou o programa 'Primeira Fila' em cinco redes de TV. A coluna Alta Roda, criada em 1999, é publicada semanalmente -- na internet, é exclusiva de UOL Carros. Calmon também atua como consultor em assuntos técnicos e de mercado na área automobilística, e como correspondente para o Mercosul do site inglês just-auto. Email: fernando@calmon.jor.br

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